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Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em crianças segue em alta no país, alerta Fiocruz

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Em outubro, levantamento divulgado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) já tinha apontado alta nos casos de crianças com Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), chegando a ultrapassar os de covid-19. E o cenário não mudou de lá para cá.



O Boletim Infogripe publicado na última quinta-feira (11) indica a manutenção da tendência de aumento de SRAG entre os pequenos de 0 e 9 anos de idade, associados a outros vírus respiratórios.

Nesta faixa etária, têm sido registrados cerca de 1200 a 1500 casos semanais – valores próximos ao pico registrado em julho de 2020, quando ocorreram 1282 casos.

E um dos grandes responsáveis para esse quadro é o vírus sincicial respiratório (VSR), causador da bronquiolite, que teve um crescimento significativo ao longo de 2021. Desde o mês de julho, no entanto, há um aumento gradual de casos de infecção por outros vírus respiratórios, entre eles o adenovírus e o parainfluenza.


Já para a população adulta a situação é diferente. Segundo o boletim da Fiocruz, entre as pessoas com 20 anos ou mais ainda há predomínio quase absoluto de diagnóstico de covid-19 entre os casos de SRAG.

Casos de SRAG no país

Para avaliar a situação epidemiológica, a Fiocruz investiga os casos registrados nas últimas três semanas (a curto prazo) e nas últimas seis semanas (a longo prazo). E, considerando toda a população, sete estados apresentaram sinal de crescimento na tendência de longo prazo até o último período analisado, de 31 de outubro a 6 de novembro. São eles: Acre, Amazonas, Bahia, Espírito Santo, Pará, Rio Grande do Norte e Rio Grande do Sul. Já em São Paulo o aumento se deu exatamente entre as crianças de 0 a 9 anos.

O que é SRAG?


A Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) é, na verdade, um conjunto de sinais e sintomas. Ela pode ter várias causas e agentes infecciosos (vírus e bactérias). “O diagnóstico é baseado nos sintomas do paciente no momento em que ele é atendido. Normalmente, eles chegam ao hospital com um quadro respiratório, geralmente com febre, evoluindo para sinais de desconforto respiratório e diminuição da saturação de oxigênio, com algum grau de comprometimento pulmonar. Frequentemente, é um quadro que implica na necessidade de internação, muitas vezes em UTI, dependendo do grau de comprometimento”, explica o infectologista Francisco Ivanildo Oliveira, gerente médico do Sabará Hospital Infantil (SP).

Os tipos de vírus e bactérias que levam à SRAG variam de acordo com a época do ano. Normalmente, o pico das infecções acontece na transição do verão para o outono, ou seja, vai do começo do ano até maio ou junho. “A maior incidência costuma ser do Vírus Sincicial Respiratório (VSR), que causa bronquiolite.

A diferença é que em adultos e crianças maiores, o VSR costuma causar apenas um resfriado enquanto em crianças menores, particularmente aquelas com menos de 2 anos — e mais especialmente os menores de 6 meses ou com fatores de riscos, como prematuridade, cardiopatia e Síndrome de Down —, pode se manifestar de uma forma mais intensa e grave”, diz o infectologista.

Além do VSR, outros vírus, como o adenovírus e o influenza, também podem podem desencadear quadros de SRAG. Os pequenos, com menos de 2 anos, são os que precisam de mais atenção. “Nessa faixa etária, elas costumam não ter um desenvolvimento pulmonar muito avançado e, com isso, ficam mais sucestíveis”, completa o pediatra Werther Brunow de Carvalho, do Hospital Santa Catarina (SP).


Como prevenir a SRAG?

“Existem medidas de prevenção que podem ser tomadas. No caso do VSR, há uma medicação que ajuda a prevenir infecções em crianças com maior risco de formas graves”, afirma Francisco, referindo-se ao Palivizumabe, um anticorpo monoclonal humanizado contra o Vírus Sincicial Respiratório que pode beneficiar prematuros, crianças com diagnóstico de doença pulmonar crônica e cardiopatas graves. Além disso, reduzir o contato do bebê com outras pessoas e intensificar a higiene, também ajudam a evitar. “As recomendações de prevenção são as mesmas da covid”, completa.

O pediatra Werther Brunow de Carvalho também reforça a importância de ficar atento aos sinais de que algo está errado. “O alerta é para que os pais fiquem muito atentos aos sinais de infecção das vias aéreas superiores. Não deixem de contatar o pediatra. São virus de famílias diferentes, mas com manifestações semelhantes, que podem levar a quadros assintomáticos, leves, moderados e até graves”, finalizou.


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