Se você não quer perder, valorize, agradeça!

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Se você não quer perder, tenha gratidão!

Se alguém tivesse que substituir a palavra “viver”, nos dias atuais, uma boa opção seria “facilitar”. Nós queremos tudo mais fácil, mais prático e mais rápido, se possível, mais barato.



Conforme a tecnologia avança, as coisas vão ganhando preço e perdendo valor.

A duração da satisfação acompanha a velocidade dos lançamentos, quanto mais rápido, menos ela dura. Se um smartphone é lançado hoje, você estará satisfeito enquanto não for lançado um modelo mais recente; se o lançamento levar um ano, um ano de satisfação, ou até mais gente ter um aparelho melhor do que o seu. Aqui tem uma coisa de ego, de ser o melhor, estar em primeiro, o único. Uma contradição fenomenal encerra o raciocínio: embora tudo esteja aí para facilitar a vida, o tempo é cada vez mais curto. Já parou pra pensar?  Um trajeto que antes era feito em duas horas, se faz em alguns minutos (metrô), e ainda assim, estamos atrasados e sem tempo.

Esta “descartalização” – tudo se tornando descartável – está alimentando um monstro chamado Desvalorização. Quanto mais forte o monstro fica, mais necessidade de facilitadores você tem.


E a moeda de troca é a gratidão, sob a promessa de que o monstro te dará mais, você a coloca na tigela para ele comer.

Em geral, o acesso à água é muito fácil, assim como à energia elétrica, comida, roupas e tantas outras coisas, então, não somos tão gratos por elas.  Mas. Alguém precisou plantar, regar, esperar, colher, ensacar, comercializar, transportar, estocar, cozinhar e expor para que o pão estivesse à mesa.

Tudo é uma troca. Porque você compra pão, muitas pessoas podem trabalhar; porque muitas pessoas trabalham, você pode comprar pão. O dinheiro simboliza o tempo, você troca o tempo que você usou pelo tempo que alguém usou por algo; é o preço. A benção, o abençoar o alimento (que será comido) é uma troca de “energia”, reações bioquímicas vão acontecer e você vai saciar a fome, manter a saúde, relaxar, combater infecções, etc., depende do alimento; é a união.

Agradecer por este alimento é valorizar; é o valor, respeito.

Abraão nos deu mais esta lição, assim como Abel, quando ofereceu um sacrifício, ofereceu o seu melhor, não porque queria algo em troca – Abrão tinha a opção de servir outros deuses “mais baratos” –, não porque era uma obrigação, mas porque era o seu melhor. Abraão valorizava tanto o que ele tinha, que ele quis manifestar-se com o melhor.


Se você entendeu a “descartalização” (a gratidão como moeda), você sabe o quão triste isto é. A gratidão perde valor e essência. As pessoas não são gratas porque são gratas, elas “são” (entre muitas aspas) gratas porque querem algo em troca. Tenho certeza de que você já ouviu falar em “quanto mais grato você é, mais daquilo você recebe”.  Esta frase ganhou uma interpretação tão comercial que transformou uma das coisas mais valiosas da vida em uma propina barata para receber mais.

Tudo o que essas pessoas têm ou já tiveram não importa, elas estão obcecadas com o que podem receber com esta “gratidão”, estão acostumadas com o monstro e seu processo. Mas com o Universo – chame-o de Deus, se preferir – não é assim. Você não pode comprar coisas com gratidão, porque você não pode oferecer propina a alguém que não precisa de migalhas. É impossível subornar alguém que não precisa de nada.

O pensamento “Deus, eu sou grato pelo meu carro velho” porque “eu quero um carro novo” é uma encenação muito mal feita, é uma tentativa ridícula de tentar enganar a Deus. É muito feio.

“Deus, eu sou grato pelo meu carro” porque “ainda que ele seja velho, ele me transportou/transporta para todos os lados quando precisei, ele me ajudou a carregar coisas pesadas, ele encurtou o tempo que eu levaria se fosse a pé, ele me protegeu do frio…”. Isto é dar valor ao que você tem. Isto é gratidão.

Ingratidão, por outro lado, é uma coisa horrível. Já teve o desgosto de se deparar com gente ingrata, gente que não dá valor a você, seu trabalho, seus sacrifícios, seu eu? Horrível! Não seja assim.

Eu estou falando de algo material, mas pode ser coisas intangíveis. A vida se oferece para nós em várias formas, e com estas formas podemos aprender, crescer, se deleitar… A vida vem de graça, como um presente, ser grato a ela, a todos estes momentos, mesmo os difíceis, é valorizar a chance única que você está tendo num universo tão vasto e tão misterioso; não porque você quer viver outra vida, mas porque você é realmente grato por esta.

Não foi preciso se sacrificar e nem fazer algo para ser merecedor dela. Talvez nossos antepassados sim, mas a vida nos foi dada, aceitá-la e valorizá-la (ser grato por ela em sua totalidade) é o mínimo que podemos fazer. Quando somos gratos verdadeiramente nós estamos valorizando as dores da nossa mãe, o suor de nossos pais e o sangue dos antepassados. “Honra pai e mãe.”.

Gratidão não é só um indicador de pessoa espiritualizada, mas sinal de paz e felicidade. Se alguém está dirigindo este ônibus para que eu possa me deslocar de ‘A’ para ‘B’, ele está me ajudando, eu sou importante, eu sou amado, eu sou alguém. Ser grato transforma problema em oportunidade e drama em aprendizado.

Olhe para o lado, faça uma lista mental de quantas coisas fariam muita falta se amanhã tivessem sumido. Casa, cobertor, água encanada, energia elétrica, saúde, visão, audição, roupa, celular,WhatsApp, amigo, motorista, operador de caixa…

Se você não quer perder, valorize, agradeça!

A vida está facilitada, mas não perdeu o seu valor.

Gratidão.

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