Se quiser agende um horário!

Uma amiga relata em sua timeline do Facebook o triste episódio de ter ligado para confirmar o contrato de prestação de seu serviço para uma cliente e recebe como resposta um NÂO acompanhado da seguinte justificativa:



-Não vou fechar o contrato com você porque não gosto de ser pressionada.

Comentei sua postagem e li tantas outras reclamações de outros comerciantes e prestadores de serviços submetidos a esse tipo de diálogo desagradável. Todos os relatos eram de indignação e de descrição da vivência de situações parecidas.

Lembrei-me de um amigo que disse ter ouvido algo parecido quando cobrou as mensalidades atrasadas de seu aluno particular de música. Era do tipo: “vou pagar, mas vou interromper as aulas porque fui cobrado”. Houve também a história de uma amiga que vende produtos femininos que, ao cobrar pela parcela atrasada a ser paga pelo produto, recebeu da cliente  uma mensagem alegando estar ofendida e dizendo que nunca mais voltaria a comprar nada dela por estar sentindo-se ofendida.


SE QUISER AGENDE UM HORARIO - FOTO 01

“Se me cobrar não compro mais”. Sabem qual o nome disso? Chantagem.

Peço licença a vocês para usar neste momento uma linguagem coloquial. Um monossílabo seguido de um ponto de interrogação:


Oi?

Expliquem-me se puderem de onde vem toda esta inversão de papéis, de valores; esta falta de educação e de respeito que toma conta do comportamento de algumas pessoas fazendo com que se vitimizem diante do outro a quem devem dinheiro, resposta ou ao menos uma satisfação?

A deselegância e falta de assertividade são visíveis nos que imaginam ter o direito de mudar o roteiro de uma história a seu favor simplesmente por não ter condição nem repertório para assumir que descumpriu o combinado, desculpar-se e dizer não; seja porque não pode (no caso das dívidas) ou porque não quer (no caso de ter feito uma pré reserva de contrato que decidiu não mais assinar).

A reflexão que tomou conta de mim esta semana acabou indo além quando fui abordada em meu comentário feito na referida postagem da minha amiga – afirmando que escreveria sobre isso – por uma moça desconhecida, que me pediu para que eu “aproveitasse” e escrevesse sobre algo que ela chamou de “abusividade”. Desconheço a palavra, mas como ela se referiu a mim citando meu nome, decidi responder dizendo que meu “dicionário interno” jamais havia lido ou ouvido aquela palavra e que eu não poderia escrever sobre o que desconheço. Porém pedi que escrevesse do que se tratava a tal “abusividade” que  ela afirmava estar sendo vítima – junto de todas as moças prestes a se casar.

A resposta dela ilustrou bem o meu ponto de reflexão desta semana. Levando-me novamente ao monossílabo seguido de interrogação ela espantosamente me disse que eu poderia marcar um horário com ela se quisesse saber do que se tratava e que ela teria muita coisa a me contar. Oi?

Eu não queria saber de absolutamente nada e fui abordada por uma total desconhecida em uma rede social, que se dirigiu a mim dizendo para escrever sobre algo que eu desconhecia. Ao dar-lhe um pouco de atenção, eu fui, assim como meus amigos citados acima, submetida à total inversão de fatos.

SE QUISER AGENDE UM HORARIO - FOTO DE CAPA E FOTO 02

Ao se reportar a alguém em uma rede social, ao descumprir um contrato de pagamento, ou ainda ao ser questionado se irá ou não confirmar uma reserva feita em uma agenda de qualquer profissional o bonito e o elegante é ser educado, assertivo e respeitoso, mesmo se a resposta seja não.

Peço imensas desculpas ao meu tom neste último parágrafo, mas algumas pessoas perderam o senso de quem são, ou na verdade não são. Imaginam-se ser o centro do universo, imaginam-se “a realiza” e acreditam que podem se reportar ao outro com respostas do tipo “não gosto de ser pressionado” ou “se quiser saber marque um horário comigo para que eu lhe conte” sendo que este outro é, na maioria das vezes, desconhecido ou pouco íntimo.

A geração Y parece estar perdida em seu papel social. E se me permitem um último desabafo: quem não quer ser pressionado está com sérios problemas adaptativos a um mundo no qual a pressão é presente para onde quer que se olhe. E sobre ter que agendar um horário com uma moça que não conheço e que me abordou “mandando-me” escrever sobre algo deixo a conclusão para vocês.

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Texto escrito com exclusividade para o site O Segredo. É proibida a divulgação deste material em páginas comerciais, seja em forma de texto, vídeo ou imagem, mesmo com os devidos créditos.




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