Então eu quero lhe dizer: se sentir que deve, apegue-se, sem freios! apegue-se, sim!

Uma pessoa que se apega é uma pessoa que vive uma história de deixar saudade, isso quer dizer que estar apegado é fazer das horas anos inteiros com quem está ao seu lado. 



O que mais tenho visto ultimamente é o discurso sobre não se apegar, que se apegar é ruim por isso e por aquilo, que não é para fazer isso, que não sei mais o quê. Um monte de coisas, um monte de regras definindo o que devemos sentir ou não.

Parece que hastear o discurso de “não se apegue” realmente fará com que as pessoas não se apeguem, com que eu não me apegue, você não se apegue. Realmente, esse discurso se transformará em voz para o coração, do tipo: “Está ouvindo? Não se atreva em se apegar, seu besta!”, quando, ironicamente, tudo o que mais queremos é nos apegar a alguém, desde que esse alguém se apegue a nós também, claro.

Há um refrão sertanejo que sugere: “ a fim de um romance, compre um livro!” Ora, ora, tudo o que queremos não é um romance? Se puder ser incrível igual aos filmes, melhor ainda, não?


Eu entendo que, quanto mais nos apegamos a alguém, mais difícil é esquecer esse alguém e mais intensa é a dor, no caso de uma decepção. Entendo, no entanto, que não há história numa relação em que você não se apegue. E eu vou defender isso sempre, pois a dor existe para ensinar e não para ser ignorada.

Do começo, não dá para enxergar o fim. É impossível saber se o seu novo “apego” vai se tornar um pesadelo olhando só para o começo.

Apegar-se a alguém é mastigar cada pedaço dessa delícia que é o desconhecido.

Apegar-se a alguém é querer agradar com algum pequeno gesto no meio da rotina, mesmo que esse gesto pare somente na vontade, por exemplo, passar por uma bomboniere e querer comprar um doce de que aquele alguém gosta, mesmo sem ver esse alguém nas próximas horas.


O importante é saber diferenciar apego de dependência. É que o jogo de palavras nos envolve e nos faz acreditar no que até mesmo nunca concordamos. Se eu lhe falar para não se apegar, haverá um efeito, agora, se eu lhe falar para não depender de alguém, provavelmente haverá outro.

Nos dois casos, quem sou eu para falar para você fazer ou deixar de fazer algo? Você não deve se sentir culpado por se sentir apegado a alguém. Você é quem quer cuidar, que se lembra desse alguém durante o dia, que lhe manda mensagens com tom de carinho, que faz planos com ele, que escolhe somente essa pessoa para contar muitos dos seus problemas. Mas, mesmo que não faça tudo isso, é alguém a quem você se apega do seu próprio jeito.

Esse apego é o que o faz viver, porém, todo este apego vai arder, quando o machucado estiver aberto demais. Você vai querer tudo de volta, vai se perguntar do porquê e vai se revoltar com o que sente. Só que isso tudo faz parte do que somos. Não é justo, por causa disso, definir que se apegar é sofrer. Nem vida nem os sentimentos são lineares.

Desde que entenda que apego não é dependência, você tem o direito de aproveitar o prazer do apego.

Uma pessoa que se apega é uma pessoa que vive uma história de deixar saudade, isso quer dizer que estar apegado é fazer das horas anos inteiros com quem está ao seu lado.

É preocupar-se mais em aproveitar do que em se medir, calcular, julgar se está indo rápido demais. O apego gera o afeto. Ou vice-versa.

Então eu quero lhe dizer: se sentir que deve, apegue-se, sem freios, mergulhe nas risadas que dá até altas horas pelas conversas ao celular, congele-se com o frio que a barriga faz quando é dia de encontro. Não receie em ser real.

Não tenha medo de mostrar que gosta, não meça seus carinhos. Seja você esse poço todo de sentimento do qual talvez se envergonhe de ser. Seja você esse mar inteiro de boas intenções no qual se limita em demonstrar. Não se preocupe em se arrepender, preocupe-se em aproveitar enquanto viver. Já são tantas as regras desse mundo, então não deixe que lhe digam o que deve sentir e como deve se sentir.

Agora, sobre as vantagens em estar apegado, se você tem um coração, você sabe quais são.

 

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