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Se queres me ver e que eu te veja de verdade, primeiro tiremos nossas máscaras.

Cada vez que nos escondemos, que fingimos ser o que não somos ou encenamos personagens que contrariam nossa essência, atraímos outros mascarados que não nos veem e que não se deixam ver por completo.

Em meio a tanto fingimento, falsidade e hipocrisia, torna-se difícil que as pessoas vejam umas às outras, despidas, sem meias-verdades, por inteiro.



Raramente nos expomos por completo a alguém. É preciso intimidade para que revelemos boa parte do que somos e, mesmo assim, algumas partículas do todo que nos forma, ocultamos. É inevitável que em algum momento de nossas vidas, mascaremos sentimentos. Seja por temermos o julgamento alheio, ou ainda, por nos preservarmos, encobrimos a nossa essência do que não nos merece por inteiro.

A máscara com a qual nos revestimos, como explica Lucas Ismael de Paula, não se trata de falsidade ou desonestidade, muitas vezes é “apenas uma armadura que encobre os medos e fraquezas de uma alma”. E essa confusão é alimentada, diariamente, pela superficialidade do mundo e daqueles que nos rodeiam, armados até os dentes com tudo o que for preciso para ferir o seu semelhante.

Porém, cada vez que nos escondemos, que fingimos ser o que não somos ou encenamos personagens que contrariam nossa essência, atraímos outros mascarados que não nos veem e que não se deixam ver por completo.


Gilbert Brenson Lazan explica essa necessidade de encobrir virtudes e defeitos, temendo a inveja ou o apontamento de possíveis falhas. “Faço-o para evitar que os outros vejam minhas debilidades e logo descubro que, ao não verem minha humanidade, os outros não podem me querer pelo que sou, senão pela máscara. Faço-o para preservar minhas amizades e logo descubro que, quando perco um amigo, por ter sido autêntico, realmente não era meu amigo, e, sim, da máscara. Faço-o para evitar ofender alguém e ser diplomático e logo descubro que aquilo que mais ofende às pessoas, das quais quero ser mais íntimo, é a máscara. Faço-o convencido de que é o melhor que posso fazer para ser amado e logo descubro o triste paradoxo: o que mais desejo obter com minhas máscaras é, precisamente, o que não consigo com elas”.

E, quando chegamos neste ponto, percebemos que vivemos num contexto de pura mentira e vamos, dia após dia, nos sufocando com as verdades entaladas em nossas gargantas, que clamam por gritar. É quando paramos de ir onde não nos sentimos bem, quando excluímos do nosso ciclo de convívio pessoas as quais não gostamos, quando decidimos por um basta nos relacionamentos afetivos e profissionais que nos escravizam. É quando cansamos e jogamos a máscara no chão, para bem longe. E o que nos resta é mostrar o que escondemos há mais tempo que suportamos, que julgávamos ser possível.

Mas quando isso ocorre, o que acontece? Como ficamos? Livres, em paz, desnudos, desprendidos, desamarrados, autônomos. Segundo Clarissa Corrêa, sobra-nos sem as máscaras o que realmente somos: “sem arma, sem retoque, sem nada”.

E como sabemos quando chegou o momento certo de nos revelarmos, de deixarmos que o nosso verdadeiro eu assuma as rédeas de nossas vidas? Simples, quando nos sentimos pesados, atados, esgotados. E aí, só nos resta uma opção: termos coragem de tirar nossas máscaras. Neste momento, e só assim, nos abrimos de verdade para que o outro, aquele que queremos perto de nós, faça o mesmo.


Patrícia Gebrim resume tal libertação: “Só podemos sentir a brisa da vida com o rosto descoberto”.

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Direitos autorais da imagem: nuvolanevicata / 123RF Imagens

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