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Sobre gavetas e coração – vivendo segundos de eternidade ou eternidades inteiras…

Leia ouvindo: Nouvelle Vague – Dance With Me



O coração também enche, como copos d’água e saco de lixo. Nos apegamos a coisas e sentimentos, e nada é tão difícil quanto querer se livrar daquilo que já não preenche. O apego tem nome e até sobrenome, passado e lembranças.

Aquilo que passou, fica. Histórias boas ou ruins, vivemos mesmo é de referências afetivas. Até que algo novo chega e percebemos que precisamos de espaço. Se desfazer do acumulado, doar roupas e sapatos, limpar os papéis amontados no escritório, trocar os móveis de lugar, tirar a poeira, desapegar de histórias e esvaziar gavetas emocionais. Temos cômoda e guarda-roupa dentro do peito que precisam ser esvaziados com frequência. Primeiro para não acumular mágoa e sentimentos ruins, e o segundo e melhor motivo é o espaço para o novo chegar.

SOBRE GAVETAS E CORAÇÃO - FOTO DE CAPA E FOTO DE DENTRO


Limpar situações e pessoas que não fazem mais sentido da vida é uma verdadeira bênção!

E foi exatamente assim que aconteceu com ele. O conheci em um momento de reforma emocional. Sala organizada para receber visita, a cozinha pronta para o café, mas como toda boa reforma, o prazo para arrumar o quarto não havia sido concluído, por ali ainda morava muito de caos. Nem sempre conseguimos resolver todas as questões que nos cercam. Talvez por isso as minhas pessoas favoritas no mundo sejam imperfeitas.

Diferente dos outros, ele quis me ajudar com o caos. Como um ótimo arquiteto de atitudes, escolheu gostar de mim e do meu combo de imperfeições e defeitos. Quis participar do meu processo de amadurecimento e como ele bem disse, crescimento.

Durante a arrumação, tomei coragem para desapegar daquilo que não fazia mais sentido. Quando percebi, entregava para ele um pedaço do meu coração e uma parte da minha rotina. Era hora de recomeçar e preencher um pouco do espaço vazio.


Toma, esvaziei para você! Gavetas vazias para ele guardar pedaços de si e ter mais espaço para passar finais de semana em casa.

É até meio bobo, mas enquanto o velho continua trocando miúdos com a gente, o novo passa ao lado, de maneira tímida e discreta. Se a gente não prestar bastante atenção, quase nem dá para ver.

SOBRE GAVETAS E CORAÇÃO FOTO 02

Aquelas gavetas eram tudo que eu podia entregar a ele. Era a esperança surgindo e a confiança aparecendo. Nada de despedida, a felicidade veio aos poucos. Agora as malas estavam do lado de dentro.


Existem pequenas oportunidades de fazer o que é certo, agarre isso. Amar esperando perfeição é bobagem! Vai machucar sim, vai doer muito, mas você vai se sentir mais vivo, mais contente, mais humano e melhor.

A responsabilidade de querer a felicidade de alguém te faz melhor. Vai por mim. Hoje, entendo perfeitamente uma das frases de Domingos de Oliveira: “Você vai sofrer muito, mas vai valer à pena, porque o amor não é para a gente ser feliz, é para se sentir vivo”.

Sofremos na despedida, choramos esvaziando gavetas, mas recomeçamos e nos sentimos mais vivos quando arrumamos espaço para o outro chegar e ficar. É confortável acreditar que pode acabar, mas é divino fazer com que todos os dias juntos durem a eternidade.

“Esvaziei para você” pode ser o “eu te amo” mais sincero que você vai dizer para alguém. E depois vai abrir um sorriso só por ter certeza que é ele(a) foi sua melhor escolha, e que dessa vez vai ficar.


Vivendo segundos de eternidade ou eternidades inteiras. Sempre vale a pena, porque amor não é para gente pequena.

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