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Síndrome de burnout: o esgotamento laboral

Os sinais não surgem de um momento para o outro. As rotinas exaustivas, o desgaste físico, situações estressantes e cobranças excessivas contribuem para o surgimento do quadro de burnout.


De acordo com a CID 11, lançada em 2018, a síndrome de burnout entrou na categoria de Problemas Relacionados ao Emprego e Desemprego, enfatizando que tal acometimento influi na área ocupacional, sem afetar outras áreas da vida do indivíduo, apresentando três sinais relevantes: sensação de exaustão, distanciamento mental e sentimento de negatividade em relação ao trabalho e redução da eficácia profissional. Devido ao esgotamento físico e mental em médio e longo prazo, o profissional acometido pela síndrome sofre uma espécie de curto-circuito das suas funções executivas, como se sua bateria acabasse.

Indivíduos que assumem sobrecarga de tarefas são alvos fáceis desta síndrome. Ao longo de meses ou anos, o excesso de funções laborais acumuladas e desempenhadas cobram destes indivíduos muito caro, custando sua saúde mental e física. Sinais físicos, como hipertensão, devido ao estresse, podem surgir, e o tratamento paliativo apenas a estes sintomas não garante sucesso quanto aos demais que surgem ao longo do tempo. Dores de cabeça, náuseas, insônia e perda de libido também podem surgir.

A redução na produção, seguida do desprazer profissional e a baixa interação social, faz com que sintomas como depressão e ansiedade surjam em comorbidade aos demais citados anteriormente, pois indivíduos acometidos pela síndrome de burnout, geralmente, não percebem que suas atitudes consideradas workaholics, desempenhadas ao longo de um tempo, possam cobrar tão caro.


Familiares e colegas de trabalho precisam estar atentos aos principais sinais que estes indivíduos apresentam: sobrecarga de tarefas, baixa satisfação profissional e isolamento.

Os sinais não surgem de um momento para o outro. As rotinas exaustivas, o desgaste físico, situações estressantes e cobranças excessivas contribuem para o surgimento do quadro de burnout. O presenteísmo (ausência mental no ambiente de trabalho) e o absenteísmo também são fatores a serem levados em consideração no comportamento destes colaboradores.

De acordo com estimativa feita pela International Stress Management Association no Brasil, cerca de 30% dos mais de 100 milhões de trabalhadores brasileiros padecem de burnout, números semelhantes no Reino Unido (1 a cada 3 de 20 milhões de trabalhadores britânicos) e na Alemanha, onde mesmo com uma reduzida carga horária de trabalho, apresenta 8% de afetados pela síndrome, em um universo de 2,7 milhões de pessoas.


Segundo uma pesquisa realizada pela ISMA BR, em 2016, com pessoas entre 25 e 65 anos de Porto Alegre (RS) e São Paulo (SP), 72% alegaram estar estressados com frequência. 32% destes tinham Sintomas de burnout. 92% dos diagnosticados se sentiam incapazes, 90% faziam presenteísmo, 49% estavam depressivos, 97% disseram estar exaustos fisicamente e emocionalmente e 91% se sentiam sem esperança, solitários, raivosos e impacientes. Em relação à mesma pesquisa aplicada em 2012, revelou-se um aumento de 2% da presença da síndrome de burnout no ambiente de trabalho, resultado que demonstra um alarmante dado à sociedade, uma vez que a crise econômica no país ajuda a agravar este cenário, com demissões em massa e profissionais cada vez mais pressionados pelo mercado.

O sofrimento psicológico e físico dos profissionais acometidos pela síndrome de Burnout agravam ainda mais nas relações organizacionais, onde despede-se um custo econômico, individual e organizacional de todos os envolvidos.

Os reflexos do desempenho profissional debilitado refletem na produtividade e na qualidade do serviço executado. A oneração da falta de bem estar no ambiente de trabalho aos funcionário recai em um ciclo, todos são afetados, desde os fornecedores aos clientes.

Embora, comumente diagnosticada como depressão, o burnout, muitas vezes, confunde-se, pois mesmo que a depressão não seja causadora da síndrome, ela é um dos indicadores. O que difere, é que a síndrome de burnout é exclusiva do ambiente de trabalho, acometendo pessoas altamente estressadas, que não conseguem se desligar de suas funções laborais.

Na busca por ajuda de profissionais, como psicólogos ou psiquiatras, recomenda-se um exame detalhando a saúde física e mental do indivíduo, levando em conta a dimensão de influência que o trabalho deste influi no surgimento dos sintomas.

O afastamento do ambiente de trabalho é inevitável e, no Brasil, o INSS libera auxílio-doença para portadores de burnout.


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