Saber ouvir é uma forma de ajudar…

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Nem sempre quando procuramos o apoio e a atenção de um amigo, um ente querido, estamos procurando por um conselho, instruções de como se deve agir, de como se deve ser e de que forma se deve sofrer ou ser feliz.



Às vezes, só queremos ser ouvidos, desabafar, aliviar um pouco a tensão que carregamos dentro de um peito sufocado em determinados momentos da vida.

Às vezes, também nem estamos a fim de falar sobre nossas perturbações, queremos apenas abstrair, esquecer, ainda que por alguns instantes, tudo aquilo que nos entristece e preocupa.

Não há excessos de bons ouvintes  por aí.  São raros, ou porque as pessoas não têm real interesse nas aflições alheias, porque as pessoas não têm paciência de ouvir, ou porque elas estão mais preocupadas em falar, em dar a sua receita de como se deve ser do que prestar atenção naquilo que o outro vivencia, esquecendo que cada um tem sua própria forma de enfrentar os problemas e quase nunca é igual à forma com que o outro costuma se comportar.

Ouvir e escutar são duas coisas diferentes. No cotidiano rotineiro, ouvimos muitas coisas, mas escutamos muito pouco.

Krishnamurti afirmava que“Escutar é um ato de silêncio”. Enquanto não calarmos nosso diálogo interno e prestarmos atenção ao nosso interlocutor, não aprenderemos a escutar.


Aqueles que se empenham em ser bons ouvintes têm a oportunidade de aprender muito além do que é restrito a seu próprio mundo, abrindo-se para o mundo do outro, pois quem é capaz de ouvir tem acesso à muitas coisas que dizem respeito a seu interlocutor, porém,  isso só ocorre se perceberem que há um interesse verdadeiro sobre sua pessoa, sua história, seus dilemas, seus sofrimentos.

Quem é bom “escutador” sempre sai de uma conversa mais enriquecido, pois  é esta uma oportunidade de ser útil e de conhecer algo diferente de si mesmo.

Rubem Alves dizia algo genial: Que existem por aí muitos cursos de oratória, porém não se vê nenhum curso de “escutatória”.

O ato de escutar é uma habilidade que exige abertura, transparência e compreensão, e, sobretudo ausência de julgamento.


Ser bom ouvinte é uma grande qualidade, porém, difícil de ser adquirida, visto que como já expressado anteriormente, não é tão fácil assim encontrar pessoas verdadeiramente interessadas nas questões alheias.

Penso que aqueles que buscam alguém para ouvir seus desabafos esperam acolhimento, palavras de incentivo, abraços apertados, nem sempre precisa ouvir e em outras vezes necessita mais do que ser ouvido, necessitam ser entendidos.

A empatia é uma grande virtude, porém, há que se ter cautela, pois ao se colocar no lugar do outro, cometemos o equívoco de acreditar que este agiria tal como nós, que o outro vive suas emoções da mesma maneira que a gente, e as coisas não são assim.

O bom ouvinte quando, após ouvir, for emitir sua opinião ou dizer o que quer que seja para seu interlocutor, há que ter atenção especial em seu tom de voz, em sua postura, se não está usando de reprovação, autoritarismo o arrogância, pois em momentos difíceis aqueles que nos procuram exatamente do que não precisam é de serem julgados, recriminados ou qualquer outra coisa semelhante.

Um elogio sincero, um “estamos juntos”, um “isso vai passar” podem ser até clichês, mas se ditos com sinceridade e afeto surtirão um efeito positivo e outro sentirá que não está só, que tem com quem contar com quem dividir aquele fardo que tanto lhe pesa.

Lembre-o de que as coisas passam, que já se superou muito e que adiante haverá novamente a luz e a cor presentes em sua vida.

Tenhamos cautela para não agravar as feridas do outro, com palavras e atitudes que nada acrescentarão, ao contrário, que poderão tornar aquele momento ainda mais sofrido

“Deus é isto: A beleza que se ouve no silêncio. Daí a importância de saber ouvir os outros: a beleza mora lá também.” – Rubem Alves

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Direitos autorais da imagem de capa: anyaberkut / 123RF Imagens

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