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Somos a extensão do que praticamos e oferecemos. Não há como fugir.

E lá se foram alguns anos. Guerras de amor, tratados de paz. Esperas na janela, correria dentro do peito.


E lá se foram os dias mais bonitos e marcantes, encontros com Deus, encontro com o nosso próprio eu.

E o tempo, esse que caminha de mãos dadas com nossos desejos e sonhos, transporta-nos, afronta-nos, dá-nos uma pontada de esperança.

Aí vem a canção, o respirar do novo dia, o fechar da porta, o barulho intenso do silêncio. A cabeça cheia de porquês. Aquele tanto de nostalgia que, por vezes, alivia o peso da saudade.

E lá se foram alguns anos onde o coração tombou, mas viveu. Sentiu como se fosse o último respiro de vida. Abraçou, sorriu, dançou dentro da própria essência, por vezes, deixada naquele instante mais que feliz.


E lá se foram tantas mensagens, tantos dizeres de amor, tanta coisa que parecia nunca ter fim.

E os pés por vezes bailam naquele corredor mais frio e a casa parece precisar de uma reforma, assim como a alma da gente.

Aí vem aquele sopro de luz feito brisa, vem à vida com seus ensinamentos. Vem o olhar de quem tanto aprendeu.


E lá se foram tantas coisas desenhadas, tantas sem explicação, tantos “Eu Te amo” que já não se amam mais.

E a gente se teletransporta para aquele lugar quente e aconchegante e aprende que prece é coisa sagrada, que Deus nos ensina a ter mais respeito pelas nossas querências e sentimentos e que a vida está além da matéria.

Que tudo está nas mãos de quem zela por nós. Que muitas vezes nos esquecemos da gratidão e das coisas que recebemos.

Que precisamos travar a batalha entre a humildade e a prepotência. Que precisamos travar a batalha entre a vaidade e o simples. Que não adianta pedir socorro, se nunca soubemos sentir a presença DELE em nosso ser.

E lá se foram alguns anos com alguns desenganos, alguns reencontros e toques sutis de felicidade e bom humor.

A gente se apronta, a gente se desaponta, arruma a bagagem, por vezes, parte, esquece de despedir. E continua tentando cruzar aquela linha de chegada que, por vezes, demorou-se para entender, mas que nos colocou mais dentro de nós mesmos.

No fundo, precisamos aprender a nos salvar para conseguirmos sanar nossos conflitos internos e buscar saídas alternativas.

O tempo continua e nós continuamos. Somos a extensão do que praticamos e oferecemos. Não há como fugir.

Sil Guidorizzi

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Direitos autorais da imagem de capa: mimagephotography / 123RF Imagens





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