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“Somos seres espirituais vivendo uma experiência terrena…”

“Nós não somos seres terrenos vivendo uma experiência espiritual, mas somos seres espirituais vivendo uma experiência terrena.”

É madrugada, e estava eu aqui pensando sobre a morte.


Quase nunca falamos sobre ela, e a verdade é que ela apenas se torna uma realidade, quando temos que encará-la vez ou outra, ao constatarmos que ela levou alguém próximo ou ainda quando se aproxima de nós mesmos.

Há pouco partiu uma pessoa muito querida, e uma das melhores formas, que sei lidar com a dor ou com a ausência é por meio da escrita, resolvi então externar, e compartilhar, alguns pensamentos que pairaram sobre mim, nos momentos de dor e de despedida. Pairaram, porque já se passou algum tempo, porém não gosto de escrever sob o calor da emoção, pois perco um pouco da racionalidade e me torno emotiva, em demasia.

Mas enfim, sei que todos nós perdemos alguém, em dado momento, e também caminhamos nós (alguns a passos largos) em direção a este triste fim.


Digo triste, porque a morte sempre me trouxe essa sensação de pesar. Lembro-me de ter ouvido de um artista, certa vez, que ele não tinha medo de morrer, mas tinha pena. E, de fato, é uma grande lástima. Deixamos muito por fazer, independentemente da idade com a qual ela se abate sobre nós, sempre tive a impressão que as pessoas se vão sem terminar algo, sem realizar algum sonho, ou fazer algo que almejavam há muito.

Creio que os que estão de sobreaviso ainda conseguem ao menos dizer o que sentem, mas quando a vida lhes é arrancada de forma abrupta, muito ainda se deixa por fazer. Principalmente porque a vida é inesperada. Por exemplo, existem pessoas aos 70 anos iniciando uma faculdade, com vistas a inserir-se no mercado de trabalho fazendo algo que gostam, após trabalharem anos a fio em um serviço que lhe garantiu o sustento, que gostava, e pelo qual lhe foi grato, mas que não o despertava paixão.

Talvez aí esteja a explicação: paixão, amor, paz, carinho, perdão, atenção, desapego, esperança, fé… É o conjunto de sentimentos e atitudes que nos aliviam, e se permearmos nossa existência por eles, quem sabe não seremos livres de arrependimentos?


Viver de forma alegre e buscando fazer sempre o bem, pode ser o segredo para uma partida leve e saudosa.

É inevitável a presença da saudade. Ela aparece vez ou outra nos recordando de como era bom ter aquele alguém especial, em nossa jornada. E as marcas deixadas, por ela, em nossa alma permanecem pela eternidade.

Afinal já dizia Pierre Teilhard de Chardin: “nós não somos seres terrenos vivendo uma experiência espiritual, mas somos seres espirituais vivendo uma experiência terrena.”





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