Reflexão

Se você mimar seus filhos, terá de criar seus netos!

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Se você criar seus filhos, poderá mimar seus netos, mas se mimar os filhos, infelizmente terá de ajudar na criação dos próprios netos.

As dificuldades de criar os filhos existem e são capazes de modificar completamente nossa realidade. Quantas vezes não nos pegamos pensando se aquilo que fazemos fará bem aos filhos, se vai acrescentar algo positivo a eles ou gerar traumas. Muitas pessoas aparecem querendo oferecer opiniões e “pitacos” que, na maioria das vezes, nem sequer são solicitados.

A verdade é que cada um deve viver de acordo com a própria realidade, mas sempre se lembrando de que também é preciso criar os indivíduos para que saibam viver em sociedade. Saber exercer direitos e deveres de um cidadão e ter empatia, comprometimento e bom senso são algumas das principais características das quais devemos correr atrás quando estamos educando nossos filhos.

Sabemos, agora com mais propriedade, que a violência e a negligência parental já não devem mais ser inseridas no tecido familiar, porque além de causar sérios danos às crianças e aos adolescentes, apenas prejudicam esses indivíduos na sua fase adulta. Ainda assim, todos estão em busca de uma criação que lhes imprima certa firmeza, com muito diálogo, comunicação, acolhimento e amor, mas a maioria se pergunta se isso é realmente possível.

Muitos profissionais da área defendem que sim, é possível atingir um patamar de educação infantil que beneficie o adulto, a criança e a comunidade tanto no presente quanto no futuro. Isso não significa que todos vão aceitar sua criação, principalmente os mais conservadores, que ainda defendem a todo custo o castigo e a punição física como instrumentos de educação.

É preciso lembrar que já existem estudos que comprovam não apenas a ineficácia dos métodos, mas os prejuízos que podem ter na vida dessas crianças. Mesmo assim, o medo de ser “permissivo demais”, “cuidadoso demais” e “protetor demais” sempre aparece, não é mesmo? E nessas horas quase ficamos loucos com a quantidade de pessoas que oferecem suas múltiplas opiniões.

Muitos dizem: se você criar seus filhos, poderá mimar seus netos, mas se você mimar seus filhos, terá de ajudar na criação dos próprios netos. Sabemos que essa frase pode nos impactar, principalmente quando observamos a quantidade de avós que cuidam dos netos diariamente, como se tivessem tal obrigação.
Bom, é preciso separar o “joio do trigo” nessa quantidade de informações, e precisamos ir por partes, principalmente quando percebemos que a vida nunca é tão simples a ponto de ser traduzida em uma frase. A primeira coisa que precisamos observar é o contexto dessa família, sem nunca nos esquecer de que o abandono paterno é sistêmico e acaba sendo uma das principais causas para que avós cuidem dos netos e os eduquem.

Como uma mãe solo vai garantir o sustento da família, se ela não tem com quem dividir as funções? O trabalho do cuidado sempre fica sob responsabilidade feminina, o que nos mostra mais um problema sério na sociedade: admite-se que os homens não tenham responsabilidades com as crianças, os idosos, as pessoas com deficiência ou quaisquer outras, porque a mulher é colocada nesse papel.

Mas além do trabalho do cuidado, ela ainda precisa fazer isso de forma gratuita, “por amor”, porque esse sentimento de cuidado está “em seus genes”. Vamos permitindo que o problema não encontre nenhuma solução geracional e se perpetue. Saiba que é sim possível criar um filho com amor, apego e tranquilidade, e mesmo assim ele ser responsável pelos próprios atos.

Devemos lançar um olhar mais cuidadoso sobre os meninos e em como eles estão sendo educados, assim grande parte dessa terceirização da criação infantil para os avós não vai acontecer. A responsabilidade precisa ser passada para eles desde a infância, e devemos usar os agentes sociais a nosso favor, assim como qualquer outra questão que possa ser identificada como negativa.

Transmita ao seu filho tudo o que você sabe sobre responsabilidade, deixe-o ver agindo como pessoa comprometida com a família, o trabalho, os amigos, entre outros âmbitos. Ensine a ele o valor do amor, da lealdade e da empatia, e veja-o se transformar em um adulto capaz de assumir toda e qualquer consequência dos seus atos, além de buscar sempre novos caminhos para ser feliz.

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