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Sim, eu cativei. Assim como fui cativada por sonhos, desejos e vontade de não deixar nada ir.

Um dia eu disse a uma pessoa muito especial esse trecho do Livro – Pequeno Príncipe.

Vês, lá longe, o campo de trigo? Eu não como pão. O trigo pra mim é inútil. Os campos de trigo não me lembram de coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelo cor de ouro. Então, será maravilhoso quando me tiverdes cativado. O trigo que é dourado fará lembrar-me de ti. E eu amarei o barulho do vento no trigo, e a ti também. (Complementei).


Aí eu vi o sorriso, dele. Vi o seu semblante abrindo-se em alegria e serenidade por saber que poderia confiar em mim.

Talvez seja uma das mais fortes lembranças da minha vida. Talvez tenha sido a maior dose extra de amor que ofereci a alguém.

Tão bom quando nos deixamos ser sinceros e inteiros com o outro, quando não forjamos nada e mostramos apenas a essência da nossa alma. Fui feliz ali. Fui feliz por poder ajudar e ter feito alguém feliz, mesmo que temporariamente. Mas em minha mente e coração acho que produzi endorfina de amor, segurei a mão, coloquei no colo, enxuguei as lágrimas e só pedi aos anjos toda a proteção do mundo por mais que um dia nos distanciássemos.


Eu fiz minha parte e agradeço por isso. Por poder ter tido esse tempo para que a gente se perdoasse e, de certa forma, terminasse nosso ciclo sem desmanchar aquilo que, lá do outro lado, deram-nos de presente.

Sim, eu cativei. Assim como fui cativada por sonhos, desejos e vontade de não deixar nada ir.

Mas eu não posso comandar o destino de outras pessoas, não posso amarrar ninguém ao meu lado sem que se queira estar por livre e espontânea vontade.

Talvez eu viva do sabor da saudade, da alegria que contagiou meu olhar em tempos de menos maldade humana. Talvez eu tenha confiado em excesso, tenha acreditado que todas aquelas flores que chegaram perfumando o ambiente pudessem dizer tantas coisas naquele momento em que o destino foi nos posicionando em outras direções.


Eu ainda continuo assim, cativando a vida, e dedicando meu a amor a ela e a quem hoje nela pertence ao meu espaço, continuo lendo meus livros continuo buscando mais entendimento por mais que eu disfarce por vezes aquele tempo que foi tão bom e que a mim teve gosto de despedida e ao mesmo tempo de adormecer nos braços da paz.

Mas não vou mais atrás de algo que se encerrou. Mas me dou o direito de abrir qualquer página e recordar.

Recordar também é viver. E se não fossem as emoções as quais eu me permiti, se não fossem os meus desejos de felicidade aos quais eu me envolvi, nada faria sentido nessa vida tão passageira.

Por isso que hoje eu vou seguindo meu curso sem planos. Muitas coisas acontecem quando a gente menos espera. Podem ser boas ou ruins. Já me adaptei a elas.

Quem sabe Deus não esteja reservando algo tão maior e maravilhoso. Tão único e próspero.

Eu não vivo só de saudade e recordação. Vivo de acordar todos os dias sabendo que muita gente aqui precisa de mim e que eu preciso estar bem para levar em frente os meus sentimentos.

No mais, vou vivendo. Vivendo o que Ele reservou para mim.





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