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Só encontrei a felicidade quando parei de procurar

Era inevitável: a tristeza me assolava. Nada do que eu costumava fazer antigamente que me deixava feliz funcionava mais. Eu estava em completa decadência, toda estilhaçada.

No momento em que eu achava em que estava me recuperando, vinha uma onda e levava tudo o que o meu esforço tinha construído, tipo um castelinho de areia.


Tudo era inconsistente, incerto, eu media cada passo que ia dar. Tudo me dava medo, de me relacionar com novas pessoas e de, até mesmo, ficar naquele estado deplorável para o resto da vida. Besteira!

Foi então que eu decretei que seria feliz. Eu não sabia como, mas estava feito, eu daria um jeito, desses que eu sempre dou.

Comecei a praticar o que me fazia bem antes. Sempre deu certo, por que agora não daria?


Até deu, por algumas horas.

Comecei a procurar a felicidade nos meus amigos que tanto me animavam antigamente. Não achei, nada dava certo.  Até funcionava por uma ou duas horas, mas a sensação de vazio ainda perdurava.

Procurei em compras, em coisas supérfluas, roupas. Nada.

Procurei em viagens, na água salgada do mar… era como se a todo lugar que eu fosse, eu levasse minha amargura em uma coleira, junto comigo, arrastando-a.


Eu a levava!

Não esquecia dela, por isso ela perdurava comigo em todos os cantos. Era como um fantasma.

Agora vai! Ano novo, vida nova! Mas de novo lá estava o vazio e a tristeza sentados um de cada lado dos meus ombros.

Por fora sorria, por dentro não havia como disfarçar tamanha bagunça e imensidão do buraco que habitava meu peito.

Mas que diabos estava acontecendo? Eu costumava ser tão feliz, por que nada disso mais funciona para mim?

Foi então que eu um dia eu acordei e tinha alguém desesperadamente querendo falar comigo.

Era eu mesma. Trouxe-me para o canto e me abri: Olha, isso não está dando certo. Eu mudei, nós mudamos.

A partir dali foi criado um novo decreto. Fui sincera comigo mesma nas camadas mais profundas do meu subconsciente e descobri que aquele sapato velho já não servia mais para mim. Aquela vida que eu levava já não cabia mais a quem eu sou hoje.  Os tempos mudara, eu mudara! Eu era uma metamorfose ambulante que me descobria mais e mais a cada minuto!

Comecei a me ouvir e fazer REALMENTE o que me deixava feliz.  Felicidade para mim tornou a ser chegar da faculdade, comer um belo pedaço de pizza e assistir a um ótimo filme.

Felicidade para mim voltou a ser eu acordar e ver meu cachorro me abanando o rabinho.

Felicidade para mim era chegar em casa e ver todos bem e poder abraçar minha mãe.

Felicidade para mim voltou a ser dar o primeiro bocado morrendo de fome naquele lanche maravilhoso, acordar cedo de manhã e perceber que era domingo e eu poderia dormir até tarde.

Como era maravilhoso ler um livro e poder escrever. Poder colocar os fones e escutar minha música preferida.

A partir desse momento, eu e a amargura desfizemos os laços – eu abandonei toda aquela dor, e a partir dali eu tomava conta sozinha.

A felicidade chegou assim para mim tão de fininho, e hoje virou regra. Não quero, não faço! Aprendi a me ouvir mais, a dizer mais “sim” para mim mesma. Aprendi que mesmo se eu estivesse em Paris, se eu não estivesse bem internamente, tudo que eu tocasse apodreceria.

Obs.: Não sei se você se deu conta, mas quase toda felicidade que eu achei foi dentro de casa e com pouquíssimas pessoas. Foi tão simples!


Direitos autorais da imagem de capa licenciada para o site O Segredo: 123rf / Imagens





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