Se não somos gratos pelo que já é nosso, não merecemos conseguir nada mais, porque nada vai bastar, nunca!

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Desate seus nós, antes que fique só! – É preciso que lembremos da importância de desatar os nós, de nos sentir bem e confortáveis em nossos corpos. Desatar nós da garganta, dos sapatos e da gravata (já dizia Gil).

Isto significa dizer que precisamos sentir empatia e ter intimidade com nossos semelhantes, soltar as coisas e agarrar pessoas. Plantar amor e colher amor. Andar descalço na casa do amigo que nos recebe sentindo que é nosso lar, caminhar confortável e desapertado. Sem nós.



Sem correrias. Sem busca frenética pelo que não se tem, mas contemplando as conquistas, e digo a vocês: as melhores coisas que temos hoje, o dinheiro não compra – amigos, mãe, irmãos, avós, filhos…

Vamos desacelerar e olhar de cima do muro o quanto de bondade, Deus, universo, astros, (seja qual for sua crença) tudo lhe foi dado e se você tem, todas essas bênçãos, é porque é merecedor. Todos merecemos ser felizes. Insisto! Todos!

Abra seu olho para o que realmente importa!

Se você vive todo dia buscando algo que ainda não tem, vai perder toda a graça de ter aproveitado o que tinha.


E isto é um erro. Não digo para que vivamos estagnados sem buscar melhorar, evoluir.

Digo que se não somos gratos pelo que já é nosso, então não merecemos conseguir nada mais, porque nada vai bastar, nunca.

Nós perdemos a capacidade de viver nossas vidas felizes com o que já temos e perdemos saúde, tempo, juízo e pessoas, nos auto flagelando na corrida desenfreada e não saciante na maratona da busca pelo que pensamos querer.


Deixamos nossos filhos sob cuidados de outros para lhes dar a melhor escola, os melhores presentes e os melhores smartphones; e dali a pouco tornamo-nos desconhecidos sob o mesmo teto. É preciso que participemos. É preciso mãos na massa, com afinco e vontade, para que o pão infle.

Nunca se viu uma sociedade de crianças e jovens tão tristes e isoladas quanto esta. São verdadeiros robôs, com tablets a postos e pés longe da terra; dedos afiados na tela do smartphone, mas atrofiados para segurar canetas; cabeças doentes, viciadas e diminuídas pelos males do novo mundo.

Algo errado está havendo!  Perdemos o encanto pelo simples, pelo básico, por aquilo que realmente importa. O pé na areia, a ciranda de roda, o banho de chuva.

Produzimos e reproduzimos a pequeneza dos ideais capitalistas em que tudo se compra e nada de conserta.

Penso que, antigamente, comprar um vestido não era algo tão fútil, banal e corriqueiro como é hoje. Nos tempos de nossos avós, aqueles tempos em que se encomendava a seda, esperava chegar, escolhia o modelo, buscava a melhor modista, só então, após alguns meses de expectativa, o lindo e aguardado vestido, estaria em suas mãos; imagino o sentimento, aquilo não era algo para usar uma vez, postar foto no Facebook e adeus! Nunca mais! Era seu vestido de festa, por meses ou até anos, era sua “roupa boa”, que o(a) acompanharia nas melhores comemorações, eventos ou até funerais. Eles sabiam valorizar o que lhes pertencia.

É triste, mas é verdade. As gerações anteriores em muito, ultrapassaram a nossa.

Pacientes, sabiam por seu tempo esperar, entendiam que há tempo para tudo e o mais importante: sabiam apreciar o que conseguiam, após muitos sacrifícios. Trabalhavam duro sim. Mas sabiam agradecer por cada pedaço de pano que entrava dentro de casa.

Esse resgate de valores precisa ser feito urgentemente. Mais que isso, esse sentimento profundo de gratidão pelo que se tem é a única coisa capaz de devolver a alegria ao mundo que vivemos.

No fim das contas, o que importa é nós importarmos com os outros e termos sido importantes para alguém.

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Direitos autorais da imagem de capa: kegfire / 123RF Imagens

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