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Samara Felippo fala dos desafios de criar as duas filhas e diz que enxergou o lado ‘B’ da maternidade ao se separar do ex-marido

Samara Felippo fala dos desafios de criar as duas filhas e diz que enxergou o lado B da maternidade ao se separar do ex marido

A atriz e produtora Samara Felippo fala dos desafios de criar as filhas Alicia, 10 anos, e Lara, 6, em época de quarentena, e diz que enxergou o lado ‘B” da maternidade ao se separar do ex-marido. Ela explica como conversa com as meninas sobre racismo e machismo. Confira:

Em época de quarentena, como está sendo criar duas filhas dentro de casa? Quais as principais dificuldades?
Está sendo um desafio, não só para mim, mas para todas as mães que estão em casa. Mas eu sempre procuro lembrar do privilégio que é, poder estar em casa para elas. Aqui a gente está se reinventando. Existe o medo de ser muito permissiva com o telefone, tablet, de deixar muito tempo na TV… mas estou tentando inventar brincadeiras o tempo todo. Papelão foi uma coisa que me salvou (risos). Fizemos muitas colagens, quadros de papelão, teatro de sombras. A escola tem ajudado muito também, apesar de não ser o que mais adoro fazer. Mas procuro não me cobrar muito em relação a isso. Minhas filhas já estão numa idade em que a gente já pode conversar abertamente e se entender dentro dos limites de cada uma.

E qual é a parte boa de ficar com elas em tempo integral?
A melhor parte disso é a qualidade de tempo que tenho com elas. No início, me vi muito impaciente, pensando em quanto tempo eu iria ficar (deste jeito), mas isso foi passando. É importante saber dosar e separar um tempo de qualidade com os filhos, um tempo para você.

Nas suas redes sociais você sempre fala muito da maternidade real. Antes de engravidar, qual concepção tinha da maternidade? E quando caiu a ficha de que ela não é o sonho colorido como muitas mães pintam?
A maternidade me foi vendida, e é vendida a tantas mulheres, de uma forma cor de rosa, só falam do lado ‘A’. Da mãe plena, abençoada, a mãe que abandona tudo pelos filhos, que é a coisa mais maravilhosa do mundo. Sim, a maternidade é a coisa mais maravilhosa do mundo, é um amor incontestável, um amor que não cabe no peito, que transborda, que você chora só de olhar a criança dormindo. Mas é exaustivo pra mim, que sou muito privilegiada, imagina para mulheres que têm dupla, tripla jornada. Ou que tiveram que abandonar seus empregos, ou que não têm tempo e ficam o dia inteiro no emprego. É o lado ‘B’ que passei a enxergar. Passei a desromantizar tudo isso. A mulher cansada não é uma guerreira, ela está cansada, tem que olhar para essa exaustão. Comecei a enxergar isso quando meu casamento acabou (ela foi casada com o jogador de basquete Leandrinho). Me separei quando a Alicia tinha 4 anos e a Larinha, 20 dias. Foi um baque muito grande. Meus pais foram casados por 30 anos e casamento para mim era aquilo. Vi que o mundo cor de rosa desabou na minha cabeça e falei ‘ué, não era assim que funcionava’. Acho importante a gente falar cada vez mais disso, para que mulheres que venham a se separar, saibam lidar com essa frustração e bola pra frente. E também que elas saibam sair de relacionamentos abusivos que mantém por causa de casamento, dos filhos, por motivos financeiros.

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Direitos autorais: Reprodução.

Como foi sua infância? Você tinha liberdade para brincar, criar, seus pais eram rígidos?
Minha infância foi linda, fui criada numa vila na Zona Norte do Rio de Janeiro, de pé no chão, correndo, brincando de tudo que era possível: panelinha, boneca, bola…Minha adolescência foi muito tranquila também, minha mãe me deixava sair, ia me buscar. Mas fui criada da forma que meus pais foram criados. Que tinha um tanto de machismo, racismo, porque a sociedade é assim. Fui crescendo com esse chip até entender como funciona tudo isso. O lance é conversar com os pais para você se desconstruir e eles também.

E como você aborda essas questões importantes com as meninas?
Não sei dizer qual idade certa para se começar a falar sobre isso, mas acho que desde quando eles são pequenos, para criá-los de uma forma anti racista, apontando os machismos. Como não tive esse tempo com a Alicia, por exemplo, comecei muito tarde, quando ela tinha 7 anos, fomos aprendendo juntas. Não sei se, pelo fato delas serem negras, me influenciou mais nisso, mas a minha grande questão é levar essa representatividade para mães brancas, com filhos brancos. Para que elas tenham bonecas negras em casa, capas de livros com crianças negras, ouvirem músicas de artistas negros, verem advogados, médicos negros. Toda essa representatividade para que as crianças cresçam sem essa diferença que pregam pra gente desde a infância. E o machismo eu aponto em todos os lugares. Nas músicas, nas atitudes que tem algumas pessoas têm com elas, comigo. Aponto e pontuo para que elas saibam reconhecer.

E no que as meninas são parecidas com você em termos de personalidade?
Cada uma tem a sua. E são bem diferentes. Acredito que elas absorvam muita coisa minha,o que é, as vezes, uma sombra para mim dentro da maternidade. Quando você menos espera, vê sua filha reproduzindo algo que você nem sabia que fazia e rejeita essa atitude que na verdade é sua. Não gosto de rotular, nem dizer como cada uma é. Estão ainda se formando, aprendendo, dentro da capacidade e vontade de cada uma.

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