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Roteirista explica que não é preciso ser gay para fazer personagens LGBT. Talento é baseado na atuação!

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A polêmica sobre artistas heterossexuais interpretando papéis LGBT+ voltou à tona recentemente, sendo que o assunto divide opiniões do público e da equipe dos sets.

O cinema é capaz de nos aproximar de histórias impressionantes, colocando a dramaturgia e a interpretação como extremamente importantes para o mundo das artes. Quem nunca chorou com um filme de drama ou gargalhou com uma comédia romântica? Quem não assistiu a uma cena de terror cobrindo parte da visão?

Nós nos identificamos com narrativas, nos emocionamos com os papéis que atores e atrizes interpretam, existem até os que acompanham as premiações, dando palpite sobre cada uma das atuações e categorias. O cinema está presente em nossas vidas desde 1895, quando os irmãos Lumière mostraram ao público aquilo que chamaram de Cinematógrafo, e desde então as condições só melhoram, assim como a qualidade das produções.

Uma das polêmicas que sempre surgem no mundo cinematográfico envolve justamente a questão de pessoas heterossexuais interpretarem papéis LGBT+. Para o roteirista, produtor e dramaturgo Aaron Sorkin, não deveria existir diferença entre a etnia e a orientação sexual para interpretar nenhum tipo de papel, sendo que o que mais deveria contar é a atuação de cada um.

Volta e meia o debate se reacende, e desta vez teve sua faísca quando o elenco do filme “Being the Ricardos”, escrito e dirigido por Sorkin, foi anunciado. O filme conta a história de Lucille Ball e seu marido Desi Arnaz, casal que protagonizava uma das maiores sitcoms da televisão estadunidense, “I love Lucy”.

Lucille será interpretada por Nicole Kidman, depois que Cate Blanchett anunciou que estava desistindo do projeto, e por Javier Bardem, no papel de Desi, e é justamente aqui que os ânimos esquentam. Javier é um ator espanhol que vai interpretar um cubano, e muitas pessoas não concordaram com a ausência de credibilidade do filme.

Em entrevista ao jornal The Hollywood Reporter, Sorkin foi questionado sobre a escolha, e explicou que, além de o consultor de elenco ter escolhido os profissionais ideais para cada um dos papéis, ele defende que ser espanhol ou cubano não é algo que muda na hora da atuação, assim como ser gay ou heterossexual, já que na hora da cena pode-se fingir sentir atração por alguém que não necessariamente seja verdade.

Indo um pouco além, o diretor explica que existe diferença entre uma atuação que pode ser considerada humilhante, como os inúmeros casos de atores que pintavam seus rostos de preto para interpretar pessoas negras, prática chamada de blackface, ou quando maquiavam atores brancos para que se parecessem de outra etnia, como japoneses, como o caso de Mickey Rooney em “Bonequinha de luxo”.

Para Sorkin, ter um ator nascido na Espanha interpretando um papel de uma pessoa nascida em Cuba não é algo humilhante, e nem deveria ser encarado como tal, assim como a comunidade latina vem expressando. O roteirista explica que, para as filmagens, a filha de Desi e Lucy aprovou a contratação de cada um dos atores que comporiam o elenco, e como ela não reprovou Javier Bardem, ele revela estar confortável com a situação.

Mesmo assim, o assunto é extenso e, de acordo com artigo de Charles Kaiser, para o The New York Times, o roteirista Russel T. Davies, que escreveu “It’s a sin”, série da HBO Max que mostra um grupo de pessoas na casa dos 20 anos enfrentando a crise de aids em 1980, defende o oposto. Em todas as suas produções, ele faz questão de escalar apenas atores e atrizes homossexuais para interpretar personagens gays, e acredita que os heterossexuais deveriam se envergonhar por atuações gays.

Historicamente, desde que as minorias sociais entraram no debate político, o questionamento sobre quais papéis os atores devem interpretar entrou em voga, principalmente quando diz respeito a grupos historicamente marginalizados, como os não brancos. A pressão aumentou e, atualmente, atores e atrizes brancos se recusam a interpretar ou mesmo dublar personagens negros.

Dessa mesma forma, a comunidade LGBT+ também tem abordado a questão sobre atores e atrizes heterossexuais e cisgêneros interpretarem transgêneros, fazendo com que as portas da dramaturgia se fechem para os profissionais que realmente passam por essa realidade. Para Davies, como existem mais oportunidades em papéis para heterossexuais do que para a comunidade LGBT+, é injusto que, nas poucas vezes que surgem, colocar atores e atrizes para competir com eles em pé de igualdade.

São inúmeras as produções que mostram heterossexuais e cisgêneros em papéis LGBT+, como “O segredo de Brokeback Mountain”, no qual Jake Gyllenhaal e Heath Ledger interpretam um casal homossexual, que chegou a conquistar o Oscar póstumo. Rami Malek também protagonizou a mesma discussão, quando interpretou Freddie Mercury em “Bohemian Rhapsody”. Outro que trouxe furor da comunidade foi “A garota dinamarquesa”, em que Eddie Redmayne interpreta Lili Elbe, uma mulher trans.

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