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Ser ou ter? eis a questão… – sobre o vazio da sociedade contemporânea:

O que as pessoas mais valorizam em suas vidas? Se é certo que cada pessoa sente e valoriza objetos diferentes, também é certo que tais escolhas e valores são marcados culturalmente, pela época e lugar que vivemos, pela sociedade a qual fazemos parte.



Na sociedade contemporânea, chamada sociedade de consumo, podemos dizer que o valor dominante é atravessado cada vez mais pelo discurso do Ter. Ter propriedades, posses, mercadorias, dinheiro, status, poder. Ter carro do ano, roupa de grife, o celular mais moderno. O trabalho bem remunerado é mais valorizado que o trabalho que traz satisfação, afinal, trabalho deve proporcionar ao indivíduo meios para ter e não para tornar-se o que se é.

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Como na fábula O Pequeno Príncipe de Saint-Exupéry, onde o principezinho se depara com personagens que absorvidos demais por seus afazeres e crenças pessoais que não conseguem enxergar nada além de si, assim a sociedade atual é marcada cada vez mais pelo individualismo. Esta fábula nos apresenta personagens cheios de simbolismos: o rei, que apesar de isolado tenta manter seu status e continua fingindo dar ordens; o vaidoso, que só escuta o que lhe agrada e se fecha em si mesmo; o contador, que só pensar em possuir, acumular mesmo que não entenda o propósito ou finalidade de tais objetos; o acendedor de lampião, que apesar de uma ocupação útil está tão absorvido por esta que não vê a vida passar; e o sábio, que apesar de muito conhecer, pouco sabe do que se passa ao seu redor.

O principezinho olha tudo com estranhamento e se espanta ao concluir como “nós adultos” damos importância a coisas que são inúteis, e como tudo isto nos leva a solidão, ainda quem em meio às centenas de pessoas.


Deveríamos assim como o pequeno príncipe lançar por vezes um olhar de estranhamento sobre nós mesmos. Assim como os personagens de Saint-Exupéry por vezes nos vemos valorizando exageradamente coisas que em sua essência são inúteis; insistindo em atividades socialmente aceitas, mas que não estão de acordo com nossos valores e que por fim, nos adoecem; possuindo objetos, sentimentos, relações que já não sabemos mais para que nos servirão; mantendo as aparências para preservar um status que já não nos cabe mais.

Nesse contexto, a vida torna-se volátil, as relações tornam-se fluidas… e nós também. Em uma sociedade marcada pelo efêmero, pelo apelo ao consumo, aqueles que não têm, querem parecer ter e desta forma, a pós-modernidade promove o culto às aparências e o Ter torna-se um fim em si mesmo, alienando o sujeito de si.


Isto não ocorre sem prejuízos…. Sem que se pague um preço, às vezes caro, à saúde psíquica. Alguém que se aliena de si mesmo facilmente substitui o Ser pelo Ter, e em lugar de afetos, vivências, relações, falseia a própria existência, construindo simulacros de vida. A felicidade buscada pode dar lugar à sentimento de vazio existencial e falta de sentido e por este motivo a melancolia, depressão e ansiedade têm se apresentado como doenças características da sociedade contemporânea. O Ter saudável só se dá quando é reflexo de um Ser que se reconhece, de um Ser autêntico. Uma vida edificada sobre um Ser alienado produz aprisionamento, e a angústia que não é elaborada produz adoecimento.

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O reconhecimento da própria identidade é um processo árduo, muitas vezes doloroso de expansão psíquica, mas ao fim libertador, pois, a única verdade capaz de transformar é aquela que desnuda a mentira escondida em nós. Só conhecendo-se a si mesmo é possível conhecer além… o essencial, como disse Saint-Exupéry, é realmente invisível aos olhos…

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Texto escrito com exclusividade para o site O Segredo. É proibida a divulgação deste material em páginas comerciais, seja em forma de texto, vídeo ou imagem, mesmo com os devidos créditos.




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