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Saber a hora de partir

Sabe, amor, confiei, entreguei-me sem olhar para trás, acreditei que meu coração havia encontrado aconchego EM VOCÊ.

Um dia acordei e a doce sensação de paz em estar ao seu lado havia desaparecido, o sentimento era de falta.


Doía, machucava, não era para ser assim, momentos bons começaram a ficar infinitamente menores que o desconforto.

Fui olhar de verdade para você e o enxerguei do jeito que era, sem romantizar, comecei a ouvir e sentir o que queria me dizer, nos detalhes, atitudes.

Incrível, como inconscientemente rejeitei essa audição.


Comecei a enxergar a proporção dos “nossos” sentimentos, tínhamos interesses distintos.

Sei que o amor não é uma opção, ele é a natureza do ser humano, portanto inerente a minha vontade.

Escolher não sentir é tão complexo, como a decisão de não respirar!

Ah! Acho que hoje não estou disposta a respirar! Percebe? Não dá, não é possível.


Posso até fazer essa escolha, mas ela vem com a morte.

No amor, também é assim, embora eu possa escolher não o vivenciar, ele simplesmente acontece e ignorar, é morrer um pouco a cada dia.

Escolhi viver, escolhi a vulnerabilidade. E você não seguiu na mesma frequência que eu.

Tudo bem! Acontece.

Agora preciso me refazer, como a letra da música que toca nesse momento:

“O vazio é difícil acostumar, ainda bem que não hesitei em te abraçar, o nó afrouxa até a mão querer soltar, mas da tua mão eu não larguei até voltar, pra direção da sua calma.

Me diz o que é que eu faço dessa vida sem você?

Quem é que vai me levantar agora, eu já não tenho hora para me refazer…

Então volta, me retoma, desafoga vem realinhar, me estremece, me percebe, eu vou ser breve pra gente não esfriar…” (esfriou)

Perdemos a hora, o tempo passou.

Supliquei ao Universo coragem para fazer o que era preciso. Era hora de partir, definitivamente, mesmo querendo muito ficar.

Preciso gostar de quem gosta de mim, preciso estar com alguém que faça realmente questão, alguém que faça um esforço, alguém que eu sinta que quer estar comigo de verdade, não de um jeito que parece que preciso criar subterfúgios para ficar junto.

Quantas vezes me senti cercando-o para me perceber e me reconhecer.

Reparei que você não fazia um movimento compatível com o meu. Que amor é esse? Isso não é amor.

Amor é reciprocidade, é querer bem, é um sentimento genuíno que acontece e nos nutre por si só. Não sufoca, não cansa, não desgasta, não machuca, não fere, não traumatiza.

O amor ameniza, o amor faz bem e me faz querer ser mais do que sou, amor transborda de um jeito tão bom, tão grande, que é generoso!

Não é restrito, medíocre, pequeno, não vem em migalhas.

Mesmo querendo muito ficar, chegou a hora de partir. Ir embora não significa negar o amor, mas salvar o que eu tenho de mais precioso: “MEU AMOR-PRÓPRIO”.


Direitos autorais da imagem de capa licenciada para o site O Segredo: Iidniel/123RF Imagens.





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