Sobre não deixar para depois

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Hoje eu tenho um comunicado a fazer. Um comunicado sério, desses que muita gente lê e não dá mínima importância, primeiro porque já possuem conhecimento do que se trata e segundo porque preferem ignorar a tentar fazer algo na tentativa de uma mudança – ainda que essa mudança venha apenas da sua parte -. Mas bom, ainda assim, é um comunicado sério.



Venho informar a todos que o tempo está passando. Muito. Rápido. Correndo. Depressa. Praticamente voando. E, dentro desse piscar de olhos onde mora a transformação do dia em noite, inúmeras oportunidades têm surgido na mesma proporção em que muitas têm sido desperdiçadas.

Há sorrisos se abrindo de maneira inevitável, assim como há milhões de outros que estão se esquivando de se esticarem propositalmente por terem sido afetados por razões inferiores ao seu motivo causador. Os abraços estão ficando mais fortes, porém mais raros. Os beijos estão cada vez mais sufocantes, mas poucos com doses altas de sentimento avassalador. Vale lembrar que a gratidão e os elogios espontâneos continuam causando vertigem e fazendo um oito na barriga de quem os ouvem, mas infelizmente, a educação e o respeito ao próximo também estão ficando cada vez mais extintos no dia a dia.

Creio que o que já informei é o suficiente para reconhecer que as coisas não estão indo tão bem quanto deveriam, mas aproveito a ocasião para informar mais uma realidade que certamente é a pior e mais dolorida de todas elas: As pessoas têm ido embora. Sim, elas têm ido. E tudo bem que várias outras também estejam chegando e fazendo morada fixa ou passageira no quarto de hóspedes do nosso coração; mas se tem uma coisa que a gente não tem certeza nessa vida é se após um “tchau”, haverá um novo “oi”. Se após um aperto de mão ao invés de um abraço, haverá a oportunidade de compensar tal desperdício. Se após reconhecermos que não deveríamos ter sido tão orgulhosos, haverá tempo suficiente para que haja uma oportunidade para pedir ou liberar perdão.


É, de fato, não dá para saber o que o amanhã nos reserva. Basta que alguém importante suma do nosso campo de visão para que não tenhamos mais nenhuma certeza sobre ela. E é exatamente por isso que no meio deste texto composto por uma formalidade nada doce, com tom um tanto sério e apontando realidades rotineiras e clichês, que eu ouso em dizer que não vale à pena permanecer vivendo erroneamente no meio daqueles que nos rodeiam. Havendo ou não reciprocidade, só o fato de fazermos a diferença já é o suficiente para dar vida a uma sensação de tranqüilidade plena por dentro.

Por tanto, se eu posso dar um conselho a todos nesse momento, este é: Não desperdicem o tempo de vocês. Não se privem. Não deixem para depois. Já somos grandes o suficiente para compreendermos que orgulho, quando não é benéfico ou questão de honra, não nos leva a nada. Que amor tem que ser demonstrado mesmo e que se danem os demais que não conhecem essa magia. Façam de tudo para estarem perto de quem vocês amam. Abracem mais e demoradamente sempre que puderem; sentir o coração, o calor e o aperto de alguém querido é extasiante. Afrouxem o riso e o abram com vontade, com força, com lágrimas. Aplaudam, reconheçam, agradeçam e sejam amáveis, leves e queridos. Encham-se de positividade e não deixem os tropeços afetarem a sua caminhada. O amanhã é incerto, mas a certeza do hoje é poderosa para garantir que ainda que ele não chegue para você ou para alguém especial, ambos estarão imortalizados para sempre em corações que provaram muito do sabor doce de suas ações.

Então trate de correr na mesma velocidade que a vida e não se permita ficar para trás por coisas negativas e desnecessárias.Maturidade tem mais a ver com fazer do que ser. Então faça a diferença. Não para os outros, mas por você mesmo (a), pois assim, conseqüentemente e despretensiosamente eles também serão atingidos.


 

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Originalmente Publicado em Isabela Freitas

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