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Seja empático e veja o quanto o retorno é leve e gratificante

Aqueles que aqui chegam, precisam de ajuda e orientação para não se perderem de seus caminhos.

O mundo mudou e nem sabemos ao certo o quanto está melhor ou pior do que antes. Já passamos por tantas guerras, tantas mortes. Tantos já foram os que sofreram pela audácia daqueles que se diziam dignos de decidir o destino do outro, sem lhes dar a chance de tentar o que poderia ser melhor para suas vidas. É triste, é angustiante.


Falamos agora do Brasil, recebendo tantos estrangeiros em busca de uma nova vida e há tantos brasileiros contra suas chegadas.

Como podemos saber como se sentem aqueles que foram obrigados a sair da miséria do seu país pela falta de alimentação, seja pela baixa renda ou pela baixa opção de mantimentos em mercados? É assustador. Assustador entender que poucos são aqueles que conseguem se colocar em seus lugares e entender o quão difícil está sendo para muitos deles sofrer essa mudança.

Uma coisa é optar pela mudança e outra é ver a mudança como sua única opção e muitas vezes não estar preparado para ela.

Imaginemos como é difícil chegar em um país em que sua conduta é sendo julgada, sem ao menos conhecê-la, e mais do que isso, ser apontado como parte totalizadora de toda violência e pobreza de um país que já estava fadado de insegurança antes mesmo de chegada a nova população.


Assim é para os refugiados Venezuelanos que chegaram ao Brasil e ainda no ano de 2018 são vistos como o motivo de tamanha desordem em Roraima, sendo “praguejado” que outros Estados sofrerão o mesmo.

O Brasil já estava envolvido em inúmeros problemas políticos, antes mesmo da Venezuela ter sua crise aqui também refletida. O Brasil já recebia Haitianos, Congolenses, Coreanos, Japoneses e quantos somos os brasileiros que possuem sobrenomes de origem estrangeira, já que nosso país recebe há muito mais tempo outros países?

Somos miscigenação e não há como negar nossa mistura. Somos inúmeros e não somos de uma única raça que não seja “raça humana”.

O que devemos entender é que a crise política não é de exclusividade brasileira e nem por isso a população deve permanecer desunida. Que os políticos resolvam suas crises já que deveriam ser os “porta-vozes” da população e não são. Deveriam resolver nosso problema, deveriam ser o reflexo e a palavra nossa. Mas não é pela incompetência daqueles que tão mal nos representam, que toda essa gente deve sofrer. Faremos o que pudermos para ser a parte importante que eles não foram.


Aqueles que aqui chegam, precisam de ajuda e orientação para não se perderem de seus caminhos.

Devemos lembrar que a ajuda sempre virá, não importa de que lado, mas virá. Que seja pelo lado do bem, que seja para ajudar a seguirem caminhos saudáveis e produtivos, caso contrário, a violência será a resposta que terão e será na violência que buscarão o seu refúgio.

Vivemos em uma terra de extremos opostos e sempre terá alguém para estender a mão em busca de seu benefício. Devemos querer que o benefício seja para o crescimento e melhoria da nossa vida. Queremos uma vida mais segura e mais justa e não adianta ficarmos de braços cruzados enquanto a maioria prefere julgar e propagar sua opinião, sem conceito e sem contribuição.

Sou filha de nordestinos e conheço de perto o sertão de onde saíram. Orgulho-me de suas histórias. Foram fortes e determinados para saírem do seu berço rumo à uma vida que poderia render-lhes mais frutos. A seca, o plantio, a felicidade pela chegada da chuva que tão demorada viria. Sabiam ser gratos pelo que recebiam e ralaram muito para usufruir do pouco, mas farto alimento nascido de seu próprio trabalho.

Ainda hoje, no Sudeste, ouvimos piadas (que engraçadas nunca foram) de uma minoria que ainda insiste em falar de nordestinos que vieram para cá. Não conhecem sua história e sua luta e tão pouco entendem o que é ter que trabalhar de verdade para conseguir um lugar melhor no mercado de trabalho já que muitas indicações os fizeram chegar onde estão hoje, num lugar altamente concorrido.

Cá estou eu e minha história não é tão diferente da deles, já que também vivo em um ambiente concorrido e aqui também nasci, mas há de se aprender a colocar-se no lugar do outro. Empatia é o que me difere deles.

Dado os imigrantes internos que por necessidade mudaram de Estados (e saibam, todos nós carregamos saudade árdua no peito), deveríamos entender o quão difícil é para aqueles que mudam de país, sem conhecer o idioma, sem ter preparo suficiente pois nem tempo lhes deram para preparar-se.

Assim como em um determinado momento fomos imigrantes em nosso país, precisamos pensar que uma necessidade de refúgio em outro não está também tão distante de nós. Somos hipócritas o suficiente para exigirmos o direito ao visto em países estrangeiros e propagamos a nossa vontade de mudar e conhecer outros países, de irmos embora, sabendo que o Brasil ainda não é o pior lugar a se viver hoje em dia.

Corremos o risco a violência, sim, mas ainda conseguimos viver. Ainda fazemos festa, ainda não estamos em guerra, embora saibamos que nem em todos os lugares está assim. Sabemos. Mas ainda temos voz ativa para esbravejar nossas raivas publicamente (muitas vezes sem pensar e pesquisar) e nada nos acontece por isso. Temos como ajudar aqueles que aqui precisam.

Seja empático e verá que o retorno é tão mais leve e gratificante do que o ódio.


Direitos autorais da imagem de capa licenciada para o site O Segredo: 123rf / belchonock





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