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SABEM PORQUE É QUE ESTAMOS CADA VEZ MENOS INTUITIVOS? PORQUE NÃO NOS PERMITIMOS SENTIR!

Sentir! Fugimos de sentir, de nos deixar levar, de ter emoções e sensações. Fugimos de nós, daquilo que realmente somos e sentimos, da nossa essência, da nosso estado mais puro, mais vulnerável, mais verdadeiro. Fugimos de nós!


Entramos no racional para não sentirmos. Entramos no racional para não nos deixarmos levar pelas emoções, pelas sensações que tal acontecimento possa causar. Temos medo de sentir. Temos medo de como esse “embate” nos pode levar a ações que desconhecíamos ser capazes. Temos medo de nós e por isso fugimos de nós.

Não queremos sentir então racionalizamos. “Afinal eu estava a ver mal”, “isto não é bem assim”, “esta situação não se passou”, “vou eliminar da minha memória”. Como se pudéssemos esquecer o que sentimos. Não é por acaso que os momentos mais felizes e os mais tristes das nossas vidas nós não conseguimos apagar. Porque os sentimos de tal forma, houve um embate tão grande em nós, que o racional não conseguiu salvar. E ainda bem! Sim ainda bem!

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Momentos dolorosos são tão necessários como os momentos felizes. Momentos dolorosos fazem-nos redescobrir quem somos. Momentos dolorosos fazem-nos agir, fazem-nos mudar, fazem-nos sentir o que outrora nunca sentimos. E deixa sentir, deixa doer, deixa gritar, deixa chorar, deixa contorcer, deixa não conseguires dormir, comer, o que quer que seja, mas deixa acontecer.

É disto que temos medo da dor que possa não passar, da angústia diária e repetida, da sensação de vazio, do “embate”.


Os sentimentos não se racionalizam.

Sabem porque é que estamos cada vez menos intuitivos? Porque não nos permitimos sentir!

Porque mal começa a doer entra o racional e inventamos todas as desculpas e mais algumas, todos os mecanismos e mais alguns, para que aquilo, aquela coisa que dói, pare de doer.

Estamos habituados a ter antídotos para tudo. Doí-nos a cabeça e tomamos um comprimido. Estamos mal dispostos outro comprimido. E vivemos assim! Na ideia que tudo tem uma solução sem uma contrapartida. O comprimido que faz passar a dor de cabeça tem um efeito secundário noutra parte do nosso corpo. E é assim com os sentimentos que não nos permitimos sentir. Vão ter efeitos secundários que, muitas das vezes, não damos logo por eles, tal como o comprimido da dor de cabeça, mas que vai ter um efeito terrível em nós.

No caso de não nos permitirmos sentir os nossos efeitos são as mascaras que colocamos e acreditamos nelas, a frieza que nos começa a consumir, que já é nossa, o desprezo e a apatia.  Perdemos calor, expressões faciais e corporais, e apenas começamos a existir. Não é isso que acontece? Observa e vais ver que a maior parte, e se calhar tu mesmo, apenas existem não vivem.

Porque viver…bom para viver é preciso sentir. É preciso rir, mas riso que faz doer a barriga, não o riso rasgado que apenas vem do rosto, esse qualquer um consegue. É preciso chorar, não aquele choro que só escorre a lágrima, mas aquele que chega-nos a tirar a respiração. É preciso estarmos disponíveis para aceitar o que vier. E não estamos! E porquê? Porque a nossa primeira ação é racionalizar o que vier e não sentir. Deixamos de ser primitivos também no sentir.

Ensinam-nos que chorar à frente das pessoas é feio, que beijarmos em público não fica bem, que darmos a mão é melhor não, que tudo aquilo que nos apetece do mais primitivo que seja fica mal. E vivemos assim a cortar o que sentimos porque fica mal. A deixarmos de fazer o que queremos porque fica mal. Tudo fica mal aos olhos dos outros. E sabem porquê? Porque em vez de nos deixarmos sentir racionalizamos o que os outros possam racionalizar, e deixamos com que isso seja mais forte do que aquilo que é mais forte para nós.

Mantemos amizades, relações, empregos, tantas vezes por ficar bem, com o medo terrível de sermos julgados, de sermos mal falados. Esquecemos do que sentimos por aquela amiga, esquecemos do que sentimos pelo homem com que nos deitamos todos os dias, esquecemos o que sentimos quando executamos a nossa profissão. Esquecemos de nos perguntar se somos realmente felizes com tudo isto. Se ainda faz sentido. E sabem porque nos esquecemos de perguntar? Porque o nosso racional faz anular o sentimento que possamos ter. E porquê? Por medo da ação que possamos tomar quando virmos o quanto felizes ou infelizes estamos. Em ambos os sentimentos, felicidade ou infelicidade, a nossa ação muda.

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Se estou feliz e permito-me sentir essa felicidade, vou chegar junta da minha amiga e dizer o quanto especial ela é para mim, vou demonstrar todo o meu carinho por ela, e é isso que vai parecer ridículo ao racional. Expressarmos a nossa felicidade ou tristeza para com alguém fica mal.

E é isto! Andamos no mundo do ficar bem ou ficar mal e não no sentir bem ou sentir mal.





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