Sobre tudo o que não fomos…

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Nunca fui grande fotógrafa, minhas fotos costumam borrar e eu geralmente não consigo mostrar o tal do olhar que estudei tanto na faculdade. Mas as vezes esse é o meu refúgio. O jeito que me despeço dos lugares que morei e dos lindos dias que vivi.



No final das contas minhas fotos, por mais amadoras que sejam, são minha oração. O que me faz pensar que de algum jeito eu sabia, E eu me despedi de você aquele dia, ainda que eu não tivesse certeza disso.

Eu não tinha certeza que aquele dia seria o último, mas eu sabia que não fomos feitos pra morrer tentando. A gente foi uma fantasia, um faz de conta. Faz de conta que eu não tenho arrependimentos e deixa todas as nossas merdas pra fora daquela sala. Faz de conta que eu não acordo todo dia com o peito pesado e aproveita esse sofá que tá quentinho. Faz de conta que não tá frio e deixa eu bagunçar seu cabelo e aproveitar o cheiro do seu pescoço.

Faz de conta que eu não amei você.


Nem me esforcei muito pela foto, porque eu tive aquela esperança meio morta de que ia ter chance de pegar um ângulo melhor outro dia e não precisava te acordar agora.

Mas ela tem o desenho exato dos meus dedos assim que saem do seu cabelo, e tem o contorno da sua bochecha grande e do seu nariz pequeno. E como eu adorei encostar o meu nariz no seu e encaixar beijos em cada pedacinho do seu rosto. Tem aquele pedacinho de sobrancelhas relaxadas depois da massagem que te fiz nas costas e você finalmente dormiu sem sustos.


E tem o jeito que meu coração apertou quando eu vi que você não dormia bem e apertou mais depois que vi que me importei com isso. Tem até um pedacinho da orelha que eu amei morder. Tem um riso bobo porque a gente é trouxa e eu tirei sarro do seu ronco e você dos meus óculos. Mas tem também um pedaço do seu casaco quentinho onde eu me enfiava e esperava que você reclamasse da minha tristeza arruinando sua camisa. Coisa que você nunca fez.

É triste pensar que depois de tanta cumplicidade eu estou aqui mandando todas as mensagens certas pro cara errado apenas pra não passar pela dor de mais um sorriso bem educado, de mais uma sexta furada, de mais uma resposta que não veio.

Se reparar bem na foto, tem também um pedacinho da minha perna, onde você deitava a cabeça e eu te abraçava te rodeando com tudo o que eu queria dizer e não podia.

Não podia dizer que eu era mais feliz quando seu cheiro ficava em mim, que eu sorria com as mensagens de bom dia antes das 5:00, do medo que eu tinha de encarar o meu apego e a falta do seu. Não podia dizer que eu amei as mordidas no nariz e os beijos na testa e sua voz de sono perguntando se ainda rolava o negócio que eu fazia no seu pescoço e sua voz gravada dizendo que adorava o que eu fazia no seu cabelo mesmo que isso seja meio brega e meio sentimental e que a gente tenha jurado que não seria nada além de distração. Tudo sem vírgula mesmo porque eu não faço mais ideia de onde foi que a gente quase virou amante, e quase virou amigo, e quase virou estranho e virou essa imensa vontade que eu tenho de te abraçar de novo.

Mania nossa de viver no quase. E eu quase nem sei mais o que eu imaginei e o que foi verdade.

Se eu pudesse te dizer qualquer coisa que importasse agora, te pediria desculpas. Não por nada que vivemos, mas pelas mil vezes em que te afastei. Por todos os “e se” que ficaram. Por mesmo agora não ter coragem de te falar o que realmente sinto. Por ser essa rocha de gelo intransponível que você conheceu. Por ter tentado tanto tanto tanto não deixar você entrar.

Mesmo indo embora agora, botando um oceano inteirinho entre nós, e eu sei que vou tirar você das malas daqui um tempo, mas por enquanto te levo. Tô levando de você as minhas melhores manhãs e um alguns sorrisos bobos e talvez algumas lágrimas. To levando a sua voz de fundo e a minha foto pra quando nada na minha memória me lembrar que não é culpa sua não gostar de mim assim.

E que fique bem claro, bonito, eu não me arrependo de você.

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