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Só quem estudou em escola pública sabe o gosto da merenda

Quibebe com mandioca, arroz doce com canela, que delicia!”


Dizia minha amiga das mais empolgadas.

“Não!” – Falei toda serelepe – O bom mesmo era a canjica e o macarrão com sardinha, eu gostava.

“Nossaaaa!” Falava minha amiga como se ainda fosse aquela adolescente com brilhos nos olhos, e aquele feijão tropeiro! Hum! Tinha também o arroz com carne, era top, hein?


Retruquei: “Ah, gostoso mesmo era a galinhada; também tinha a sopa que era feita com legumes e macarrão, lembra? – Claro que lembro! Meu Deus, parece que estou na escola!

Recordei-me de uma das melhores cenas de minha amiga: ela ficava revoltada quando o lanche era bolacha maria com leite e toddy; o lanche não era ruim, ela ficava revoltada porque eram três bolachas para cada aluno, sempre tinha um colega que pedia para alguém que não fosse comer pegar pra ele.

Ali sentadas no café, colocando os papos em dias, após vários anos sem nos reencontrar, lembrando dos melhores momentos de nossas infâncias e aborrescência, acompanhadas de boas gargalhadas. Não tinha como não sentir saudades daquela inesquecível época!


De repente um silêncio, eu estava concentrada pesquisando na internet algo que marcasse aquele encontro.

Encontrei a imagem da famosa caneca de plástico na cor azul e copo que eram servidas as merendas. Mostrei para minha amiga e ela disse:  ”Só quem estudou em escola pública sabe o gosto da merenda!

Algumas pessoas que estavam nas mesas ao lado voltaram suas atenções para nós, e sem muito hesitar compartilharam também seus melhores momentos.

Um jovem lembrou que os alunos eram obrigados a chegarem mais cedo para cantarem o hino nacional.

Outro rapaz que estava lendo jornal, também recordou que desde aquela época existia bullying, ele mais o gordinho da turma, mas mesmo com tantos apelidos ele era uma pessoa feliz e socializava com todos.

Um casal de jovens lembrou-se de que as filas eram enormes e as tias sabiam o nome de cada aluno, e todos eram educados e amáveis com elas.

Convidamos aqueles jovens a se sentarem conosco e o papo rendeu, um deles lembrou do amigo secreto que as turmas faziam, minha amiga, rapidamente lembrou que só ganhava agenda, juntos demos tantas gargalhadas a sensação é que fazíamos parte da mesma turma, do mesmo colégio e da mesma época.

Mas a melhor de todas as lembranças foi quando recordamos da velha e surrada camiseta que era assinada no último dia de aula pelos amigos, um dos jovens falou todo orgulhoso: “Eu tenho minha camiseta até hoje, eu fiz um quadro.”

Gente, e quem nunca quis participar da fanfara? Minha amiga literalmente gritou: !Oh, louco era o meu sonho, eu queria ser porta-bandeira. Hoje eu entendo porque nunca fui, minha altura, não ajudava.

“Truco velho, eu queria tocar o surdo!” Comentou o outro jovem.

Por fim, a nossa mesa estava a maior algazarra. De repente estávamos conversando. Seis pessoas diferentes, não éramos da mesma turma, do mesmo colégio, dos mesmos ciclos de amizades, mas tínhamos algo em comum…

Uma adolescência saudável, marcada por boas lembranças, vividas em escola pública.


Direitos autorais da imagem de capa licenciada para o site O Segredo: 123rf / petro  





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