Seis lições que o avatar indiano krishna ensina para melhorar o seu dia a dia:

As lições do avatar indiano Krishna para melhorar o seu dia a dia

Conheça seis conceitos retirados do livro mais famoso da Índia antiga para o universo corporativo e a visão holística do yoga voltada para o desenvolvimento profissional e que podem renovar a forma como você vai traçar seus objetivos na carreira, sem abrir mão da realização – ou melhor, da sua autorrealização.



A filosofia do yoga nos ensina que nosso sucesso e felicidade não estão ligados a fatores externos, mas decorrem de fatores fundamentais, como cumprir nosso dever, mantendo o foco no momento e com um espírito de oferenda.

Esta milenar tradição prioriza o enfoque interno, oferecendo-nos valiosas ferramentas que auxiliam a lidar melhor com os problemas da vida, a maximizar nosso potencial e obter clareza mental e paz.

A visão geral é que se não estivermos bem por dentro, cultivando a atitude correta e os meios apropriados para lidar com os desafios da vida, não será possível atuarmos bem.


Em termos simples, quem não estiver bem alinhado internamente dificilmente será um bom profissional.

Ao contrário do que muitos pensam, o foco do yoga situa-se na vida prática, nas nossas ações do dia a dia. Basta dizer que o livro mais famoso do yoga, o Bhagavad-gita, foi falado por Krishna a Arjuna – esse um comandante geral de um exército – em campo de batalha, momentos antes da mais terrível guerra da época, registrada há mais de cinco mil e cem anos no Gita.

Arjuna estava vivendo uma profunda crise existencial, ficando tão internamente desestabilizado a ponto de querer desistir da luta. Praticamente dizendo, Arjuna ficou em dúvida sobre sua real vocação profissional. Extremamente perturbado, ele estava pronto a aceitar a derrota total no momento mais crítico de sua carreira de guerreiro. Mas ao ouvir os ensinamentos de Krishna, sobre como conduzir seus atos de acordo com os preceitos do yoga, ele conseguiu dissipar sua confusão. Krishna entra na história criando uma relação de coach, e coachee para com Arjuna, levantando uma simbologia muito significativa nesse sentido, até mesmo sendo o condutor da quadriga que leva Arjuna para a batalha, colocando-a entre os dois exércitos no campo de batalha – que o local onde Arjuna deveria estar para honrar sua vocação. E Arjuna ao conseguir vencer o estado mental de dúvida e incerteza também consegue maximizar seu potencial de líder e guerreiro, vencendo uma batalha que durou 18 dias. De certa forma, hoje, vencer a vida no escritório e nos desenvolver no emprego que temos são a batalha que travamos nos nossos dias.

18 DAYS – The Mahabharatha Retold – The Tale of 4 Ages

E, por vezes, necessitamos de uma orientação para chegar onde queremos na vida e na empresa.


Vejamos, resumidamente, os elementos básicos que favoreceram Arjuna a conduzir sua carreira a vencer sua batalha Kurukshetra, na Índia, e que podem ser inspiradoras para o desenvolvimento da sua carreira:

Cumprimento do dever

A base da prática do yoga é viver nosso dharma – uma palavra em sânscrito que significa “viver uma vida centrada em cumprir nosso dever”. Mas qual é este dever? No contexto do trabalho, podemos entender esse dever como a nossa vocação. Basicamente, existem seis categorias de deveres. Cumprindo-os, você estará otimizando seu potencial produtivo e contribuindo para uma vida plena e feliz!

1. Deveres psicofísicos 

O primeiro e mais fundamental dos deveres humanos é respeitar sua própria natureza psicofísica. Para isso, a primeira pergunta a fazer é: “estou mesmo conduzindo minha vida de acordo com minhas inclinações naturais?”. Infelizmente, há pessoas que escolhem suas carreiras e estilos de vida baseadas apenas em termos frios, tais como renda, poder e status. Mas, quem age assim, sem respeitar sua natureza, certamente sofrerá dia após dia ao se ver forçado a permanecer numa posição antinatural.

Os principais problemas decorrentes deste tipo de escolha são:

  1. É muito difícil ser verdadeiramente eficaz ou motivado fazendo um trabalho fora de sua aptidão natural, e:
  2. O dinheiro, prestígio, status e posses resultantes jamais compensarão o vazio e infelicidade interna;

Em termos grosseiros, é como tentar usar uma Ferrari numa trilha de terra, ou um jipe de trilha numa pista de corrida. Ambas são máquinas maravilhosas, mas pouco eficazes, se usadas inadequadamente. Portanto, é fundamental encontrarmos nosso dom e trabalharmos com e a partir dele. Em suma, atue em uma carreira ou negócio que lhe permita exercitar sua dádiva, sua natureza, aquilo que define quem você é de fato.


