Sobre ser mãe no processo de frustração dos nossos filhos



Eu estava no computador, trabalhando, e meu filho brincando com seu looping de carrinho.

Percebi que ele tentava encaixar as peças para que o carrinho pegasse mais velocidade na hora do looping.  Devido a coordenação motora, pelo fato dele ter 2 anos, não conseguia encaixar para que ficasse firme e então começou um processo que chamei de “guerra mundial interna”.

Ele se irritou, mordeu o carrinho e me olhou. (Fingi não estar acompanhando a cena). Novamente tentou encaixar e não conseguiu, então gritou, a todos pulmões, descarregando sua ira ao jogar o brinquedo na parede.

Levantou e veio até mim, com a voz mansa dizendo:

– Mamãe, por favor, ajude-me. Eu não consigo montar.

Respondi com calma:  – Filho, você consegue sim! Respira fundo, senta lá e tenta de novo. 

Ele respirou fundo e voltou. Sentou e ainda me ouviu dizer:

– Antes de se irritar, tente várias maneiras de resolver.

Então ele, tentou, tentou e conseguiu. Quando finalmente conseguiu, ele me olhou sorridente, impressionado e dizendo: “eu consegui”.

Somos mães e, ao optarmos por este papel, abrimos mão de muitas coisas. E uma das mais preciosas é o tempo. O tempo que dedicamos a nós. Em contrapartida, ver um ser humano crescer no seu ventre e depois nos seus braços é que nos faz entender o incompreensível, mistério da vida. Então, doamos a eles praticamente todo nosso tempo.

Como mãe, às vezes nos cansamos de vê-los chorando por não conseguir as coisas. Ficamos irritados, perdemos a paciência e acabamos cedendo para satisfazer às vontades deles.



Afinal, ver um filho frustrar-se dói, bem lá no fundo da nossa alma. Faz arder o coração e a gente acaba fazendo tudo por eles.

Como psicóloga, a compreensão da importância desse momento dele fala mais alto. Deixá-lo perceber que nem sempre conseguirá tudo e terá que aprender a lidar com as perdas e fracassos, mas jamais deixá-lo desanimar ou desistir daquilo que ele deseja, prevalece.

Apesar de parecer tão frio, é necessário.

Unindo os dois sentimentos, percebo que não é tão doloroso o processo da orientação emocional. Aprender a lidar com seus sentimentos, orienta-los a controlá-los para alcançar seus objetivos diminui a nossa culpa. Causa, espantosamente, até uma sensação de alívio e gratidão, por estar ali, por ter a oportunidade de vivenciar suas pequenas evoluções.

O que precisamos dar aos nossos filhos não são os presentes caros, não são aqueles montes de pacotes em lindos embrulhos. O que eles mais necessitam são nosso tempo. Tempo de qualidade. 

É o nosso apoio em suas conquistas e nosso abraço em suas derrotas.

Para que aprendam a não pôr a culpa em ninguém e crescerem achando que o mundo gira em torno deles. (Ah, esse sentimento causa tanta revolta)

É a segurança de andar com os pés no chão e a cabeça nas nuvens. Nós os criamos para o mundo, sim.  Então, como podemos deixar um mundo melhor para eles? Tornando-os pessoas de bem no mundo!

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Direitos autorais da imagem de capa: alenkasm / 123RF Imagens






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