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Suas raízes lhe permitem apreciar o jardim a sua volta?

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Era uma vez uma cidade pacata onde vivia um rei, cercado de alguns nobres e seus fiéis súditos. A cidade era realmente linda e aquele povoado cresceu acreditando que a beleza da sua cidade seria eterna e lhes garantiria prosperidade eterna.



Acontece que o mundo foi evoluindo e a partir de um determinado momento perceberam que a beleza da cidade não era suficiente para manter a qualidade de vida do local. Havia também o fator econômico, o qual precisava de algumas contribuições externas. Assim, consequentemente, teriam que tolerar a presença de alguns imigrantes.

Entretanto, o povoado receiava as influências hábitos e culturas externas na região, afinal de contas quem poderia garantir que o reino continuaria absolutamente fiel à sua origem diante da presença destes “fatores externos”?

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Mas a necessidade determinou o rumo do reino os forasteiros começaram a chegar. No dia a dia, a vida da pacata cidade seguia quase igual, entretanto havia uma tênue distanciação entre o grupo “daqueles que cresceram juntos” e “aqueles que vieram de fora”.

Então houve uma grande festa e o Rei (já famoso pela sua vaidade) queria a roupa mais linda de todos os Reinos, que somente poderia ser feita pelo melhor artesão da localidade. O Artesão do feudo encantado foi chamado e, atendendo às ordens reais, fez para o Rei uma linda veste, composta de fios de ouro da terra do nunca, costurada com agulhas de aço lunar, rendas celestes e diamantes da quinta dimensão.

Ao vestir aquela peça, feita pelo tão brilhante artesão local, o Rei por um segundo titubeou… mas logo ouviu o quanto a peça lhe caíra tão bem. Sua magnitude nunca antes vista em qualquer lugar do universo, era algo realmente inacreditável de tanta beleza. Impossível de mensurar.

O talento e o esplendor da roupa de gala real foram alardeados por todo o reino e todos aguardavam ansiosos pelo dia em que o Rei exibiria a fantástica peça.


O dia do festejo chegou. O Rei então vestiu seu traje de beleza indescritível e passou a desfilar pelo tapete vermelho até seu trono, enquanto todos do Reino comentavam estupefata a beleza singular daquela roupa.

Entretanto, uma daquelas famílias de forasteiros passava pelo lugar e muito embora não pretendessem participar da cerimônia – pois não tinham a intenção de intervir nos hábitos locais – foram surpreendidos pela espontaneidade do seu filho menor, que repentinamente enveredou-se pelo meio da multidão para também apreciar o desfile real.

Foi quanto de repente, os aplausos foram invadidos pela exclamação em claro e alto som daquela petulante e inocente criança, que exclamava: “Olha, mãe! O Rei está pelado! ”

E sim, esse era o fato… Mas quem naquele reino ousaria uma manifestar uma visão diferenciada para questionar ou contrariar qualquer “verdade” conterrânea?


Naquele momento, o Rei enrubesceu. Deu-se conta de que de fato estava nu. E o pior, nu, tanto fisicamente quanto moralmente pois havia se deixado levar por uma ilusão plantado pela cegueira e excesso de apego às supostas verdades locais.

Percebeu que por mais apego e amor às raízes culturais de seu reino, o excesso de blindagem social chegou ao ápice de levá-los à cegueira.

Deu-se conta também de que a evolução – ali representada por aquela criança – era algo inevitável e de que às vezes estar aberto às visões advindas de terras alienígenas pode ser algo construtivo (ou, naquele caso, poderia ao menos ter lhe poupado o constrangimento).

E assim, a partir daquele momento “aqueles que cresceram juntos” e “aqueles que vieram de outros reinos” passaram a compartilhar muito mais do que um reinado… Compartilharam um universo em que viviam, cresciam, trocavam experiências e aprendiam uns com os outros, inclusive aprendendo a rir e admirar as fonéticas, dialetos e hábitos diferenciados.


Aprenderam que não possuíam terra nenhuma e muito menos pertenciam a ela; ensinaram a nova geração que “nossas raízes” ajudam a formar nosso caráter, mas com ele não se confunde e que todos somos habitantes de um mundo em constante mutação e movimento, assim como cada um de nós.

O Rei desta história e sua famosa roupa tem origem no conto de Hans Christian Andersena (“A roupa nova do rei” ) publicado em 1837, aqui adaptado pela ideia de que a vaidade daquele rei (o original) pode apresentar diversas facetas e integrar um contexto que vai muito além dos efeitos direto do seu comando. E na linha de que “a vida imita a arte”, fatalmente podemos constatar que o ocorrido naquele reinado, não raro se repete em reinos tão distantes.

Às vezes crescemos nos deixamos contagiar pelo modo de vida da “massa social” e nos esquecemos de alguns contos infantis que deixam lições que podem ser tão grandiosas e nos fechamos a verdades irreais propagadas por vaidades, egos e simplesmente medo do desconhecido. Pior, passamos a ignorar que as fronteiras são meras ficções criadas pelo homem para fins políticos, geográficos e econômicos.

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Cresça, regue suas “raízes”, desenvolva seus galhos e orgulhe-se de seus frutos. Mas, esteja você em que reino estiver, lembre-se sempre que até mesmo as árvores com as raízes mais fortes, ficam mais belas quando cercadas por um vasto e diversificado jardim, pois este a diversidade é a maior semente do progresso. Aprecie!

Patricia Oliveira Lima Pessanha

Abençoe sua vida amorosa! Escolha gerar uma nova crença!

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