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A simples verdade sobre a meditação

Você ainda acha que meditar é se sentar em posição de flor de lótus, com os olhos fechados e não pensar em nada? Esqueça tudo isso! Esta ideia a respeito da meditação é o principal motivo pelo qual as pessoas não meditam: como é possível não pensar em nada? Isso é impossível! A própria idéia de não pensar em nada é estúpida: como você percebe que não está pensando em nada, se não estiver pensando? Você pensará que não está pensando em nada!



A palavra Meditação vem do latim “meditare”, que significa voltar-se para o centro e desligar-se do mundo externo. É comumente associada a religiões e práticas orientais, mas não é originária de nenhuma religião ou povo: o mais antigo relato referente à prática remonta ao Egito Antigo, e  também existem registros de práticas meditativas na história dos Maias – mas foi a partir do oriente (Índia, China e Japão) que a meditação conquistou o mundo. Nós, ocidentais, somos frutos de uma sociedade focada nos resultados, e muitas vezes encaramos todos processos como o arco-íris ao final do qual existe o pote de ouro – o que vale é chegar lá, e não o percurso. Na prática da meditação temos altos e baixos, mas vamos percebendo, lenta e gradativamente, que o que mais importa é a jornada, não o destino final.

Meditar é como estar em uma plataforma de trem: os trens vem de locais passados e se destinam a locais futuros – os trens são seus pensamentos. Você fica parado na plataforma, observando os trens que vem e vão. Você já percebeu como seus pensamentos estão sempre no passado ou no futuro? A mente não vive no presente, ela vive no tempo – passado, futuro, qualquer lugar, menos aqui. Meditar é estar no presente, é silenciar todos os ruídos internos, e a própria idéia de concluir logo este processo é um dos ruídos que você vai ter de silenciar.

Se você pensa na meditação como estar presente no momento presente, percebe como uma série de coisas pode se transformar em meditação? Você pode, sim, se sentar, fechar os olhos e respirar, mas você pode cortar tomates em um estado meditativo – em que experimenta cada segundo do ato de segurar o tomate, sentir sua textura, observar suas cores, perceber sua consistência. Você pode focar toda a sua atenção à sua mão que segura a faca, à pressão necessária para que ela rompa a estrutura do tomate, ao líquido que escorre dele quando o fio da faca finalmente o penetra, ao aroma que ele solta quando se parte em pedaços. Quando você corta tomates de um modo totalmente automático você perde todos estes detalhes, e quantos outros você pode estar perdendo sem ao menos de dar conta?

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Se você conseguir estar totalmente presente e esta presença durar apenas três segundos, você terá atingido um estado que já lhe trará benefícios. Talvez agora você entenda as cenas de filmes de Kung Fu, quando o mestre ordena que o discípulo limpe banheiros ou esfregue o chão com uma escova de dentes – o objetivo não é a limpeza em si, e sim o estar presente. Se você não consegue estar presente nas pequenas coisas, como o conseguirá nas grandes?

Você precisa saber que sua mente vai se rebelar. Ela vai te chamar de improdutivo, porque enquanto tanta gente está fazendo algo de útil, você está aí, que nem um bobo, respirando, fazendo nada. Que bobão, você aí, cortando tomates desse jeito – não tem mais nada o que fazer não?, e por aí vai. Ela pode te dar também um golpe baixo, e te brindar com sensações físicas, luzes, cores e até mesmo com a solução miraculosa do seu grande problema que vem te causando insônia há dias. Ignore tudo isso também! “Nossa, preciso contar a fulano que encontrei a solução do problema!”; e aí você se levanta, deixa de meditar e vai telefonar para fulano. E na batalha Mente versus você, ela vence com 10 de vantagem!


Sua mente vai se defender porque ela sabe o que você está tentando fazer: mantê-la de boca fechada. Simplesmente continue meditando, ignore estes pensamentos do mesmo modo que você ignora alguém que lhe diz uma bobagem; dê as costas a ela que, mais cedo ou mais tarde, ela vai começar a se render. Não existe outro método de meditar que não seja… Meditar: voltar-se para o centro e desligar-se do mundo externo.

Espero sinceramente que você se entusiasme com a prática e siga meditando! Não existe nada mais pleno do que se dar conta de que você não é seus pensamentos – que eles não o definem. Seus pensamentos são ruídos, pernilongos fazendo zumzumzum junto a seu ouvido, em uma noite de verão. Se você tiver paciência, a noite vira dia e eles vão embora.

 Namastê _/\_

 

Escrito por Flávia Melissa via Natural Vibe

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Texto escrito com exclusividade para o site O Segredo. É proibida a divulgação deste material em páginas comerciais, seja em forma de texto, vídeo ou imagem, mesmo com os devidos créditos.




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