2. Deveres naturais

O segundo dever é encontrar o equilíbrio saudável das necessidades de comer, dormir, trabalhar e ter diversão. Hoje em dia, o desequilíbrio destas funções tem se tornado epidêmico. Por exemplo, há muitos estudos indicando que as pessoas estão dormindo menos que necessitam, sendo já fato médico estabelecido que a falta de sono acarreta terríveis consequências para a saúde, como também traz nítidas consequências negativas à produtividade, criatividade e habilidades em geral. Várias empresas oferecem espaços para sonecas a seus funcionários, objetivando ajudar nessa questão.

Nesta categoria entra também o simples dever de cuidar bem do corpo, com exercícios regulares e comida saudável. Até mesmo penitenciárias nos EUA experimentaram oferecer 100% comida vegana e obtiveram resultados comportamentais marcantes de maior bem-estar e melhor comportamento. Escolas também estão experimentando iniciativas nesse sentido e comprovando que os alunos se comportam melhor e tiram notas maiores

Para as empresas, oferecer aos funcionários refeições saudáveis veganas, espaços para descontração e meditação, aulas de yoga, etc. costumam trazer efeitos marcantes de aumento de bem-estar, produtividade, moral e lealdade.


3. Deveres ocupacionais 

O terceiro dever é fazer bem nosso trabalho – não para agradar o gerente ou acionista, nem para ganhar mais dinheiro – mas pela satisfação de entregar algo bem feito. Afinal, se não fizermos bem aquilo que ocupa a maior parte de nosso dia, como ficará nossa autoestima e nossa consciência? Agora, se tivermos escolhido mal nossa carreira (vide item 1 desta lista)  aí o trabalho será sempre uma tortura. Podemos até conseguir fazer bem feito, mas ainda assim ficaremos insatisfeitos internamente. A maioria esmagadora das pessoas bem-sucedidas, invariavelmente, ama aquilo que faz, e seu empenho natural as conduz invariavelmente ao sucesso. E os exemplos vêm de diferentes áreas: campeões mundiais em qualquer esporte, grandes empreendedores, artistas… não há exceção.  E quem age assim, sente-se muito bem, pois sabe que está feliz fazendo seu melhor.


4. Deveres pessoais

O quarto dever é cuidar de nossos relacionamentos pessoais. Não podemos ser felizes trabalhando o dia inteiro, negligenciando nosso papel na família, em especial o de pai ou mãe. Já é sabido que este desequilíbrio entre família e trabalho é um dos grandes dramas dos executivos e empresários. A filosofia do yoga aconselha a todos a jamais se descuidarem desse equilíbrio, não sacrificando o tão importante cultivo dos laços amorosos em nome de conquistas mundanas. Nenhuma vantagem na carreira ou nos negócios compensará perder as relações familiares ou a oportunidade única e irrecuperável de estar perto dos filhos em crescimento. Administrações modernas e inteligentes oferecem apoio neste sentido, por exemplo, oferecendo creche e espaço para bichos de estimação no ambiente de trabalho, bem como oportunidades de flexibilização de horários e home office.

A canção divina de Deus

Bhagavad-Gita: Como as aflições de um guerreiro relutante a adentrar o campo de batalha, em um livro de quase 5 mil e 200 anos, podem lhe conferir força e táticas para aprimorar seus relacionamentos profissionais e metas na carreira.


5. Deveres civis 

O quinto dever implica em pensar além das fronteiras pessoais ou mesmo empresariais. Significa pensar na sociedade como um todo. Refletir em como nossas ações estão impactando nossos clientes, colegas, funcionários e a sociedade em geral. Aqui entram considerações acerca da natureza do nosso trabalho: estou de fato fazendo algo que está melhorando o mundo? Minhas ações estão causando algum tipo de dano psicológico, social ou ecológico? A não ser que você seja um psicopata, agir causando sofrimento alheio trará muito sofrimento interno, consciente ou inconscientemente.

Conceitos como compromisso social e sustentabilidade não devem apenas ser jogadas de marketing. Cada um deve ter esta consciência de fazer o bem para o todo. Se todos conseguirem entender como estão colaborando para um mundo melhor, isso certamente trará maior incentivo e entusiasmo para o trabalho.


6. Deveres universais e transcendentais

A sexta e última categoria de dever é valorizar seu verdadeiro eu, buscando seu crescimento como pessoa. Aqui entra a importância da meditação e cultivo da espiritualidade. Sempre respeitando as crenças individuais de cada colaborador, as empresas devem incentivar esta busca espiritual, pois isso deixará todos mais felizes, dispostos, centrados e focados. Alguns minutos de meditação com exercícios de respiração trazem resultados de maior serenidade, menos conflitos e maior disposição na equipe.

