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SÍNDROME DO PÂNICO – O MEDO DE MORRER E ENLOUQUECER

Tudo começou quando eu tinha 18 anos e alguns meses e meu cachorro morreu. Era um pinscher que esteve comigo desde os meus 7 anos.
Passado alguns meses, depois de um dia de estudos, me sentei no sofá na sala com o notebook no colo (por volta das 23h) e foi aí que aconteceu.  A PRIMEIRA CRISE DE PÂNICO.


Senti como se estivesse morrendo, parecia que estava tendo uma taquicardia e minha vista ia se apagando aos poucos. Logo meus pais me levaram ao hospital, onde o médico disse que poderia ser o fígado (algo que havia comido e não me caiu bem). Tomei soro e fui embora.

No outro dia, por volta do mesmo horário, aconteceu novamente. A sensação de estar morrendo… e no outro dia durante o cursinho novamente, a sala parecia estar se mexendo, o coração acelerado e a vista escurecendo… Liguei para meus pais e eles foram me buscar.
Marcamos uma consulta com o médico que cuidou de mim (desde criança). No dia seguinte durante a consulta, ele pediu uma bateria de exames.
Em alguns dias, os exames ficaram prontos e fui ao retorno.

Estava insuportável conviver com aquele medo de morrer que intercalava com o medo de enlouquecer (e às vezes o medo de perder o controle). Ao abrir os exames, o médico disse que não havia nada de errado comigo, e que tudo isso era causado pela Síndrome do Pânico. Indicou um amigo médico psiquiatra e logo meus pais marcaram consulta com ele.


Antes de sair de casa, eme lembro de estar bem. Parecia que tudo aquilo tinha passado e nenhum medo me rodeava. Pena que durou pouco.

Chegando ao consultório, enquanto esperava a chegada do doutor, aquele medo me cercou de novo. Parecia que eu ia enlouquecer, e o medo de precisar ficar internada em uma clínica psiquiátrica me deixava cada vez mais em pânico.

O doutor chegou e logo entramos para a sala dele, me pediu para descrever tudo. Comecei a falar que meu cachorro tinha morrido, não consegui parar de chorar e meus pais conversaram com ele. Acalmei-me e continuei. Expliquei as sensações, medos e tudo que estava acontecendo comigo (ansiedade de entrar para a faculdade, tristeza pela morte do meu cachorro, cursinho, etc).


Aquele médico psiquiatra me transmitia paz em cada palavra que dizia, era como se Deus tocasse em sua alma. Então ele me disse: Eu tenho duas notícias para você. Uma boa e outra ruim. A boa é que isso vai passar, e a ruim é que vai demorar um pouco, devido ao tratamento que tem que ser cuidadoso e etc.

O diagnostico foi de excesso de ansiedade, que gerava o pânico.

Ele me receitou dois remédios, um para tomar durante o dia e outro antes de dormir (tarja preta)

Os remédios me ajudaram muito e logo, por vontade própria e com a benção de Deus, eu consegui parar de tomar o remédio tarja preta. (OBS: ALGUM TEMPO DURANTE O TRATAMENTO, EU DORMI COM MINHA MÃE), sempre segurando um terço nas mãos e pedindo para que Deus me sustentasse e Nossa Senhora desatadora dos nós desatasse esse nó em minha vida.

O tempo foi passando e aquilo era frequente, porém com menos intensidade. O remédio ia amenizando aos poucos. Tinha medo de sair de casa sozinha, de ficar sozinha e acontecer alguma coisa, medo de que as pessoas ao meu redor morressem.

O medo de enlouquecer permanecia.

A irmã de meu pai veio passar uns dias em casa. Então, eles a levaram para conhecer a cidade, a cidade vizinha e os pontos turísticos (foi então que consegui sair de casa, porém com meus pais e minha tia). Já comecei a me sentir melhor, e depois de uns dias que minha tia tinha ido embora, já voltei a dormir sozinha em meu quarto.

O tempo foi passando, o remédio agindo, até que eu já me sentia bem, maravilhosamente ótima e parei de tomar o remédio por conta.

