Ser quem você é, nunca sai de moda!



Ser autêntico nunca cai de moda!

Dei de reparar numas coisas que antes me passavam despercebidas. Os cabelos das moças nas revistas. O corpo das atrizes nas novelas. O nariz. A boca. A roupa.

Cheguei à conclusão bombástica: ando fora de moda! Meu cabelo fugiu dos padrões, minha roupa também. Meus dentes e meu nariz, meu peso e minha altura. Sim, ando completamente fora de moda, despadronizada ao quadrado (ao cubo, eu ousaria dizer).

Pois foi reparando em tudo isso que dei de entender, vez por todas, o que a gente sabe e é mais fácil esquecer: há uma indústria por trás de cada nariz arrebitado e de cada cintura de pilão. Há uma incessante propaganda que diz que usar a pasta de dente X vai garantir hálito refrescante por 72 horas. Que usar a roupa Y é o modo mais emblemático de ser cool, chique, elegante, de arrumar o melhor emprego ou o melhor namorado. É o jeito mais legal de ser percebido. Que para as baixinhas há o salto agulha, que provoca câimbras e dores terríveis em cada um dos dedinhos do pé, mas garante a altura dos sonhos. Que para as moças acima do peso (calma aí, acima de que peso?), há os vestidos pretos, sem listras que escondem, que amassam, que reprimem. Que para os bustos pequenos inventaram os sutiãs de bojo, que dão volume, que unem, que criam decote de dar inveja. Que para o nariz esquisito tem maquiagem que afina, que arrebita, que conserta. Que para cabelos enrolados tem chapinha. Que para sardas no rosto tem base à prova d´água. Que para dias difíceis, temos, à nossa total disposição, corredores de shoppings recheados de opções pra gente ser feliz.

Para ser padrão, basta querer! Tem no mercado mais próximo um kit “vire modelo” ideal para cada uma de nós. E dele saímos feito produção em série: iguais. Donas do nosso próprio estilo coletivamente imposto, idêntico a todos os outros. E a gente nem tenta escapar!!

Algumas de nós tentam, é verdade! Algumas escapam. Mas a maioria continua nadando nesse mar fundo, afogando-se na busca pela aceitação dos outros e de si mesma. Porque a gente cresceu vendo princesas brancas, de cabelos lisos, magrinhas e delicadas, sutis e guerreiras. Vitoriosas ao final, quando felizes para sempre ao lado do príncipe encantado. E nessas andanças infinitas, atrás do felizes para sempre, muitas de nós nem percebem que tem sapo que também faz a gente feliz ou que nem sempre é preciso um príncipe ou um sapo para alcançar a felicidade.

Só quando a gente se dá conta disso é que dá pra entender que padrão não cabe em pessoas reais.

Aí a gente assiste ao Shrek com outros olhos, torcendo para a Fiona virar ogra! Aí a gente ouve Anitta sem julgamentos, admirando o corpo de balé feito pelas diferentes belezas femininas. Aí a gente compra a roupa que dá vontade de usar, sem se importar se é fashion, se é cafona, se cai bem no corpo. Aí a gente deixa o cabelo liso ou enrolado, do jeito que a gente acha mais bonito, sem se importar se é o que mais faz sucesso por aí. Aí a gente começa a ir à praia sem ter vergonha do bumbum muito pequeno, do busto grande demais, das celulites e das estrias. Sem querer esconder a barriga, sem afundar o próprio corpo.



Aí a gente – que ainda continua se deparando com esse padrão maluco quase todos os dias quando vê TV, quando navega na web ou quando lê revista – compreende que não tem padrão mais bonito que o nosso próprio estilo. Que o nariz grande é de um charme incrível, que o cabelo carrega vida e memória. Que ele é bonito liso, ondulado, cacheado, curto, comprido, raspado. Que corpos magros ficam lindos em algumas pessoas, mas curvas são divinas em outras.

A gente precisa dar-se ao luxo de entender que ser a gente é o padrão a seguir. Que roupa não tem que ser fantasia pra gente fingir que é outra pessoa. Que cicatrizes contam histórias, que mais vale um chocolate adoçando a boca do que um estereótipo socialmente imposto amargurando a vida.

Aí a gente olha para o armário, vê que já tem coisas demais lá dentro, que dá pra ser feliz com muito pouco e que shopping nenhum vende a paz que a gente só sente quando está bem com quem a gente, realmente, é!

E tem mais: ser autêntico nunca sai de moda!

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Direitos autorais da imagem de capa: dolgachov / 123RF Imagens






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