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Solteira(o) aos 30: minha vida deu certo ou errado?

Este mês, como todo ano em junho ou julho, minha vida sofreu várias transformações. Nem usaria a palavra “sofreu”, pois as mudanças e as transformações, seja lá como elas forem, devem ser sempre bem-vindas. Porque são.


E no meio de toda a correria das transformações, algumas reflexões surgiram da conversa com algumas amigas. Um desespero profundo de chegar aos 30 anos solteira e sem filhos.

O que aconteceu com as nossas vidas? Deu tudo certo ou deu tudo errado?

Não sei se é correto pensar nisso, não dessa forma. Durante a nossa vida nos relacionamos com várias pessoas e crescemos um pouco mais a cada começo, a cada término e a cada recomeço. Recomeços costumam ser tão dolorosos quanto especiais. Aprendi, aos poucos, que cair é tão importante quanto se manter de pé. O tombo nos edifica. A cada rasteira, um aprendizado. Você descobre com o tombo que não quer ficar no chão, e por isso se levanta.

A vida fez isso comigo com as minhas amigas, e com milhares de homens e mulheres que chegaram aos 30 assim, solteiros e sem filhos. E não, não significa que nada deu errado. Deu tudo certo, do jeito que o nosso “certo” foi preparado para nós.


O tempo das pessoas nunca será o mesmo, e nem deve. Imagina que chato se todos nós tivéssemos a mesma vida, a mesma sequência, feito um carrossel que não sai do lugar?

Cada ser nasce para viver da maneira que vive. E não importa o que ainda não tivemos, tenho certeza de que muitos gostariam de levar a vida que vivemos. É essa estranha mania de acreditar que a vida do outro é sempre melhor e mais correta do que a nossa.

Eu não chego em casa e encontro alguém à minha espera, todo apaixonado. Também não tenho o prazer de levar um filho na escola, ou de assistir os seus primeiros passos e erros. Mas isso não faz de mim uma pessoa incompleta. Estas coisas não me diminuem, nem como mulher, nem como ser humano. Acredito no quanto deve ser incrível viver tudo isso, mas também tenho uma vida incrível, da minha maneira.


Faço viagens a qualquer hora e momento. Mudo de cidade. Leio infinitos livros sem me preocupar. Vou a bares e restaurantes, assisto meus filmes favoritos, desfruto de beijos diferentes e conheço pessoas novas o tempo todo. Não há nada de errado nisso.

Para mim, a crise dos 30 não veio como um tornado que me derrubasse e me fizesse enlouquecer por aí a procura de alguém ou com um desejo louco de ter um filho como se o meu tempo estivesse acabando.

Eu sinto que só estou no começo. Sinto-me cada vez mais preparada para as coisas que a vida me trouxer. Não importa que coisas sejam. Fico feliz por estar crescendo a cada ano e evoluindo a cada sim e a cada não que a vida me dá.

A vida sabe ser maravilhosa quando não esperamos que ela seja igual a vida dos nossos vizinhos. Ela sabe ser fantástica quando apenas vivemos vibrando na paz, no amor e na reciprocidade. Não importa se você se chegou – ou já passou – dos 30 e ainda não se casou ou se tornou mãe ou pai, importa a quantidade de coisas que você aprendeu a suportar, a sua capacidade de se superar e se reinventar a cada vez que a vida pareceu dura demais com o seu coração.

A sua realização não está naquilo que a maior parte da sociedade considera normal ou correto. Ela está naquilo que o deixa feliz – verdadeiramente feliz – e sendo você como é, não como as pessoas dizem que deveria ser.

Lembre-se: não existe certo e errado, existe a vida, maravilhosa e indiscutivelmente sábia acontecendo para todos nós e esperando que nós a desfrutemos, sem expectativas.


Direitos autorais da imagem de capa: wall.alphacoders / 728845





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