Saúde tem a ver com o que se come, mas também com o que se pensa, diz e faz

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É preciso calma, respiro, momentos de silêncio, para que possamos escutar o que clama dentro de nós, o que ali excede e o que faz falta.



Sem mudanças na forma como se vive, a saúde não conseguirá se salvar sozinha.

Ultimamente, os cuidados com a saúde viraram tema frequente na mídia e nas redes sociais. Dicas, exercícios, receitas, há uma profusão de matérias e de lives que nos ensinam a emagrecer com saúde, a comer sem adoecer, a se exercitar em um cômodo minúsculo. Tudo isso é ótimo, mas, sem mudanças na forma como se vive, a saúde não conseguirá se salvar sozinha.

Trata-se de um ensinamento milenar, mente sã em corpo são, ou seja, desde sempre, fomos alertados para a necessidade de aliar uma alimentação saudável a um viver mais leve. O estresse libera toxinas dentro de nós, às vezes piores do que as porcarias que ingerimos correndo nos fast foods. Isso sem contar o veneno que muitos destilam diariamente em comentários maldosos e fofocas desnecessárias entre seus pares.


O que dizer dessa correria diária a que nos lançamos, passando horas trabalhando, transitando em ônibus lotados, pulando refeições, comendo mal, passando mal, vivendo mal?

Chegamos exaustos a nossas casas, mal conseguindo conversar com nossos queridos, pouco prestando atenção a quem deveríamos abraçar e ficar junto, conversando e trocando carinhos verdadeiros. Com isso, não conseguimos nos livrar de todo aquele peso que acumulamos fora de casa.

Da mesma forma, existe quem busca a perfeição estética da pior forma possível, enchendo-se de anabolizantes, remédios milagrosos sem receita médica, cumprindo metas nos aparelhos de musculação, mas pouco se importando com o que se passa dentro de seus corações. Olham-se no espelho, mas não enxergam a própria essência, negligenciando as necessidades de seu íntimo, os seus sentimentos, sonhos e afetos.

Tudo requer equilíbrio, na vida lá fora e dentro de cada um de nós. Não é fácil, pois costumamos valorizar com frequência o que nos parece mais interessante aos olhos. Porém, é preciso calma, respiro, momentos de silêncio, para que possamos escutar o que clama dentro de nós, o que ali excede e o que faz falta.


Trata-se de um exercício diário, mas, se não o fizermos, continuaremos nos iludindo com excessos que trazem prazeres momentâneos, para que nada mude. Mude, primeiro, por dentro. E, então, tudo mudará lá fora.

 

Publicado originalmente em Prof. Marcel Camargo.

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