Síndrome do desgaste por empatia: quando a dor dos outros nos supera



A empatia é uma habilidade fundamental para os nossos relacionamentos sociais. Colocar-nos no lugar das pessoas ao nosso redor nos permite enxergar o mundo de maneiras diferentes e evoluir, tornando-nos melhores para nós mesmos e também para as pessoas em nossas vidas.

No entanto, tudo precisa de um limite. O excesso de empatia pode acabar nos prejudicando e nos fazendo sofrer da Síndrome da empatia.

Entendendo a Síndrome da empatia

Existem diversos tipos de empatia:

  • Empatia cognitiva, em que nos conectamos com o outro de maneira intelectual, mas não chegamos a envolver outros sentidos
  • Preocupação empática, que nos permite compreender e experimentar os estados emocionais das outras pessoas, despertar preocupação e ajudar de um lugar saudável, sem comprometermos mostrar nosso equilíbrio psicológico.
  • E também há a empatia que pode ser descrita como um contágio emocional, que pode proporcionar um grande sofrimento ao empata, porque ele absorve as emoções do outro para si mesmo, e não sabendo como se proteger, acaba sofrendo junto ao outro, sem conseguir ajudá-lo.

Quando nos envolvemos nos problemas das outras pessoas sem sabermos nos proteger, a empatia começa a se desgastar e trabalhar contra nós, gerando a fadiga da compaixão.

O termo fadiga da compaixão foi proposto pelo psicólogo Charles Figley, para definir as pessoas que, após ajudarem aqueles ao seu redor em seus traumas, passam a experimentar uma fadiga profunda e extrema. A fadiga da compaixão surge como resultado da incapacidade de gerir a dor que o problema do outro causa em si mesmo.


Quem está mais propenso a sofrer da Síndrome de empatia?

Os amigos, familiares e profissionais que estão mais próximos daqueles que precisam de ajuda psicológica, como psicólogos, psiquiatras, assistentes sociais são os que mais estão propensos à Síndrome de empatia, porque convivem com esse desejo de ajudar e podem acabar incorporando os sentimentos nas próprias vidas.

A Síndrome de empatia também tem sido associada à má administração emocional, que impede essas pessoas de implementarem planos de ação saudáveis contra o contágio emocional.

Geralmente, as pessoas mais atentas às próprias emoções costumam sentir níveis mais elevados de ansiedade em resposta aos desafios diários. Assim, se você é emocionalmente sensível, não sabe como administrar isso de maneira saudável, pode vir a sofrer da Síndrome de Empatia.


Sintomas da Síndrome de Empatia

Os 3 principais sintomas são:



1. Reexperimentação

A pessoa está constantemente revivendo as experiências negativas daqueles que ajuda, através de sonhos, pensamentos ou até mesmo de momentos aleatórios durante o dia. Se esses pensamentos o impedem de realizar suas atividades diárias, a situação está ficando séria e uma mudança de foco é o mais indicado.


2. Fuga da realidade

Quando nossas mentes se cansam de absorver tanta dor alheia, podem acabar nos distanciando da realidade, e como consequência, incorporamos mais sentimentos negativos, como impaciência, irritabilidade, a frustração e desconexão emocional são experimentados, o que afeta nossos relacionamentos com nós mesmos e com as pessoas ao nosso redor.


3. Ansiedade e hiperatividade

Além do cansaço mental e emocional, a Síndrome de Empatia também pode gerar ansiedade, que nos deixa em um estado de hiperatividade e hiperexcitação tão grande que nos atrapalha a realizar nossas atividades diárias e também a descansar, contribuindo para fadiga e também ataques de pânico.


Como podemos evitar o desgaste devido à compaixão?

Existem algumas estratégias que nos ajudam a lidar com mais tranquilidade com nossa empatia:

  • Dedicar mais tempo às atividades que nos trazem prazer e nos ajudam a preservar nossa saúde emocional, para eliminar sentimentos como estresse, frustração e preocupações desnecessárias.
  • Incorporar na rotina práticas de relaxamento e conexão interior, como meditação, para nos recarregar e manter a paz interior. Afinal, nosso exterior é um reflexo do que está dentro de nós.
  • Desenvolver a habilidade de manter uma distância saudável dos problemas das outras pessoas e também dos nossos próprios, para preservarmos nosso bem-estar e lidar com os desafios da maneira mais sábia e madura possível.
  • Trabalhar para fortalecer a inteligência emocional, estabelecendo estratégias para lidar com as emoções intensas.

Lembre-se sempre: para oferecer o seu melhor ao outro, é preciso que esteja bem consigo mesmo em primeiro lugar.


Direitos autorais da imagem de capa: Ben White / Unsplash






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