Comportamento

“Sua conta foi excluída.” Golpista do Tinder foi banido do aplicativo após sucesso do documentário

capa site Sua conta foi excluida Golpista do Tinder foi banido do aplicativo apos sucesso do documentario

O documentário estreou na Netflix no início de fevereiro, tornando ainda mais acessível a história do “golpista do Tinder”.

Os aplicativos de namoro potencializaram a paquera na era das redes sociais, tornando acessível uma grande quantidade de perfis disponíveis para relacionamentos íntimos e/ou amorosos. Bastam poucos cliques para encontrar um “match” perfeito, alinhando o que você procura com o que o outro tem.

Porém um dos maiores problemas apontados pelos próprios usuários é mensurar a veracidade das informações passadas no aplicativo. Como saber se a pessoa com quem estou conversando é o que ela diz ser? Pensando nisso, o Tinder modificou suas regras e diretrizes no aplicativo, alertando o público sobre como agir e identificar golpistas.

Grande parte da mídia tem atribuído a mudança nas diretrizes do aplicativo de encontros ao sucesso do documentário “O golpista do Tinder”, da Netflix, nas últimas semanas. Um dos casos mais surreais de golpes da história, que já contamos aqui no site em outubro do ano passado, envolve uma rede de mulheres enganadas por Simon Leviev, que se passava por filho do magnata de diamantes Lev Leviev.

Em um esquema quase perfeito, Simon (nome falso que o israelense Shimon Hayut usava) aplicava golpes por meio do sistema Ponzi, em que usava o dinheiro de uma mulher com outra, e assim sucessivamente, sempre bancando os luxos e viagens com o dinheiro de mulheres que tinha conhecido no aplicativo de encontros.

As denúncias recentes apontam que Simon aplica golpes há muitos anos, chegando a somar mais de R$ 50 milhões em dívidas que ficaram com as vítimas. O documentário conta a história de três mulheres que afirmam ter sido enganadas pelo homem que alegava ser o “Príncipe dos Diamantes”, conhecendo-o pelo Tinder separadamente.

Segundo reportagem da NBC, as vítimas contam que foram enganadas pelo falso magnata, que criava uma teia de mentiras, passando-se por filho de Lev Leviev e oferecendo encontros em jatinhos particulares, hospedagens em hotéis caríssimos e comidas da alta gastronomia, tudo pago com dinheiro de outras mulheres que já tinha enganado. Depois desse período de conquista, ele enganava as vítimas, afirmando que sua segurança estava em risco e não podia usar os cartões de crédito para não ser rastreado pelos “inimigos”, pedindo grandes quantias emprestadas.

Assim que o documentário foi lançado, expôs que o golpista ainda estava ativo nos aplicativos de encontros, especialmente o Tinder, principal instrumento utilizado para encontrar as vítimas. Em um comunicado, a empresa negou a informação, explicando que tinha banido Simon Leviev e todos os outros pseudônimos que já tinha criado desde que sua história veio a público em 2019.

Além do Tinder, as informações são de que Shimon também foi proibido de criar perfis em outros sites de namoro do Macth Group Inc., como OkCupid e Plenty of Fish, famosos no exterior. Os tabloides não conseguiram entrar em contato nem com a Netflix nem com Shimon, não obtendo resposta sobre as afirmações.

No documentário, o “golpista” não aparece dando declarações em sua defesa, apenas envia uma mensagem de voz à equipe de produção, informando que iria prosseguir com o processo por difamação e mentira, defendendo que toda a história contada era baseada em mentiras. As novas diretrizes do Tinder foram publicadas um dia antes do lançamento do documentário no serviço de streaming.

Hayut foi preso em 2019, na Grécia, e extraditado para Israel, onde foi condenado por quatro acusações de fraude e obrigado a devolver mais de R$ 220 mil para suas vítimas. Mas ele ficou apenas cinco meses detido, ou seja, um terço da pena (15 meses).

O israelense vive livremente, sem ser condenado pelas vítimas que fez pelo Tinder em vários países da Europa, chegando a acumular mais de 100 mil seguidores nas redes sociais.