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“Saudade de quando preto era escravo”: garoto é vítima de racismo em escola

Saudade de quando preto
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Em mensagens dentro de um grupo de WhatsApp de alunos do Colégio Cristão Ver, na região noroeste de Belo Horizonte, um garoto de 14 anos foi alvo de ataques racistas pelos próprios colegas de classe. Mensagens dos alunos chegaram a citar conteúdos como “saudades de quando preto era escravo”.

O caso aconteceu nessa semana, e o pai da criança informou que procurou a Delegacia da Criança e do Adolescente. Ele foi orientado a comparecer em outra unidade da Polícia Civil, junto com seu filho, na segunda (20) para registrar o Boletim de Ocorrência.

A reportagem tentou diversas vezes e de diferentes meios para entrar em contato com o Colégio Cristão Ver, porém não localizou nenhum representante ou a direção da instituição para comentar sobre o caso. Em um dos meios de comunicação, o centro de ensino irá voltar às atividades apenas no dia 10 de janeiro. O posicionamento do colégio será atualizado caso a escola se posicione.

O pai contou que o grupo foi criado pelos próprios alunos da escola para estudarem conteúdo de uma prova que seria aplicada. Logo depois de criado, Alexandre conta que seu filho começou a ser excluído e isolado das conversas. O garoto então decidiu sair do grupo e, logo em seguida, começaram os ataques racistas. “Que bom que o ‘neguin’ não tá, já não aguentava mais preto naquele grupo” [sic], disse um dos alunos; outro disse “nem sabia que preto estudava”.

troca de mensagens racistas entre alunos

Direitos autorais: Reprodução.

O nome do grupo no WhatsApp chegou a ser alterado para “Pilantrinhas (sem neguin)”. Em determinado momento da troca de mensagens, um aluno em questão disse que “nem sabia que preto podia ter celular” e “sdds [saudades] de quando preto só era escravo”, sendo respondido com “e sempre trabalhava”. O garoto, vítima de ataques racistas, recebeu os prints de um colega que viu as mensagens e o alertou. Logo em seguida o menino contou para seu pai.

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Direitos autorais: Reprodução.

“Eu fiquei estarrecido, o dia acabou para mim”, conta o pai, que, ao procurar a coordenação pedagógica da escola, disse que eles se solidarizaram e marcaram uma reunião. “Aconteceu ontem, pensei que seria apenas eu, só que os pais dos outros alunos também estavam”, disse. Ele relatou então que alguns dos pais presentes na reunião tentaram minimizar o caso de racismo sofrido por P. Um dos estudantes que publicaram as mensagens racistas no grupo tinha ido inclusive à casa do menino no início do mês passado para um churrasco.

“Eles se desculparam, mas o leite já foi derramado. Traumatizado com o racismo sofrido, o garoto está com sintomas de depressão”, conta o pai. “Eles bateram muito forte não só na minha família, mas no meu filho também. Hoje [ele] não foi disputar um campeonato, não sai de casa e não está comendo”, relata.

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