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Se apega sim, por que não?

SE APEGA SIM FOTO DE CAPA E FOTO 01

Que história é essa de não se apegar?



Estamos vivendo de amores líquidos, tão destoantes quanto areia em ampulheta. Com tempo marcado. Data de validade. E pra completar, com uma lista de regras a seguir. Pode se aproximar, mas não tanto. Pode sair, mas todo dia é desespero. Pode elogiar, mas sem agradar demais para não demonstrar interesse. Ahh, que preguiça.

Não se trata de acorrentar a alma. Porém, encher o coração de cadeados só o faz sufocar. Deixe de lado essa história de que pra ser feliz é preciso ser distante. Existe uma grande diferença entre ser cauteloso e desapegado. É fato que um pouco de cuidado não faz mal a ninguém, mas desinteresse? Isso sim é de doer. Eu quero mais é me abastecer de tudo que o amor pode oferecer, sem me afogar; mas sem medo nenhum de me molhar. Que graça tem em viver de gotinhas, afinal? Olha o tamanho desse mar, chega tão longe que os olhos nem conseguem acompanhar. Que desperdício seria ficar apenas molhando os tornozelos.

SE APEGA SIM - FOTO DE CAPA E FOTO 01


Sem ter medo da duração. Que seja um ano ou um dia, mas que tanto os 365 dias e as 24 horas sejam bem vividas. Também não digo que se deve sair por aí procurando o-amor-da-vida-eterno. Contudo, é importante sair dessa redoma de vidro que estamos criando. A geração do “pega, mas não se apega”, contornada de recados prontos. Melhor seguir para o lado da esperança, sem receio em dar o melhor às tentativas. Permitir sentir e se dar a chance de errar, e vez ou outra, acertar; quem sabe.

Que história de praticar o desapego é essa, aliás? O dito popular é sobre quem tira mais fotos sorrindo com garrafa na mão, quem se diverte mais com o sofrimento do ex. Também é sobre quem superou primeiro ou melhor, quem se importa menos. Agora me pergunto: qual o prêmio? O que se ganha com toda essa competição? Amor próprio, me dizem. E nisso sou obrigada a discordar. O amor próprio não é resultado da ausência de qualquer outro. No fim das contas, esse desespero em mostrar o quanto nos amamos e não precisamos de mais ninguém só está fazendo a gente se tornar escravo da nossa própria vaidade.

Livre-se de amores mal resolvidos, experiências não vividas e momentos facilmente esquecidos. Se apega, sim. Se apega porque não há desculpa no mundo que justifique um coração que ama sem coragem. Se apega porque o ambiente para fumantes sufoca, mas não sentir sufoca muito mais.

Se apega, vai.


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