Pessoas inspiradoras

Sobrevivente do Capitólio que salvou cinco meninos conta que instinto protetor falou mais alto

Sobrevivente do Capitolio que salvou cinco meninos conta que instinto protetor falou mais alto

Ela falou dos momentos de tensão por fazer parte de uma das tragédias que marcaram o início de 2022.

Uma tragédia que deixou todo o Brasil abalado nos primeiros dias do ano pode ser contada por alguns sobreviventes, como Isabel Martins, uma advogada de 46 anos, ocupante de uma das lanchas que percorriam a lagoa de Furnas, em Capitólio, no estado de Minas Gerais.

Um cenário que atraía visitantes de todo o mundo por suas belezas naturais, no dia 8 de janeiro de 2022 foi palco de um desastre, quando parte do paredão rochoso se desprendeu da encosta e caiu sobre os turistas.

De acordo com o jornal O Globo, Isabel estava acompanhada do filho Felipe, de 14 anos, suas irmãs e cunhados, além de quatro sobrinhos de 10 a 14 anos. Um casal de amigos e seus dois filhos completavam o grupo.

Isabel presenciou o momento desesperador em que a pedra começou a se deslocar e vir na sua direção, o que para ela lembra um filme de terror. A advogada disse que gritou para as crianças mais próximas ficarem embaixo dela, que abriu os braços como um falcão e as colocou sob seu corpo. Ela disse que no momento percebeu que tinha um objetivo claro: salvar os meninos. Seu instinto protetor falou mais alto, relatou.

Todos saíram da situação traumática com poucos ferimentos, à exceção de Isabel, que por seu gesto foi a mais atingida pelo impacto da rocha. A lancha afundou, e por não estar de colete, a advogada foi parar debaixo d’água também, enquanto as crianças boiaram graças ao equipamento de proteção. Quando voltou à superfície, junto com os destroços da embarcação, Isabel percebeu que seu rosto estava ferido e ensanguentado. Não tinha ciência disso naquele momento, mas parte de sua orelha e face havia sido arrancada.

Segundo explica, a partir daquele momento foi amparada por verdadeiros anjos da guarda; uma turista chamada Marcilene a tirou da água e, ao chegar ao píer, um dos barqueiros, chamado Márcio, levou-a às pressas para um hospital. Ela foi operada e até mesmo na recuperação disse ter conhecido uma mulher que tentava acalmá-la.

2 Sobrevivente do Capitolio que salvou cinco meninos e conta que instinto protetor falou mais alto 1

Direitos autorais: Reprodução / Rede Globo.

Os ferimentos de Isabel lhe renderam 200 pontos, além de um processo de reconstituição do tímpano do canal auricular. Por causa do incidente, ela sofreu uma lesão na cervical, por isso precisou de muletas. O ferimento na orelha deixou Isabel surda, problema que os especialistas ainda estão avaliando se será temporário ou permanente.

Mesmo com as lesões físicas e o trauma emocional daquele momento, Isabel diz que o que mais mudou para si pós-desastre foi seu olhar. A experiência angustiante a fez perceber que a vida é apenas um instante, que pode deixar de existir a qualquer momento. Isabel fala que vivemos numa sequência de “agoras”: estamos vivendo o agora, que será seguido de outro agora quando chegar.

A advogada contou que a situação a fez deixar de lado alguns hábitos que hoje considera como besteira. Se antes reclamava que não tinha colágeno suficiente, agora quer deixar de lado tudo o que não lhe acrescentar ou ajudar na sua recuperação. Ela diz que o evento a fez entender por completo a palavra “ressignificar”.

Sua iniciativa de proteger os meninos os ajudou a sair vivos do desastre, embora tenha lhe custado um tanto de sua integridade física. Mas Isabel não se arrepende, agora quer apenas se recuperar o quanto for possível.

Na tragédia de Capitólio, morreram dez turistas que ocupavam a lancha atingida pela rocha. Evidências mostraram que havia sido apontada a possibilidade de ruptura na pedra já em 2012.

0 %