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Se o amor fosse uma fruta, ele seria uma mexerica…

Se o paraíso existe mesmo, ele há de ser um lindo, vasto e generoso pomar de mexericas! Acreditar em Deus é pouco. A minha fé vai mais adiante. Eu tenho certeza de que Ele existe e que a Sua fruta favorita é a mexerica!

Rubem Alves, um dos meus super-heróis, achava que o caqui devia ser a fruta do paraíso em vez da maçã. Teceu uma tese linda sobre o tema. Mas eu discordo: para mim, a fruta que desencaminhou Adão e Eva foi uma enorme e saborosa mexerica!



Adão arrancou a mexerica do pé num ímpeto, aproximou-a das narinas, respirou fundo e sentiu as pernas bambearem. Seduzido e absorto, partiu a fruta em duas metades e o ruído da casca se rompendo foi tão alto que um bando de passarinhos estourou voando das árvores ao redor.

Eva estendeu as mãos e recebeu sua metade da fruta com água na boca e os olhos cheios de lágrimas. Os dois ficaram ali, sentados na grama, dividindo a primeira mexerica, assistindo ao início do mundo. O sol se punha no paraíso pela última vez e o vento da mudança balançava as folhas da mexeriqueira inaugural. O resto é história.

Não há fruta mais amorosa, transparente e honesta que a mexerica. Pesquisei por aí e descobri que a expressão “mexericar”, no sentido de fazer fofoca, vem daí: quem descasca e chupa uma mexerica fica impregnado de seu perfume, leva seu cheiro forte consigo como os amantes depois do amor, entrega a quem estiver perto o que andou fazendo por aí.

Em alguns lugares, a mexerica é conhecida como bergamota ou vergamota. Estudiosos dizem que esse nome vem do turco “beg armüdi”, ou “pera do príncipe”. Não é bonito isso?

É muito bonito! Mas bem verdade é que a mexerica é do povo, com todo o luxo e a graça que o povo merece! Com seus nove a doze gomos, nasceu para ser dividida, compartilhada, consumida e amada por todos! O rei e o plebeu, a mulher e o homem, a criança e o velho, o preto e o branco, o vermelho e o amarelo, o pobre e o rico, o da esquerda e o da direita.


No fim das contas, minha gente, restaremos todos irmanados e anônimos como os grãos de areia da praia. Juntos e imperfeitos como os gomos de uma mexerica. Uma linda e gostosa mexerica!

A mim faz bem pensar em Deus assim. O ser supremo e inspirado que inventou a mexerica num suspiro de amor infinito. Faço fé que a esta hora Ele passeia tranquilo nos corredores de seu pomar no céu, os dedões divinos rompendo a casca amarelo-esverdeada de uma poncã imensa e doce, enquanto pensa em novos jeitos para a coisa aqui embaixo. Quando Ele leva à boca o primeiro gomo saboroso e explosivo, um milhão de bebês rebentam na Terra, ensopados de eternidade.


E a vida resiste. A vida resiste teimosa e insistente como o gosto e o perfume da mexerica!


Direitos autorais da imagem de capa licenciada para o site O Segredo: manuta / 123RF Imagens

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