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A sabedoria secreta das nossas emoções:

Quando se trata de relacionamentos, descobri que dez emoções dominam o resto e cada uma delas tem uma mensagem específica para entendermos:

1. Inveja – “Há uma esperança que você precisa lamentar.”

Nós escolhemos nossos caminhos na vida com base em onde eles prometem nos levar. Quando algo (ou alguém) impede-nos de chegar lá de uma maneira oportuna, as nossas esperanças muitas vezes nos abandonam.


Até que reconheçamos o que esses desejos significam e quais buracos eles prometem preencher, estamos pouco propensos a progredir. Sem querer, vamos constantemente abrir espaço para sentimentos tóxicos dirigidos a todos que ganharam as coisas que queríamos para nós mesmos.


2. Desconforto – “Há um mar que você precisa atravessar.”

Todos nós queremos conforto e estabilidade. Mesmo mudanças positivas causam-nos estresse. As ondas que nos levam a terras mais felizes balançam os nossos barcos, da mesma forma que aquelas que levam ao naufrágio. Essa incerteza nos aterroriza.

E assim nós gravitamos em histórias de casais que vieram do mesmo lugar, que falam uma língua compartilhada, que, de algum modo, apenas se encaixam. Claro, a vida real raramente funciona assim – nem devemos desejar isso. Uma completa ausência de atritos é uma maneira científica de descrever a morte.


Conforto não é algo que devemos evitar ou desprezar. Mas é um vício a ser administrado. As coisas que mais nos beneficiam, geralmente estão do outro lado de experiências que, certamente, fazem-nos  um pouco desconfortáveis.


3. Amargura – “Há um espinho que você precisa remover.”

Há uma diferença entre a dor de um tornozelo torcido e a dor de um objeto afiado em sua carne. O primeiro faz-nos ranger nossos dentes enquanto continuamos. O último encoraja-nos  a parar completamente, enquanto ficamos obcecados com fantasias de vingança.

Aqui está a verdade: a estrada estará sempre repleta de coisas pontiagudas espalhadas tão descuidadamente quanto os brinquedos de uma criança. Vamos pisar em alguns. Vai doer.


Mas a dor não se destina a ser combustível para uma vingança. Seu único propósito é ajudar-nos a identificar as coisas espinhosas para que possamos removê-las.


4. Raiva – “Há um erro que você precisa reinterpretar.”

Todos nós levamos algumas coisas para o lado pessoal. Temos desejos específicos e imagens detalhadas do que sentimos que deve ser justo. Podemos aprender a conter nossas reações, mas somos impotentes quanto a não senti-las..

A chave, no entanto, é reinterpretá-las – revisitá-las através de um conjunto mais expansivo de lentes. Somos todos criaturas complexas e dimensionais. O que parece ódio ou malícia é, muitas vezes, alguém agarrando a normalidade e amor. No quadro maior, os erros que sofremos muitas vezes têm pouco a ver conosco.

Só nós escolhemos como escrever nossas histórias. Podemos ser vítimas ou vencedores, pessoas prejudicadas ou motivadas. Injustiças podem ser poços de desespero ou de coragem. Talvez possamos sofrer mais do que a maioria. Talvez muito mais. Mas, em última instância, somos transformados ou nos consumidos.


5. Culpa – “Há uma expectativa que você precisa renegociar.”

As dívidas existem para serem pagas. Em si, isso é bom. Ser indiferente aos custos que estamos causando aos outros é a definição de imaturidade. Nós devemos querer pagar.

Mas, devemos permitir pagar apenas o que podemos pagar, limpar o restante para que possamos seguir em frente com liberdade e nova perspectiva.

Nenhum de nós quer uma comunidade ou relacionamento construído sobre outra coisa senão perdão e graça, onde o desejo central é corrigir, ao invés de condenar. No entanto, nosso senso de justiça, muitas vezes,  leva-nos  a carregar pesos, mesmo quando aqueles ao nosso redor nos disseram que não são mais úteis.


6. Vergonha – “Há um julgamento que você precisa processar.”

Nós medimos nosso valor enviando solicitações infinitas: pequenos pedidos de feedback sobre o quão valiosos somos aos outros – o que esperamos que irá fornecer afirmação, juntamente à clareza sobre as coisas que precisamos mudar.