Um estudo conduzido pela Carnegie Mellon University em julho de 2014, nos EUA, mostra que 25 minutos de meditação todos os dias reduz o estresse. Outras tantas pesquisas indicam melhorias neurológicas, comportamentais e até bioquímicas em meditadores experientes.

Está aí o motivo que faltava para você levar a meditação para o escritório e aumentar a qualidade de vida dos seus funcionários e colegas. No yoga utilizamos a meditação mântrica, que é simples e profundamente eficaz, com inspiração pelo nariz e expiração ao leve entoar do mantra. O mantra mais utilizado é o mantra Hare Krishna, Hare Krishna, Krishna Krishna, Hare Hare / Hare Rama, Hare Rama, Rama Rama, Hare Hare. Ela pode ser feita andando, num momento de descanso ou no ônibus por exemplo. Apenas 20 minutos diários trazem grandes resultados de maior clareza mental, resiliência e foco, entre outros. E pode ser facilmente realizada nos seus intervalos no trabalho ou a caminho da empresa.

Qualidades da ação 

O yoga ainda nos sugere mais duas qualidades que nossas ações devem ter para atingirmos o mais elevado estado de bem-estar:

  1. Agir no momento;
  2. Cumprir o dever como uma oferenda.

Se realizarmos nossas ações ansiando pelos resultados, ficaremos invariavelmente cheios de estresse e ansiedade. Não é necessário nem útil preocupar-se com o resultado no momento da ação. O planejamento e construção de metas é por si só um ato, e deve ser feito por quem está com este dever, então, não é que focar na ação implica em não planejar ou em não buscar objetivos. Mas, por exemplo, um vendedor não deve estar se “(pre)ocupando” (ocupando-se previamente!) com o resultado de sua venda, ou se vai ou não conseguir cumprir sua meta, se vai conseguir uma promoção ou se vai perder o emprego. O vendedor diante do cliente deve ter toda sua atenção focada no ato da venda somente, em representar bem o produto e a empresa, em fazer bem feito seu trabalho. Assim, é certo que ele ou ela estará dando seu melhor naquele momento, estando totalmente presente, com energia mental para reconhecer e satisfazer as necessidades do cliente.

Mantendo o foco na ação e fazendo o que deve ser feito da melhor forma possível, você já fez seu melhor. Deixe o amanhã para amanhã.

E o último requisito é jamais fazer seu trabalho com fins mesquinhos. Pense grande, fazendo seu trabalho como uma oferenda. Seja para o bem da empresa como um todo, seus colegas e, por fim, toda a sociedade. No yoga, recomenda-se que toda ação, a cada instante, seja feita como oferenda a Deus. Caso não se sinta confortável em pensar assim, então faça como uma oferenda ao Universo, ou ao menos à humanidade ou ao planeta.

Não se trata de colocar os resultados em um altar, ou dar seu dinheiro para esta ou aquela Igreja, pois estamos falando de toda e qualquer ação. O conceito é de nos distanciarmos do egocentrismo ou de vivermos uma vida fútil preenchendo apenas nossas próprias necessidades. Agir com espírito de oferenda significa encarar as ações na vida como seu legado, como algo que está fazendo para um bem maior e atemporal. Isso alimenta o sentimento de estar realizando uma missão com sua vida, ou seja, da sua vida ter um propósito maior.

Vivendo nosso propósito em boa consciência poderemos maximizar nosso sucesso na vida e na carreira. Experimentando maior paz e felicidade.

Assista à palestra a seguir, para entender mais:

Sobre o Bhagavad-Gita. Como ele é:

Por A.C. Bhaktivedanta Swami Prabhupada

De maneira notável, o Bhagavad-gita, um dos mais conhecidos textos filosóficos do mundo, narra um evento dramático ocorrido num campo de batalha da Índia antiga. Momentos antes de entrar em combate, o guerreiro Arjuna começa a se perguntar sobre o verdadeiro sentido da vida. As questões levantadas por Arjuna neste texto intemporal têm surpreendente importância para nosso mundo moderno. A possibilidade de aplicação universal das ideias contidas no Bhagavad-gita tornam-no de fato um clássico da literatura universal. Durante milhares de anos, este famoso livro atrai a mente dos grandes intelectuais do Oriente e do Ocidente, como Thoreau, Emerson, Einstein, Gandhi, Huxley e outros. O comentário lúcido de Srila Prabhupada proporciona a todos os leitores acesso fácil a este clássico antigo e claro entendimento dele. A venda de mais de 14 milhões de exemplares em 50 línguas é prova da extrema popularidade e valor desta edição.

Por: Giridhari Das – colaboração: Harlley Alvez – Créditos: Grant Morrison / Graphic India / 18 days – The Mahabharatha Retold

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Direitos autorais da imagem de capa: miriamataneckova / 123RF Imagens

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