Sempre fui daquelas almas que sorriem fácil, mas que precisam de horas, às vezes dias recolhidas para balancear…

Sempre fui daquelas almas que sorriem fácil, mas que precisam de horas, às vezes dias recolhidas para balancear o mundo interno e voltar para o externo sorrindo novamente.

Mas ultimamente, não sei o que se passa que cada vez mais o mundo interno anda convidativo demais, e até me dei conta que estou sorrindo nele também.



Cultivar o silêncio tem cada vez mais me dado vontade de me manter nele. Quanto menos computador, conversas telefônicas (incluo skype), chats, etc menos vontade dá de se ligar nessas coisas. Passei a ter preguiça de acessar. Cada vez mais consigo entender as pessoas que moram em Gonçalves e acessam a internet apenas uma vez por semana para responder emails.  Certamente a vida delas é mais efetiva do que das pessoas que vivem plugadas.

Outro dia estava falando com uma amiga sobre uma aldeia aqui em Portugal, onde há muitas pessoas que vão para lá fazer trabalho voluntário. É como se fosse um sítio onde eles produzem tudo o que consomem, inclusive constroem as próprias casas. Minha amiga disse que não poderia viver em um lugar assim, eu me mantive em silêncio porque em algum lugar dentro de mim achou atraente. Eu só bato o martelo do não, depois que já provei. Enquanto não provo, não digo não. Passar o dia ocupado de verdade, produzindo, fazendo coisas que você vê resultado efetivo é o único trabalho que faz sentido para mim.

Me lembro do meu primeiro emprego, na Bons Fluidos, quando saiu a primeira revista que eu tinha feito produção fotográfica. Pensei:


– Este trabalho é perfeito para mim. Se todo mês eu ter em mãos a prova do meu trabalho, me dedicarei com prazer.

Por isso que as artes sempre me seduziram também. Nossas horas de dedicação precisam fazer sentido. Passar três horas limpando e arrumando a casa é um trabalho com recompensa. Agora, passar 12 horas na frente de um computador fritando o cérebro por algo que não é palpável, não faz sentido para mim.

Com esses fortes momentos de silêncio que tenho vivido nos finais de semana, e durante a semana após o escritório, notei mais uma coisa importante: quebrar o silêncio, ao me comunicar com outra pessoa apenas com alguma finalidade. Socializar, comunicar-se a fim de adquirir ou criar algo com este diálogo.


As medicinas orientais, principalmente o Tao que tenho usado de referência, dizem que as palavras, a fala, exigem um grande gasto de energia, portanto, “fale apenas o que for necessário”. Eu que sempre fui muito comunicativa estou cada vez mais adorando o não me comunicar. O internalizar. E sair para o externo sabendo o que trocar.

_______________

Direitos autorais da imagem de capa: petro / 123RF Imagens

Baixe o aplicativo do site O Segredo e acompanhe tudo de pertinho. Android ou IOS.

Texto escrito com exclusividade para o site O Segredo. É proibida a divulgação deste material em páginas comerciais, seja em forma de texto, vídeo ou imagem, mesmo com os devidos créditos.




Deixe seu comentário

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site.