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Sobre o outono e os seus encantos inefáveis…

Todas as estações (outono, inverno, verão, primavera) são belas, mas, atrevo-me em afirmar que o outono é de todas elas a mais inefável.

A Primavera é linda, graciosa, rica em virtudes que desabrocham ao passar do tempo. É viva e efêmera, sim. Leio textos e poesias que descrevem a sua formosura e encantos. Poetas e românticos que se dedicam em alcançar o néctar de suas flores.



Confesso, porém, que pouco encontro sobre o outono. Esforço-me – sem êxito – para lembrar o nome de uma poesia e de um poeta que li, quando mais jovem, em um livro esquecido entre outros na biblioteca da escola. Ele falava sobre o verão e o inverno, sobre o dia de sol e o dia de chuva. “Não têm ambos a sua beleza?”, argumentava o autor. Belíssima poesia que transcende o pensamento comum.

Foi para mim uma das melhores das lições. Por que somente o dia de sol é bonito se em um dia nublado podemos contemplar o cinza do céu escuro? Sentir bater em nosso rosto uma brisa gélida que contrasta com o calor do nosso corpo. Ver os galhos das árvores dançarem com a força do vento. Aprendi com esse poeta a notar toda e qualquer beleza que há em todas as situações, em todos os lugares, em qualquer tempo e espaço.

Sinto falta do outono, porque pouco encontro sobre ele para ler. E a leitura é uma das minhas mais vivazes paixões.

Observo no outono também a sua beleza. A primeira característica são as folhas secas, alaranjadas, diferentes de todas as folhas que compõem as outras estações do ano (gosto de tudo o que é diferente, gosto de tudo o que transgride a apatia humana). E elas, as folhas, caem uma a uma, ou em conjunto, soltam-se das árvores, dançam ao ritmo do vento e caem, suavemente, sobre o chão.


O “tom” do dia também é diferente. É resplandecente, como em um dia de verão, mas existe uma diferença que não consigo exprimir em palavras. E o cheiro… sim, um dia de outono também tem o seu cheiro.

(Não quer você, caro leitor, que eu tente descrever um cheiro, quer? É impossível, é inefável). Cheiro único de outono, que quando inspiro me faz sentir um “não sei o quê” de plenitude.

Todas as estações (outono, inverno, verão, primavera) são belas, mas, atrevo-me em afirmar que o outono é de todas elas a mais inefável. Não é apenas uma estação, é também um caminho a se seguir, um pendor irresistível. De tão deslumbrada que me percebi, optei por seguir este caminho. E não o faço por acreditar que encontrarei o inefável ao final desta estrada, mas porque sinto a certeza de que o inefável estará presente em cada passo que eu der.



Direitos autorais da imagem de capa licenciada para o site O Segredo: udra / 123RF Imagens

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