Solte as amarras: “se não ousarmos fazê-lo, ficaremos para sempre à margem de nós mesmos”

Então, aos poucos a gente vai tentando aprender a soltar as amarras que nos prendem à versão distorcida de nós mesmos, aquela que criamos para atender padrões, expectativas, metas; aquelas amarras que vivem da aprovação alheia e que são controladas também por essa necessidade de aprovação. 

Nascemos prontos para sermos pessoas que não queremos ser. Para agir de modo que muitas vezes não acreditamos ou ansiamos; para seguir protocolos ou convenções que alguém criou, mas que não nos cabe dentro; para ser alguém que inventaram, mas que passa longe de ser quem somos em essência e na profundidade que nos é necessária para manifestarmos a beleza da nossa real identidade.

Aos poucos, fomos moldados para o encaixe perfeito, para o espaço marcado, para o caminho traçado, mas quando chegamos no fim da estrada, percebemos que aquilo que tanto buscamos não era bem o que nos aguardava. Não era o que desejamos. Não era o que somos!

Frustração, decepção, desilusão e uma enorme dúvida, daquelas existenciais: será mesmo que esse é o caminho que eu escolhi ou que escolheram para mim? 

Então, você começa a despertar e enxergar, mas com olhos de ver mesmo, que tudo não passou de uma máscara, um papel assumido, uma falácia sobre si mesmo, que se transformou num emaranhado de amarras, que você precisa romper com força sobre humana para se reconhecer! Encarar-se friamente. Voltar a ser o que é e nunca foi.

Trocar de pele. Metamorfosear. Aprender a manifestar sua alma. Começar a seguir o caminho mais imprevisível da vida, aquele que você não sabe onde começa e não tem ideia de onde vai terminar, mas o segue com a confiança de que é o seu caminho e de mais ninguém.

E então, aos poucos a gente vai tentando aprender a soltar as amarras que nos prendem à versão distorcida de nós mesmos, aquela que criamos para atender padrões, expectativas, metas; aquelas amarras que vivem da aprovação alheia e que são controladas também por essa necessidade de aprovação.

É essa a liberdade da verdade sobre si mesmo, do belo e do feio, da luz e das sombras, das alegrias e das tristezas que habitam dentro da gente e que revelam a perfeição da nossa frágil humanidade.

E esse caminho é só seu, é só meu e como diria o nobre poeta Fernando Pessoa: “se não ousarmos fazê-lo, teremos ficado para sempre à margem de nós mesmos.”


Direitos autorais da imagem de capa licenciada para o site O Segredo: 123rf / satariel



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