Comportamento

Paciente com Down, fotografado abraçado a enfermeiro, morre por falta de leito em UTI

Segundo a Secretaria Estadual de Saúde, já havia leito de UTI à espera de Emerson Júnior em Manaus, mas seu quadro precisava se estabilizar para ser transferido.



Temos acompanhado o caso do paciente Emerson Júnior, o rapaz de 30 anos, com síndrome de Down, que estava na imagem comovente, que viralizou nos últimos dias. Ele recebe um abraço do enfermeiro Raimundo Nogueira Matos, para conseguir se acalmar e receber o oxigênio. Emerson ficou internado por nove dias, mas infelizmente faleceu em decorrência de complicações da covid-19, em Manacapuru, interior do Amazonas.

De acordo com informações do UOL, assim que Emerson foi internado, já foi feito pedido de um leito na UTI à central de regulação do estado, porém a vaga foi disponibilizada apenas cinco dias depois do pedido.

Emerson havia apresentado melhora no seu quadro, todos estavam na expectativa de que, no dia 28, conseguisse ser transferido para a capital, Manaus, para um leito de UTI. Mas Emerson não resistiu e, no mesmo dia em que, provavelmente, conseguiria a transferência, faleceu.


Raimundo Nogueira, o enfermeiro que ajudou Emerson, disse que ficou extremamente triste com a notícia, e chorou muito. O paciente foi internado em Caapiranga, no dia 20, já apresentando sintomas de covid-19, e recebeu assistência médica.

Porém, o hospital em questão, não dispõe de vagas para terapia intensiva, por isso solicitou-se imediatamente que Emerson fosse transferido para Manaus.

No dia 25, o estado de saúde de Emerson piorou, várias pessoas se engajaram em uma campanha nas redes sociais, solicitando do governador Wilson Lima (PSC) intervenção no caso. Dia 26, ele teve uma parada cardíaca e foi levado para Manacapuru, com urgência. Raimundo explica que durante a transferência do paciente, ele e a equipe que o acompanhava fizeram ventilação manual em Emerson durante duas horas e meia. Chegando a Manacapuru, ele foi intubado, mas no município também não há UTI.

Como Emerson se encontrava em estado gravíssimo, devido às complicações do vírus, os médicos precisavam que seu quadro se estabilizasse para que pudesse ser transferido para a UTI, em Manaus, caso contrário a viagem seria arriscada demais.


Raimundo contou que já existia um leito à espera do paciente e que, durante a madrugada, ele estava em boas condições, mas pela manhã foi avisado que Emerson havia falecido.

Um dia antes da morte do irmão, Eliane relatou a melhora de Emerson, e disse que ele era a luz da vida da família e que queria devolvê-lo com vida para a mãe. Porém, infelizmente, pouco tempo depois, ela informou que o irmão não havia resistido.

De acordo com a Secretaria de Saúde do Amazonas, Emerson não foi encaminhado para Manaus porque seu quadro era grave e precisava que ele se estabilizasse para ser transferido.

A família explicou que o nível de saturação dele chegou a 42% no dia de sua morte, um nível extremamente baixo, já que o esperado é 98%.


Segundo a infectologista e professora da UFPE, Vera Magalhães, a falta de UTI aumenta as chances de um paciente morrer por conta das complicações da covid. Ela explica que Emerson precisava que algumas condutas médicas fossem adotadas precocemente, para que não chegasse ao ponto em que chegou. Vera ainda relata que a síndrome de Down não é uma doença, por isso não pode ser tratada como comorbidade, mas que existem, sim, algumas fragilidades orgânicas em pessoas que apresentam o quadro.

A Secretaria de Saúde não explicou os motivos da demora do leito para Emerson, mas lamentou sua morte e reiterou que as transferências dos pacientes precisam seguir alguns critérios que os médicos da Central Única de Regulação de Agendamento de Consultas e Exames definem. Por fim, a secretaria informa que está se esforçando para aumentar o número de leitos para os pacientes infectados com o novo coronavírus.

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