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Somos mulheres de verdade! Guerreiras, femininas, mães, filhas, companheiras, muitas em uma só!

Somos guerreiras, femininas, esposas, mães, amigas, filhas, companheiras. Somos muitas em uma só. Mulheres de verdade!

Somos o ombro que conforta e a leoa que defende. Somos fortes, determinadas, de certa forma, somos possessivas. Chamamos para nós a responsabilidade, aceitamos desafios. Desdobramo-nos em duas, três, quatro, em quantas for preciso. Somos cheias: de conteúdo, de cor, de vida, de amor, de penduricalhos. Somos malabaristas, contornamos com toda flexibilidade as adversidades da vida.


Nós, mulheres, somos as quatro estações do ano em uma só. Transformamo-nos em verão quando irradiamos a todos que estão à nossa volta com o nosso mais fervoroso e escaldante sorriso. Ficamos vermelhas, quando recebemos um elogio. Somos inverno quando nos fechamos, ficamos um pouco cinza quando estamos tristes. Nos dias frios, precisamos de um abraço que esquente, que nos envolva e conforte. Somos primavera, florimos, florescemos, presenteamos o mundo com nossa energia, assim como a primeira roseira a nascer num jardim que se renova. Somos outono, despejamos nossas folhas pelo chão para que novas de nós possam nascer. E para que isso ocorra, tiramos força de dentro de nós.

Somos tempestade e calmaria. Somos noite enluarada, repleta de estrelas.

Mas ao mesmo tempo, do nada, nos transformamos em trovoada. Somos recatadas e um tanto quanto vaidosas. Somos mocinha e bandida. Temos nossos dias de pijama velho e de camisola. Dias de chinelinhos e de salto vermelho, agulha. Sabemos nos portar, cruzando nossas pernas em público, de forma elegante, como se desempenhássemos uma coreografia.


Ao mesmo tempo, quando queremos, sabemos como ninguém cativar, fascinar. Somos todas, indiferentes de nossas formas, franzinas ou robustas, lindas. Não precisamos fazer escova em nossos cabelos todos os dias pela manhã. Ser bela e impecável não é uma obrigação, é chato. O tempo em que nos dedicamos em prol de uma beleza pronta, imposta por ditadores da moda e capas de revistas, faz com que deixemos de viver momentos maravilhosos. Seu companheiro, se for um homem de verdade, no múltiplo sentido da palavra, não vai querer lhe ver “montada” pela manhã, como uma Barbie recém-tirada da caixa. Ele quer um beijo, uma mistura do seu gosto e de café, algo em que ele pense o resto do dia.

Não precisamos andar na moda, gastando fortunas num vestidinho descolado, que usaremos uma, duas, três vezes no máximo. Mulher de verdade fica linda com camiseta velha, de gola cortada, rasgada. Exalar intensidade depende muito mais do que somos, do que em como estamos vestidas.

E tem mais, mulher de verdade não precisa sorrir sempre. Se eu fosse homem e tivesse uma mulher sorrindo 24 horas por dia ao meu lado, juro que pensaria que estou num comercial de margarina. Mulher tem que ser autêntica. Autenticidade irradia, causa admiração, certo receio até mesmo, pois eles nunca sabem como vamos agir. Mulher de verdade não vem autoprogramada, com manual de instrução e controle remoto. Se fosse para ser assim, perderíamos para as bonecas infláveis.


Mulher de verdade vira o jogo, vira a página, e se for preciso, vira a mesa.

Investir em saúde e praticar esportes e atividades físicas para ter um corpo legal é admirável, mas também não podemos ser movidas a água e alface. Temos que investir também em cultura, em nosso conteúdo, nos aprimorarmos, buscarmos conhecimento e despejarmos o mesmo entre um cálice de vinho e outro, num jantar gostoso ao lado de nossos amados, sem ligar para as calorias ingeridas, que podem ser eliminadas no dia seguinte. Mulher de verdade bate papo, toma cerveja em rodas de amigas, fala de sapato e de perspectivas profissionais; de maquiagem e de política, de novela e de religião. E se esse papo todo surgir entre um petisco e outro, que não nos privemos por puro capricho estético.

Mulher de verdade não precisa ter alguém com quem compartilhar a vida. O tempo certo vai chegar. Se não apareceu alguém que a valorize como ela merece, um dia ele chegará. Ou ela, tanto faz. O amor é livre, a mulher também. Mulher de verdade não precisa se anular.

Mulher de verdade quer conteúdo, quer um príncipe e um vilão ao seu lado. Se ele não abrir a porta do carro para você, mas tiver aquela atitude que a faça sentir-se maravilhosa, está valendo. Se não mandar flores e mandar uma mensagem às 15h, dizendo que não vê a hora de chegar a noite para lhe cobrir de beijos, que as flores sigam enfeitando jardins.

E adeus às nossas celulites, estrias, imperfeições. Os quilinhos a mais ou a menos. A cicatriz da cesariana. O cabelo crespo ou liso. A modelo da propaganda de cerveja e o reflexo desproporcional que vemos no espelho. Beleza não é tudo, beleza acaba. Quando estivermos em um caixão e a terra for jogada sobre ele, a carne se deteriorará. Somos muito mais que uma curvas e assobios quando passamos com uma calça dois números menores por uma roda cheia de testosterona. Fazermo-nos lindas, depende só de nós mesmas e de quem nos percebe por completo.

Uma vez alguém disse: “É tão absurdo dizer que um homem não pode amar a mesma mulher toda a vida, quanto dizer que um violinista precisa de diversos violinos para tocar a mesma música”. E se ao longo de nossa jornada, encontrarmos alguém que pense diferente, esta pessoa, certamente não nos merece. Pois como disse, somos várias em uma só, então, sendo assim, podemos ser amadas, pelo mesmo homem, dia após dia, que aceite o desafio de encarar as multiplicidades femininas que trazemos em nosso interior.

E se esse alguém ainda não bateu em sua porta dizendo: “Oi, sou o homem da sua vida”, não se desanime. Saia, permita-se, vá dançar, pensar, correr como louca na rua. Trancar-se em casa com seus medos, vendo filme de romance e chorando feito criança não adiantará em nada. E todos aqueles outros homens, que não sabem lhe valorizar, que não lhe respeitam, que só querem uma a mais na lista enorme de conquistas, bom, isso é o resto, o que sobra, o que deve e pode ser descartado, como um sapato que aperta, e que por mais que tentemos usar, sempre machuca, faz doer, nos privando de sentir o chão, sentir a vida em sua plenitude.





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