Um dia ou dois fiquei bem. Mas depois… Aquilo foi voltando novamente, o medo, a ansiedade excessiva… Voltei ao médico e expliquei que havia parado o tratamento, ele disse que não pode fazer isso. A sensação de melhora vem com o tempo e muita gente faz abandona o tratamento. É uma falsa sensação, é quando o remédio faz efeito real no organismo. Não pode parar.

Sempre tive o apoio de meu namorado, que sempre me tranquilizava a cada crise pânico que tinha.

A essa altura eu já estava na faculdade, conheci pessoas que tiveram o mesmo problema que o meu e sempre tive ajuda.

Voltando com tratamento, passei a observar que o medicamento já não parecia fazer efeito, foi quando passei a ir ao médico psiquiatra aqui da cidade.

Tentamos 2 remédios diferentes até acertar, o qual tomei por meses. Segui o tratamento certinho dessa vez, com consultas reguladas, diminuição da dosagem com passar do tempo, até que *PLIM* fui à ultima consulta, e o médico disse que não precisava mais do remédio.

Ouvir aquilo me deu uma sensação de alívio e medo… Alívio de estar curada, de não ter mais aquele medo de morrer ou enlouquecer. E o medo de voltar a ter tudo isso novamente.

Falou que poderia haver alguns efeitos colaterais a curto prazo (sensação de choque na cabeça, boca seca, etc) confesso que nos primeiros dias sem o remédio eu tive a sensação de que não ia conseguir… E olha só, EU CONSEGUI.

Hoje eu faço caminhada, corro, estudo, não tenho mais medo excessivo, voltei a ser a pessoa animada que era, sou muito mais apegada a DEUS, porque sem ele eu não teria conseguido. Todos os dias eu agradeço, por tudo. E sinceramente evito ao máximo as pessoas negativas que tentam se aproximar. Amizades, conto nos dedos.

O que eu tenho dito sempre… Ou você agradece por estar vivo em uma segunda feira (mesmo tendo que trabalhar), ou você reclama. Eu escolho agradecer, sempre.

Quem faz o dia melhor somos nós mesmos.

Ah, no meio de tudo isso, meus pais me deram de presente o Conan (um poodlezinho pequeno de nariz vermelho). Quando fomos comprá-lo, ele me escolheu, se jogou em meus braços. E com certeza a chegada dele ajudou mais de 50% em minha recuperação.

Obviamente sinto muita falta do meu outro cachorro que faleceu, mas hoje eu entendo que ele está em um lugar muito melhor do que esse em que vivemos e que um dia vamos nos reencontrar.

Talvez eu precisasse passar por isso, para contar a vocês hoje. Se estiver passando por essa situação ou algo parecido, ACREDITE, VAI PASSAR.

Pode parecer que não, pode parecer que as coisas só tendem a piorar, pode parecer que você não vai suportar. Mas EU SUPORTEI. Se eu consegui, qualquer um consegue.

Um conselho: Se apeguem a Deus e não desgrudem jamais, seja qual for sua religião. Pratique exercícios físicos, e, jamais abandone o tratamento no meio no caminho, pois caso fizer isso, terá que recomeçar do zero, como eu.

Pratique exercícios de aceitação, se aceite. Não tenha vergonha de dizer para as pessoas. Acredite, esteja aberto para receber as coisas boas da vida. Agradeça a Deus por tudo (ressaltando novamente, independente da sua religião) , seja positivo por mais difícil que seja a situação, diga para si mesma(o): EU CONSIGO, DEUS ESTÁ COMIGO.

Todo dia antes de dormir, passei a dizer a mim mesma: EU ACEITO, EU MEREÇO, EU AGRADEÇO AS BENÇÃOS DE DEUS EM MINHA VIDA, AS COISAS BOAS QUE O UNIVERSO TEM PARA ME OFERECER.

 

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Meu nome é Gabriela T. de M. Delai, tenho 20 anos, sou católica, estudante de Direito, e posso dizer que: o medo de morrer fez com que eu desse valor em cada minuto de minha vida, e me aproximou de Deus. E o medo de enlouquecer fez com que eu passasse a agradecer a minha saúde mental e física a cada momento.

“Entregue sua vida e seus problemas, fale com Deus, ele vai ajudar você”.





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