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Seria minha imaginação capaz de trazer de volta um antigo amor?

O ruído dos balanços movimentando-se em meio ao jardim fazia meu coração pulsar mais rápido, como se tivesse alguém me observando sem ser notado.



Apesar de ter uma vista ampla do jardim, sentia que alguém me espreitava. Uma sensação de estar sendo seguida por olhos invisíveis.

A noite surgiu mais clara que o normal. O luar era tão forte que as luzes do pátio principal continuavam apagadas. Sei que pode parecer estranho, mas acho que o dia trocou de lugar com a noite.

O que minha psicóloga havia dito sobre a hipótese de estar vivendo em minha imaginação ecoava como palavras que se espalhavam e sem ter para onde ir regressavam à minha mente formando de palavras de aconchego.


SERIA MINHA IMAGINAÇÃO CAPAZ - FOTO 01

As batidas de meu coração soavam como horas que ali não existiam. Minha pele pressentia o afago das mãos que há muito não me tocavam. Seria minha imaginação capaz de trazer de volta um antigo amor?

O medo deu lugar a um desejo que adormecia nas profundezas da minha alma. De repente tive certeza de que ele estava ali. Eram seus olhos que me vigiavam. Agora tudo fazia sentido. Eu havia criado aquele cenário inconscientemente para trazê-lo de volta para mim.

Uma bruma de incenso com fragrância de tuberosas exóticas como a criada por Germaine Cellier tomou conta do hall. O aroma era tão envolvente que logo me vi entorpecida pela essência que trazia sentimentos envoltos à lágrimas que escorriam em minha face.


Apesar de estar olhando para o jardim, o que via não era a realidade a minha frente, mas a cena de um amor que ali vivi. Procurava nos escombros de minha mente resquícios que pudessem me dar coragem de abrir a porta do hall e ir ao seu encontro, mas depois de tanto tempo não saberia o que dizer. Talvez não seria preciso dizer nada.

SERIA MINHA IMAGINAÇÃO CAPAZ - FOTO 02

A dúvida sempre foi minha maior inimiga. Não quero me sentir culpada por não ter tomado uma atitude. Não cometerei o mesmo erro. Levantei e fui em direção da porta. Girei a maçaneta de modo lento para que ganhasse mais confiança no que estava prestes a fazer.

Caminhei pelo jardim até chegar aos balanços que se movimentavam como se tivesse com alguém sobre eles. Sentei sobre um deles e comecei a balançar, quando de repente senti uma mão tapar meus olhos. Num afã de tirá-la de mim coloquei minha mão sobre ela e senti um calor reconfortante. Eu sabia de quem era e não pude conter a indagação que me consumiu durante vários anos:


– Porque voltou? – perguntei curiosa
– Nunca sai daqui!

Se quiser agende um horário!

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