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Ser feliz dá trabalho!

“Mas ser feliz não é uma questão de sorte?” Pouquíssimas coisas nessa vida são questão de sorte.

Ser feliz exige uma disposição imensa, um querer enorme e muito foco na missão. A estrada da Felicidade tem mais tristezas do que se pode imaginar! Esperar ter a vida em ordem para ser feliz é meio óbvio, não acham? Pessoas felizes são isentas de preocupações e problemas? Não. Ser feliz dá um trabalhão! É um exercício diário.



Tem épocas que pegamos o embalo e então pensamos “Uau! Peguei o jeito!” e que não precisamos mais de treino, nossa vida está fluindo, tudo certo, mas aí ela, a Vida, vem e nos dá uma rasteira, prega em nós uma peça daquelas e a Tristeza se achega.

Ao invés de conversarmos com ela e saber o que ela procura, e lhe dizer gentilmente que não temos espaço para ela nas nossas vidas, nós nos apavoramos por completo e perdemos o controle, afinal, Tristeza é coisa de gente mal-agradecida, depressiva, doente!

Isso é o que nos fazem pensar e querem que acreditemos de qualquer maneira.  Em meio a tantas vidas perfeitas, corpos maravilhosos, abundância financeira fácil, relacionamentos sem problemas, num mundo onde todo mundo é Vegano-Fitness-Light, sem esforço algum, onde todo mundo tem disposição para ir treinar às 6:00 da matina de uma segunda-feira e onde todos exibem suas fórmulas espetaculares para o SUCESSO, Tristeza é coisa de derrotados!


Logo, temos que derrotar a tristeza, sem ao menos ouvi-la, antes que ela nos derrote. Admitir tristeza, então? Nem em pensamento!

E como ela não vai embora facilmente, nós a escondemos atrás das portas, debaixo do tapete. Nos nossos travesseiros; no chuveiro ligado que abafa o som do choro. No “tudo ótimo!” ao telefone, antes de desabarmos. No sorriso mais sincero que tenta remendar os cacos.

Lutamos para não sermos engolidos pelo abismo sem fim visível, que se abriu em nossas almas. Nossos esforços foram em vão.  Nossas orações… em vão. Nosso diploma de formados na Faculdade da Felicidade, em vão. As lições aprendidas pelo caminho. Nossa força de vontade, nossa dignidade perante nós mesmos. Fomos derrotados pela Tristeza.

E sem muito esforço a deixamos ficar. Afinal, a vida é “isso mesmo”, não é?! Crescemos ouvindo que o que vem fácil vai fácil, que sem esforço não se há conquistas, que a vida é uma luta sem fim. Essa baboseira de felicidade é um clichê de revistinha barata. “Felicidade é coisa rara, esporádica, jamais a constante de uma vida.” Pensamos.


Lá vamos nós, atrás de remédios que nos devolvam o mínimo de alegria ou que pelo menos nos permitam nos aturar e chegarmos ao final do dia.

Mas, permita-me uma análise: Quem o derrotou não foi a Tristeza. Foi o seu medo. Foi a tristeza de constatar-se triste.

O medo de se sentir triste, frustrado e entrar para o roll dos fracassados, jogou-o na lona, porque não dominamos aquilo que temos medo. É a razão do medo que nos domina. Desta forma, não temos controle sobre a Tristeza, só queremos expulsá-las o mais rápido possível.

Mas a Tristeza é parte crucial da nossa existência, é intrínseco. É uma condição humana, faz parte da nossa natureza. Por que tanto pavor dela?!

Receba a sua tristeza, fique quieto, recolha-se. É uma boa estratégia para observar o movimento ao redor. Às vezes, é só cansaço. É só uma pausa para recuperar o fôlego. É só um casulo para desenvolver as asas.

Nem toda tristeza indica o fim da linha. Certas vezes, é só para mudarmos a marcha, diminuirmos o ritmo.

Por isso volto a repetir que a Felicidade dá trabalho.  As pessoas mais felizes que eu conheço não são aquelas que vivem sem problemas, que têm contas bancárias gordas ou encontraram suas almas-gêmeas. São as que DECIDEM ser felizes!

E eu digo que ser FELIZ é, na maioria das vezes, olhar para as situações com olhos mais otimistas e positivos, é viver em paz com as decisões tomadas e saber deixar as coisas do passado lá no lugar delas e as coisas do futuro, lá no lugar delas.

Não confundamos ‘Felicidade’ com ‘Euforia’.

As criaturas mais felizes que conheço são as que falam para a Tristeza “Olha eu sei que você está aqui, mas não tenho tempo para conversa. Gasto meu tempo querendo ser feliz”.

A Felicidade também é uma questão de escolha. É um tanto chocante se dar conta disso.
Ninguém é uma marionete à mercê de um Destino obscuro e implacável.  A vida é parceria.
50% é o que ela nos dá. 50% é o que nós damos à ela.

A Tristeza vai bater à sua porta. Isso é fato. Você decide se vai abrir. Encare-a de frente, não se apavore diante dela, mantenha o controle e entenda seus motivos. Desta forma, conseguimos ter um mínimo de domínio sobre a situação.

E então…escolha a Felicidade. Seja a pessoa que você queria ser. Vença a sua mente. Levante e vá fazer exercícios, melhore a alimentação, entre na Yoga ou naquela aula de dança que você tanto quer.

Quer acordar mais cedo? Levante! Nos primeiros dias é complicado, mas vai melhorando… a Felicidade também requer treino.

Faça o projeto minucioso do seu próximo negócio, comece um pequeno jardim em casa… permita-se querer. Acredite que você é capaz de moldar a sua mente conforme os seus desejos e necessidades, é você que está no comando de si.

Só você pode promover tais mudanças.  É uma briga, é verdade. Mas vale a pena. Lute para chegar no “Eu” que você tanto sonha. Diga “EU QUERO SER MAIS OTIMISTA!”

Pessoas tristes sofrem. Pessoas felizes… sofrem igualmente. A diferença é como reagimos.
Se abrimos ou não a porta. Grandes felicidades, às vezes, exigem grandes sacrifícios.

Eu decido ser feliz.


Direitos autorais da imagem de capa: /wall.alphacoders / 708208 / Alexey Tsyganov






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