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“Separar-se dói, mas também pode ser uma benção” – Monja Coen

Nem sempre enxergamos as separações com bons olhos, porque representam o encerramento de uma fase de nossas vidas, e encerramentos nos forçam a sair de nossas zonas de conforto e buscar novos caminhos para seguir.


No entanto, se pensarmos sobre isso, podemos perceber que uma separação pode ser uma grande bênção, porque nos permite nos libertarmos daquilo que nos impede de evoluir e buscarmos uma realidade que realmente queiramos viver.

A separação pode ser como um despertar. Por muito tempo estivemos com uma pessoa que não trazia o melhor em nós, e por algum motivo, optamos por manter o relacionamento, mas um dia nossos olhos se abrem para a imensidão do universo e para o nosso valor pessoal, e conseguimos finalmente ver que existe muito mais para nós do que uma vida mediana.

Decidir se afastar de uma pessoa com a qual tem vivido por muito tempo, muitas vezes é necessário, mas isso não significa que precisa ser traumático. É possível realizar uma separação de maneira madura e positiva, mantendo o respeito como prioridade.


Monja Coen, sempre muito sábia, fala melhor sobre isso no texto que mostramos abaixo. Confira.

Separar-se dói, mas também pode ser uma benção – Monja Coen

“É possível separar-se de alguém com respeito e com ternura.

É possível um divórcio verdadeiramente amigável.


Mas para isso é preciso que as duas pessoas envolvidas no processo de desfazer um laço de intimidade tenham amadurecido o suficiente para conhecer a si mesmas.

Caminhamos lado a lado com algumas pessoas em alguns momentos da vida.

Minha professora de hatha ioga, Walkiria Leitão, comentou em uma de nossas aulas:

“A vida é como atravessar uma ponte. Nem sempre as pessoas com quem iniciamos a travessia são as mesmas que nos cercam agora ou com quem chegaremos do outro lado. Mas sempre há alguém por perto. Nunca estamos sós.”

O medo da solidão, muitas vezes, faz com que as pessoas suportem o insuportável. Ou se lamentem após uma separação, apegadas até mesmo ao conflito conhecido.

Ainda há mulheres que sofrem violências morais e até mesmo físicas de seus companheiros ou companheiras.

Ainda há homens que sofrem violências morais e até mesmo físicas de suas companheiras ou companheiros.

Como dar limites? Como conhecer esses limites?

Quando os limites são desrespeitados, as dificuldades começam. Dificuldades que podem levar à separação e ao divórcio. Dificuldades que podem levar ao sofrimento filhos e filhas, animais de estimação, amigos, familiares.

Caminhamos lado a lado. Ou não.

Quando nos afastamos e nos distanciamos, nunca é repentino.

Um processo que, se desenvolvermos a clara percepção da realidade do assim como é, poderemos prever, antecipar e até mesmo alterar o desenvolvimento do processo.

Entretanto, se não conseguirmos antever o que já acontece, se colocarmos lentes fantasiosas sobre a realidade, poderemos nos desiludir e nos sentirmos traídos na confiança mais íntima do ser.

Professor Hermógenes, um dos pioneiros do yoga no Brasil, fala sobre a criação de uma nova religião chamada “desilusionismo”:

“Cada vez que temos uma desilusão estamos mais perto da verdade, por isso agradecemos.”

Se você teve uma desilusão é porque não estava em plena atenção. Mas não fique com raiva nem de você nem da outra pessoa.

Nada é fixo. Nada é permanente.

Saber abrir mão, desapegar-se – até da maneira como tem vivido – é abrir novas possibilidades para todos.

Por que sofrer? Por que manter relações estagnadas ou de conflito permanente? Ou como transformar essas relações e dar vida nova ao relacionamento?

Apreciar e compreender a vida em cada instante é uma arte a ser praticada.

Separar-se dói, confunde, mexe com sonhos e estruturas básicas de relacionamentos.

Separação pode ser também uma bênção, uma libertação de uma fantasia, de uma ilusão.

Observe em profundidade. Será que ainda é possível restaurar o vaso antigo?

No Japão, as peças restauradas são mais valiosas do que as novas. Têm história, emoção, sentimento.

Cuidado com o eu menor. Cuidado com sentimentos de rancor, raiva, vingança. Esses sentimentos destroem você, mais do que as outras pessoas.

Desenvolva a mente de sabedoria e de compaixão. Queira o bem de todos os seres. Isso inclui você.

Cuide-se bem e aprecie a sua vida – assim como é –, renovando-se a cada instante e abrindo portais para o desconhecido, o novo – que pode ser antigo, mas novo a cada instante.

Mantenha viva a chama do amor incondicional e saiba se separar (se assim for) com a mesma ternura e respeito com que se uniu.

Esse é o princípio de uma cultura de paz e de não violência ativa.

Que assim seja, para o bem de todos os seres.

Mãos em prece.”

Uma visão poderosa, que nos mostra que, ao contrário do que muitas vezes somos levados a acreditar, a separação respeitosa existe e está diretamente relacionada às atitudes de cada um de nós.

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