A maioria de nós está muito preocupada em fazer justiça. Estamos exagerados, superestimulados, muito comprometidos. Temos tempo limitado para oferecer a certas pessoas. Para o resto, temos apenas juízos instantâneos.

Isso deixa-nos com uma caixa de peças de quebra-cabeças misturadas, algumas das quais têm um lugar óbvio, outras têm um uso futuro, e algumas delas precisam ser descartadas completamente – um conjunto de decisões que só podem ser bem tomadas se tivermos uma imagem clara do que estamos tentando criar, de quem realmente somos.


7. Desgosto – “Há uma falha que você precisa amar.”

Desgosto é a lente que usamos para enxergar quando a vergonha está trabalhando nos bastidores. Isso nos faz projetar para fora o que sentimos por nós mesmos interiormente.

Imagine uma pintura polêmica. Se eu não sou um artista, posso considerá-la chata, feia ou ruim. Posso balançar a cabeça quando ouço o quanto ela é popular. Então, eu vou seguir em frente, sem nunca mais pensar nisso.

Mas, se eu sou um artista, ouvir um elogio sobre ela será um banquete em  minha mente. Vou ter certeza de que não é tão boa quanto as melhores. Também vou saber que as minhas obras não estão entre as melhores.

Esta mesma dinâmica se estende à maneira como vemos as pessoas em termos de aparência, sucesso e caráter. O que rejeitamos com dureza é quase sempre aquilo com o qual  lutamos  dentro de nós mesmos.


8. Tristeza – “Há um peso que você precisa sentir.”

Felicidade não é o mesmo que alegria. A felicidade depende de um acontecimento afortunado. É uma resposta positiva a algo que correu bem para nós. Alegria, em contraste, é um estado padrão. Não requer nenhum gatilho. É uma vela constante que fornece luz interior e calor.

Alegria e depressão estão conectadas às coisas grandes e pesadas – química, trajetória, contentamento – que controlamos em prazos mais longos. Felicidade e tristeza, entretanto, são reações naturais e imediatas que podemos abraçar ou ignorar, lidar ou chutar para longe.

Quando os maus acontecimentos nos encontram, a tristeza bate na porta, vindo atualizar o software de nossas mentes para explicar uma realidade mudada. E não sairá até que cooperemos, até que concordemos em deixar o sentimento fazer o seu trabalho. Ele quer coisas boas para nós, mas essas coisas estão do outro lado do desconforto temporário.


9. Ansiedade – “Há um trauma que você precisa enfrentar.”

Nós não somos construídos para lidar bem com surpresas. Nossos cérebros querem tudo detalhado com antecedência. As surpresas obrigam-nos a mudar, a experimentar e desfrutar para considerar e avaliar.

Em sua raiz, a ansiedade é uma resposta que diz “eu sou incapaz de ficar confortável outra vez, de me sentir seguro”. E, enquanto permanecermos presos nesse modo de processamento, exigiremos garantias extras daqueles que nos rodeiam. Isso, muitas vezes, leva-nos a sentir que somos um indigno incômodo.

A ansiedade pode ser uma condição crônica séria, mas também pode ser apenas o restante não processado de surpresas passadas que nos levaram a questionar nosso julgamento, nossa percepção, nossa compreensão do mundo.

Embora ambos os casos mereçam compaixão, a categoria temporária é muito mais fácil de corrigir.


10. Medo – “Há uma realidade que você precisa aceitar.”

Não é coincidência que tantas religiões compartilhem a metáfora da mão aberta. É uma visualização da ideia central da fé – da forma de força que diz: “Não vou segurar coisas que não são para mim.”

Nós somos ruins em mãos abertas. Somos bons em dedos apertados. Somos bons em pânico. Quando sentimos que estamos prestes a perder alguma coisa (seja um objeto, uma pessoa ou uma ideia), nosso apego a essa coisa desperta algo animal dentro de nós.

O ponto é, nem tudo o que temos medo de perder pode ser salvo. Às vezes, só temos poder de agir e aceitar. Quando tivermos feito todas as coisas sábias,  corajosas e responsáveis que pudermos, qualquer agitação é realmente um imposto desnecessário que estamos pagando para manter a ilusão de que a vida está totalmente sob nosso controle.

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Traduzido pela equipe de O Segredo – Fonte: Huffington Post





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