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Se amar é uma fraqueza, então que fraca eu permaneça

Nunca tive pena dos apaixonados com seus corações partidos.

Eu tenho dó, dó mesmo, é de quem nunca se apaixonou nessa vida, de quem nunca se permitiu ser invadido e dominado por completo, sem sequer pensar em suspender a rendição.


Tenho dó de quem não sabe o que é refugiar-se em braços abertos à nossa espera, de quem não sabe o quão maravilhoso é sentir esses braços se fechando em volta de nós, naquele tipo de abraço que faz o mundo voltar a girar no ritmo certo.

Dó dos órfãos de olhos prediletos, que saem por aí desesperados a procura de qualquer olhar, dos que nunca tiveram seus batimentos cardíacos alterados por um timbre de voz, dos que nunca perderam a fala num momento a sós, onde as palavras são mesmo o que menos importa.

Dó, de doer, dos que nunca se renderam depois de uma briga, dos que não fazem ideia do que é amar com alma, não só com o corpo, dos que não têm um ombro anfitrião para dormir depois de amar.


Tenho dó de quem nunca saberá o que é acordar no meio da noite e observar o amor personificado, bem ali dormindo ao seu lado, do desejo de prender a respiração e que o mundo também durma, para que não o acorde.

Tenho dó dos que nunca vão se viciar em cativar sorrisos. Mas, “pera lá”, qualquer sorriso não, “o sorriso”, o mais lindo do mundo, com toda razão.

Porque se apaixonar é viciar-se e fugir de qualquer possibilidade de cura. É assumir tal fraqueza, com o maior orgulho que o sujeito possa ter. É da sandice, não se abster.


É ficar por querer. É agradecer. Agradecer e rezar, para desse delicioso infortúnio continuar a padecer.

Tenho profunda pena de quem não sabe o que é suspirar pelos cantos, sorrir sozinho durante uma reunião terrível de trabalho e agir como se nenhum mal desse mundo pudesse o atingir, pelo simples fato de saber que dali a algumas horas verá a sua pessoa e, então, esse mundo de agora deixará de existir.

Apaixonar-se é sofrer um Big Bang dentro de si e criar um infinito universo só para dois.

É trocar todos os outros habitantes do planeta, quiçá da galáxia, por um só, e ser absolutamente feliz desse jeito.

É encolher-se para caberem numa rede direito e nunca ousar reclamar de dor.

Apaixonar-se tem sabor, sabor e aroma únicos nessa vida, assim como a nuca do seu amor, capaz de amenizar qualquer briga e de impedir qualquer partida.

Causa-me dó, dessas sofridas, ver pessoas tão donas de si e tão medrosas a ponto de manter seus corações em cárcere privado.

Deus me livre! Tenho pavor, só de pensar, que o amor pode estar batendo e encontrar meu coração fechado! Apaixonar-se é desprender-se de si, é mudar e ser mudado. É mudar para outra casa, para um outro mundo, na cama ceder seu lado.

Apaixonar-se é um risco grande, é verdade, mas se pensarmos assim, nascer é um risco maior, pois termina em morte. A paixão não, a paixão é um atalho direto para o paraíso.

Perdoe, Deus, quem vai passar por esta vida sem ter perdido o fôlego depois de um beijo apaixonado, de quem desconhece a inaudita magnitude de entrelaçar as mãos, as almas, as ideias, a vida, a ponto de fundir-se e perder-se, sem a menor vontade de se achar.

Amar não é para qualquer um, há que se ter coragem. A coragem que os autossuficientes desconhecem, que é uma qualidade que só os “fracos” possuem.

Porque, se admitir que o amor é o melhor tempero, a melhor parte de se estar vivo é fraqueza, então, sou fraca. Sou fraca à beça, sou fraca como qualquer poeta, fraca como Vinícius ao declarar que: “Fundamental é mesmo o amor, é impossível ser feliz sozinho!”

Se amar é uma fraqueza, então que fraca eu permaneça. Amém!


Direitos autorais da imagem de capa licenciada para o site O Segredo: 123RF/boggy22.





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