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Saindo da zona de conforto

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Hoje, muito se fala em `sair da zona de conforto`.



Essa expressão por si só  já causa em nós um tremendo ‘reboliço’ interno.

Mas porque é tão difícil compreender e acertar o primeiro passo para fora dessa zona? 

Eu arriscaria dizer que esta é uma zona cômoda, conformista, condescendente, ou como muito se houve dizer  também, uma zona  des[conforto], pois ao nos estacionarmos nela, nesse mundinho tão  previsível e sem horizontes – que por hora, até pode nos parecer o melhor mundo – acreditamos nisso, nessa ‘felicidade’ comodista, cheia de uma certeza  ilusória.


Estagnados, não nos permitimos a evolução, a transposição de ciclos, o desabrochar para o novo, o movimento e o fluir natural da vida; infinito, impermanente e transbordante. Sucumbimos à impossibilidade de uma mente aberta e expansiva, de uma consciência  evolutiva e transformada, de uma renovação plena e transcendente.

Somos um parodoxo de credos e quereres. Alimentamos sonhos do quanto poderíamos ser felizes ‘se’… do que faríamos ‘se’…  de como agiríamos ‘se’…  e ‘se’ quando eu tiver isso… e ‘se’ quando eu comprar isso… e ‘se’ quando eu for assim… quando… como… onde… porque… mas… porém… e o ‘se’ no meio. Se há a existência de tantos ‘ses’, haverá também  uma real felicidade com o seu agora?  Haverá a apreciação plena, aquela que te impulsiona ao crescimento?  Haverá uma gratidão sincera pelo seu hoje, pelo seu viver atual?

Queremos ser felizes, mas temos medo de arriscar. Buscamos por caminhos irreais a felicidade sonhada. Queremos transformação, mas insistimos em manter o homem velho como ser dominante, predominante, seguro no leme. Buscamos um efeito mágico de atração, sem perceber que estamos todo o tempo atraindo tudo, sem nos preocuparmos com o que  fazemos com o que pensamos, com o que verbalizamos, com o que sentimos e vibramos. Sonhamos tanto, mas não investimos nos desejos.

Somos eternos idealistas do ‘se’, do ‘talvez’, ‘quem sabe’, quando nada sabemos; ou sabemos demais sobre tudo o que poderíamos, sem avançar um passo sequer. Queremos ser grandes, mas continuamos com os mesmos velhos dogmas como bússola. Não há um norte a se seguir, quando há um céu nublado sobre ele; sem perspectivas, sem visto, sem visão… quase um ponteiro quebrado, alienado, com defeito, desativado por nós mesmos.


É extremamente confortável uma vida ‘vivida’ sem riscos, pois toda mudança implica responsabilidade, atitude, comprometimento. E quem está, de fato, interessado em mudar.e, assumir as conseqüências de suas próprias escolhas?  Ser feliz é arriscado, ser feliz exige  desprendimento e abertura. Não dá para entrar numa loja, comprar roupas novas e  querer que ao sair de lá, bem vestido, tenha-se a mesma aparência de antes. Há que se pagar um preço por todas as decisões e caminhos percorridos.

Há uma frase que diz: Cuidado com o seu desejo, pois ele pode tornar-se realidade!’

E o que você fará quando isso acontecer? Irá fugir? Esconder-se debaixo da mesa, como criança em dia de tempestade com medo dos trovões e raios? Não somos mais crianças e geralmente, quando cai uma chuva é porque desejamos, pelo calor excessivo ou seja lá porque. Por que desejar essa `chuva` então? Quanto há de verdade nesse teu anseio, nesse teu desejo?

Não seria uma utopia consoladora, acariciando silenciosamente o seu ego, numa desculpa, num ‘tapar o sol com a peneira’? Até quando daremos desculpas a nós mesmos, estando camuflados por um véu que nada encobre mais? Não de nós!


A vida é preciosa e rara demais para nos escondermos, indecisos, paralisados, inertes.

Acredito mesmo que ser feliz assuste tanto e que tamanha é a crença de que não somos dignos, de que não  não somos merecedores, de que ‘deixa assim do jeito que está`, ao menos assim não sofro’, que as possibilidades infinitas que o Universo nos oferece, em toda a  sua grandiosidade e mistério, na maioria das vezes ficam  vagando, flutuando, pairando sob o céu, navegando nesse mesmo infinito, sem nunca encontrar o eixo de conexão até nós,  por nossa máxima responsabilidade e culpa.

Refletir sobre isso, já nos causa um certo des(conforto), pois abala as estruturas dessa zona estagnada. Viajar pra que? Sair pra que? Ir ao cinema com os amigos, pra que? É tão cômodo ficar em casa vendo TV! Por um fim num relacionamento que há séculos já não anda, pra que?  Os homens e mulheres não são todos iguais? Vou encontrar alguém pior e vou quebrar a cara. Não. Deixa como está! Emagrecer, pra que? Se comer, desregrada e ansiosamente é tão bom e além do mais eu odeio academia?

Quem sabe eu fique muito bonita e as possibilidades surjam, e eu sou tão covarde,  pobre de mim, tenho medo disso, não quero ser notada, não quero ser amada, gosto de ter o controle da TV só pra mim. Prefiro o meu mundinho anônimo, solitário e banal.Trocar de emprego? Por que motivo, se nesse eu ganho o suficiente pra me manter? Não é grande coisa, mas nada me falta! Ou falta?  Estudar? Não, já estou muito velho pra isso. Não tenho mais paciência.


E  a vida que nos move, e o fluir do sangue em nossas veias? E a alegria do crescimento, de se fazer novo, de se descobrir capaz, onde fica?

Onde fica a nova face refletida no espelho, que nos assusta, mas chega cheia de viço. Inesperada, mas alva, radiante,  luminosa, feliz! ? O coração renovado, esperançoso, risonho, vivo, audaz, onde ele estará?! Quando vamos nos permitir esse maravilhoso mergulho em nós mesmos?

Dói em nós remexer nos recantos, nas esquinas de nossa consciência subjetiva. Dois em nós semear luminosidade em nossas sombras, iluminar a alma em lampejos de lucidez.

Dói em nós atravessarmos as pontes de nós mesmos, vencer os dragões do medo e da incerteza que nos subjulga, dói o enfrentamento e vitória sobre a  prostração dos  nossos sonhos, dessa zona incômoda de conforto, que não nos permite alcançar esse Universo Magnífico, a essência genuína que grita por liberdade, por vida ansiando ser manifesta. Paradoxalmente, dor e prazer, sentimentos tão vivos e interligados, caminham lado a lado. Da dor de aceitar as mudanças. De abandonar o velho, pois dessa dor, aceita e enfrentada, irá nascer, magnífica e explendidamente,  o grande prazer de uma vida nova!!


Um abraço caloroso e grato,

Deborah Furtado

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Dizem que antes de um rio entrar no mar, ele treme de medo. Olha para trás, para toda a jornada que percorreu, para os cumes, as montanhas, para o longo caminho sinuoso que trilhou através de florestas e povoados, e vê à sua frente um oceano tão vasto, que entrar nele nada mais é do que desaparecer para sempre. Mas não há outra maneira. O rio não pode voltar.


Ninguém pode voltar. Voltar é impossível na existência. 

O rio precisa se arriscar e entrar no oceano.
E somente quando ele entrar no oceano é que o medo desaparecerá, porque então o rio saberá que não se trata de desaparecer no oceano, mas tornar-se oceano!.

(Osho)


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