Sonho e realidade de natal

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O Natal é sempre uma ocasião bastante oportuna para todos nós refletirmos, pelo menos um pouco, sobre aquelas coisas que realmente são importantes em nossas vidas. É um momento especial no qual podemos renovar o nosso espírito de esperança e fé, e então continuarmos a viagem da vida com mais força, determinação e coragem. O Natal é também uma oportunidade para observarmos e avaliarmos o nosso comportamento em relação a ele próprio, principalmente a ideia que temos do Papai Noel.



Quando eu era criança, nunca questionava nada a respeito do Natal nem do Papai Noel. Apenas revivia entusiasmadamente, a cada ano, a doce fantasia daquele tempo, onde o mundo era totalmente mágico; e nele, viver e sonhar era tudo uma coisa só. Mas, infelizmente, eu fui crescendo, e aquela sagrada ingenuidade foi ficando para trás.

Comecei, então, a perceber que havia uma outra realidade, e me dei conta de que nela já não existia mais aquele Papai Noel democrático de antes, o qual era sempre solícito com todos, e nunca discriminava ninguém. Entendi que a verdade não era bem como diz aquela música: “seja rico ou seja pobre, o velhinho sempre vem”. A partir daí, passei a ver as contradições de toda essa história. Vi que havia uma estreita ligação entre o Natal e o comércio. Descobri que Papai Noel era um sujeito financista, e que de nada adiantava montar uma árvore de Natal nem colocar o sapatinho na janela, porque com ele o negócio era pagamento à vista, ou parcelado no cartão. Vi que trenó não subia favela, a não ser que ele fosse de algum grupo de caridade, ou daqueles que doam alguma coisa nesta época apenas por descargo de consciência, ou porque, talvez, acham que barriga de pobre só dói uma vez por ano. Vi ainda que as confraternizações eram verdadeiros eventos culinários, e que pratos, talheres e copos refletiam mais o momento do que as mentes ansiosas por comida e bebida. Por fim, vi que o Natal era apenas uma tradição que já havia perdido, há muito tempo, grande parte do seu significado original, e que por isso havia se transformado praticamente em apenas mais uma data festiva do calendário.

Hoje, apesar de não ter como negar todas essas constatações, decidi não me deixar contaminar por elas. Aquela criança que eu era, continua viva dentro de mim. Por isso, prefiro deixar as portas do coração e da alma sempre abertas para que ela possa voltar sempre que quiser.


Afinal, no fundo, a gente nunca deixa de ser criança. O que acontece é que, à medida que vamos crescendo, os adultos vão nos ensinando a mentir. E, muitas vezes, acabamos mentindo mais para nós mesmos do que para os outros. E uma das grandes mentiras que alimentamos é a de que gente grande não pode sonhar como criança, porque confundimos “sonhar como criança” com “agir como criança”. Penso que, da mesma forma como aquele nosso lado infantil é considerado um sonho diante dessa realidade, podemos também considerar que essa realidade é um pesadelo diante dos sonhos da gente. Portanto, somos nós que decidimos como encarar a vida, se queremos nos entregar a uma realidade dura ou a um sonho macio. Assim como nas histórias de Papai Noel, a vida também é feita de sonhos. Mas, para realizá-los de verdade, é preciso voltar a olhar e a sentir o mundo com olhos e coração de criança. E se, de repente, alguém achar que tudo isso é apenas uma grande fantasia, por pensar que só se pode acreditar naquilo que é palpável, com certeza é porque ficou adulto demais.

Alexandre Reis


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