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Sopa quente e 110 quilômetros de distância

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Segunda feira, frio de 10°C com sensação térmica de 2°C. Nem a minha morada, que fica em uma avenida movimentada tinha barulhos, em plena 21 horas. Estavam todos enfurnados em casa debaixo de suas cobertas. Resolvi enfrentar o frio e ir até a padaria do outro lado da rua para comprar pães, cigarro e uma sopa. O frio que cortava meu rosto me lembrava como a solidão agia.



Quando a sopa ficou pronta, eu só podia pensar uma única coisa: “queria você aqui, para dividir comigo”. Uma panelada de sopa e você está a 110 quilômetros de distância. Paciência.

Relacionar-se com uma pessoa à distância nunca foi o meu sonho, justamente por essa palavra “distância” causar um efeito embriagador. Mas aconteceu e, como lidar? Eu tenho uma panela de sopa de feijão e sem você para dividir. Que chato.

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Namoro a distância requer ainda mais comprometimento do que um relacionamento comum.  Há tantas tentações e privações existentes no mundo… Requer força e amor. Porque só o amor suporta a ausência da pessoa amada. Só o amor suporta qualquer obstáculo em um relacionamento.

Em nosso caso, não escolhemos. É diferente de quando você recebe uma proposta de emprego, vai estudar ou precisa se mudar com a família. Nós já nos conhecemos estando a 110 quilômetros de distância e isso chega a doer, só de escrever, porque não é a todo o momento que você pode ter aquela pessoa do seu lado; não pude dividir a sopa de feijão com você.

Uma mensagem; “amor, estou ruim, vou ir para a cama mais cedo”. E você, que está a 110 quilômetros de distância, pode fazer o que de longe? Apenas orar e indicar remédios ou a ida a um hospital mais próximo. Não disse que era horrível? Hoje mesmo tive um desentendimento no trabalho e, por incrível que pareça, não tinha colo e cafuné me esperando em casa, não tinha um abraço para eu me afundar ou aquele meu sorriso favorito para eu admirar.

Amar à distância é ter do celular a conexão com a pessoa amada. Viver de bom dias por áudio, uma mensagenzinha de ‘bom almoço, tenha uma excelente tarde’ e uma ligação de boa noite. É fazer planos escritos, acordar e querer olhar para uma tela, é admirar por foto.


Mas também é se apaixonar a cada vez que a distância é quebrada, amar intensamente com medo de aquela noite acabar, é aproveitar cada segundo, beijar o máximo e odiar o tchau. Amar à distância requer equilíbrio emocional para não surtar a cada pontada de saudade, lealdade para quem está te esperando lá do outro lado, é não conseguir dormir sem dizer ou escrever boa noite.

Já parou para pensar em quantos casais vivem assim? Não importa a distância, se são 10 ou 1000 quilômetros; quantos casais apaixonados vivem assim? Se vendo de 15 em 15 dias, de mês a mês ou de ano a ano? Não são fortes esses casais que se amam e se respeitam mesmo estando longe? Como eu disse, amar requer coragem, mas amar à distância requer força.

Quando sentir falta, ligue!

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